_
_
_
_

Glenn Close: “Mulheres, temos que dizer: eu consigo, e tenho o direito de conseguir”

Atriz dedica seu Globo de Ouro por ‘A Esposa’ à sua mãe, que passou a vida toda à sombra do marido

Close recebendo o primeiro grande prêmio de sua carreira como atriz de cinema.
Close recebendo o primeiro grande prêmio de sua carreira como atriz de cinema.Reuters
Héctor Llanos Martínez

Glenn Close ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz, o terceiro de sua carreira, como protagonista de A Esposa. No filme, ela interpreta uma mulher à sombra de um prestigioso escritor que está prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura. [Consulte aqui a lista completa de premiados.]

Suas comovidas palavras ao receber a estatueta fizeram boa parte do público da cerimônia se colocar de pé. Em seu discurso, de forte tom feminista, recordou sua mãe, que durante sua vida desempenhou um papel parecido ao da personagem protagonista de A Esposa.

Também incentivou outras mulheres a exercerem a sororidade e a se sentirem realizadas cumprindo com seus objetivos de vida: "Precisamos dizer: eu consigo, e tenho o direito de conseguir”, afirmou ela no palco do Hotel Beverly Hilton, local da cerimônia. Leia abaixo o discurso:

Obrigada à Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood por esta grande honra. Estou muito honrada por estar aqui com minhas irmãs colegas de categoria. Tivemos a oportunidade de nos conhecermos um pouco e eu adoraria passar mais tempo com vocês. Tudo o que vocês fizeram neste ano pelo que estão aqui indicadas é espetacular, deveríamos receber o prêmio juntas.

Quero agradecer a Meg Wolitzer por escrever este romance incrível e a Jane Anderson por adaptá-lo ao cinema. A Rosalie Swedlin e Claudia Bluemhuber (produtoras do filme) por sua paixão: foram necessários 14 anos para fazer este filme! Eu me envolvi nele graças a meus maravilhosos Kevin e Franklin (agentes da atriz) que me apoiaram e disseram: é uma grande história e temos que aguentar até que aconteça.

Sabem, como se chama ‘A Esposa’... Acho que é a razão pela qual precisou de 14 anos para ser rodado. Ao interpretar uma personagem que é tão introspectiva penso na minha mãe, que toda sua vida se apagou ela mesma em favor do meu pai. Aos 80 anos, ela me disse: ‘Sinto que não consegui nada na vida. Era tão terrível’...

Acho que o que aprendi com toda esta experiência é que nós, mulheres, somos cuidadoras, isso é o que se espera de nós. Temos nossos filhos, nossos maridos e, se tivermos sorte, nossos pais. Mas temos que encontrar aquilo que nos faz sentir realizadas. Temos que seguir nossos sonhos e dizer: eu consigo, e tenho o direito de conseguir.

Quando eu era pequena, me sentia como Muhammad Ali, que dizia se sentir destinado a ser pugilista. Eu me sentia destinada a ser atriz. Via os primeiros filmes da Disney e Hayley Mills e dizia a mim mesma: eu posso fazer isso! E aqui estou hoje. Em setembro completo 45 anos como atriz, e não posso imaginar ter tido uma vida mais maravilhosa.

Obrigada a Björn Runge, que dirigiu A Esposa, que confiou no plano curto, que sabia onde pôr a câmara e como iluminar os atores. A Jonathan Pryce, que grande companheiro. A minha filha Annie, que estabeleceu as bases desta personagem. Amo muito você, querida. Muito obrigada.

Primeiro grande prêmio como atriz de cinema

Embora não pareça, esta é a primeira vez que Close recebe um prêmio importante como atriz de cinema. É seu primeiro Globo de Ouro na categoria cinematográfica, já que os dois anteriores ela ganhou em categorias televisivas, e disputou a estatueta em outras 11 ocasiões. Sua vitória coloca a norte-americana como uma das favoritas ao Oscar, reconhecimento que nunca obteve apesar de ter estado seis vezes indicada. Close é também uma destacada intérprete de teatro, onde já obteve três prêmios Tony.

Apesar de ter passado despercebido nas bilheterias e não ter recebido o aplauso geral da crítica especializada, A Esposa inspirou muitos artigos por seu marcado tom feminista.

No longa, a protagonista recorda como flashback o início de sua relação com seu célebre marido, nos anos cinquenta. Nesse momento, ela era uma aspirante a escritora incapaz de romper o teto de vidro que lhe permitiria triunfar publicando seus próprios escritos. Por isso decidiu se dedicar à vida familiar e corrigir os textos de seu marido. Horas antes de ele receber o prêmio Nobel, um jornalista interpretado por Christian Slater ameaça revelar a verdade desse casamento.

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_