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Sérgio Moro aceita ser superministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro

Em nota, o juiz afirmou que "a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado" o levou a tomar a decisão

Sérgio Moro
Sérgio Moro e o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes AP

O juiz federal Sérgio Moro, principal nome da Operação Lava Jato e algoz do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aceitou nesta quinta-feira, 1º, ser ministro da Justiça e da Segurança Pública do Governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). O magistrado, que havia sido convidado publicamente pelo capitão para ocupar a pasta no início desta semana, aceitou o cargo após reunião com Bolsonaro no Rio de Janeiro. Em nota, Moro afirma que "a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos" pautaram sua decisão. No texto, o juiz também diz que "na prática [aceitar o convite], significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior" (leia abaixo a íntegra da nota).

A decisão também foi confirmada por Bolsonaro por meio de seu Twitter nesta manhã, no qual o presidente eleito afirma que a agenda anticorrupção de Moro e o respeito à Constituição serão o norte de sua gestão.  Moro viajou sozinho de Curitiba ao Rio, em um voo comercial, e chegou à casa do capitão reformado por volta das 9h30. Ele deixou o local cerca de duas horas depois acompanhado de Paulo Guedes, o futuro superministro da Economia de Bolsonaro. Guedes já havia sondado Moro para o cargo durante a campanha eleitoral, segundo o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão.

Moro é o quinto nome definido por Bolsonaro para assumir os ministérios. Paulo Guedes vai chefiar a superpasta da Economia – que agrega a Fazenda, o Planejamento e a Indústria, Comércio Exterior e Serviços – Onyx Lorenzoni será o ministro da Casa Civil, o general Augusto Heleno assumirá a Defesa e Marcos Pontes, a Ciência e Tecnologia. O superministério de Moro é uma fusão das estruturas da Justiça, Segurança Pública, Transparência, Controladoria Geral da União e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), hoje sob o chapéu do ministério da Fazenda.

A escolha de Moro para a pasta é controversa devido a seu protagonismo na Lava Jato, que levou à condenação diversos nomes de grupo político contrário ao de Bolsonaro. Moro, inclusive, foi o responsável pela prisão de Lula, que tirou o petista da disputa eleitoral  e abriu caminho para a vitória do capitão reformado. O candidato derrotado Ciro Gomes (PDT) disse à rádio CBN, nesta quarta-feira, 31, que o juiz deveria aceitar o convite para assumir a pasta: Ele "não é juiz, é político e deveria assumir essa vocação", afirmou o ex-ministro.

Dois anos atrás, durante sua primeira entrevista como juiz da Lava Jato para o jornal O Estado de S. Paulo, Moro negava veementemente que poderia entrar na política. “Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política", disse Moro. "Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco." Em sua defesa, há de se considerar que ser ministro da Justiça não é exatamente um cargo da política tradicional, levando em conta que ele poderia vir a ser indicado ministro do Supremo Tribunal Federal, como o próprio Bolsonaro sugeriu na entrevista que concedeu à TV Record nesta semana.

Para chefiar o superministério, Moro terá que renunciar à magistratura, que exerce há 22 anos. Com sua exoneração, a Lava Jato na Justiça Federal do Paraná fica a cargo da juíza substituta Gabriela Hardt, que já atua nos casos na ausência do juiz.

O anúncio de Moro no Governo Bolsonaro fez a Bolsa de Valores em São Paulo bater recorde em pontos. Os investidores mostraram euforia com o nome do novo ministro que chancela credibilidade ao presidente eleito e tira de foco os desencontros sobre decisões econômicas – como a união de ministérios — que estavam irritando setores produtivos.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Moro:

"Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Seguranca Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a pespectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juizes locais. De todo modo, para evitar controversias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes".

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