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Eleições 2018 EDITORAIS i

O voto brasileiro

Extremismo de Bolsonaro propicia um discurso político destrutivo

Preparativos para as eleições
Preparativos para as eleições EFE

Em menos de duas semanas - no domingo 7 de outubro - os brasileiros participarão do primeiro turno das eleições presidenciais consideradas por alguns intelectuais como “as mais turbulentas da história”.

Como se não bastassem as profundas crises financeira - derrocada da economia - e institucional - uma presidenta destituída e o atual presidente investigado - que assolam o país há quatro anos, a campanha eleitoral é marcada pelo caos e a incerteza que foram da prisão e proibição de concorrer como candidato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à tentativa de assassinato de outro dos favoritos, o populista de extrema direita Jair Bolsonaro.

A única coisa praticamente certa é que nenhum dos políticos na disputa obterá maioria no primeiro turno e os dois mais votados estarão no segundo - no dia 28. Um deles será, de acordo com as pesquisas, o ultradireitista Bolsonaro - com 28% das intenções de voto - e a outra vaga será disputada entre o sucessor de Lula e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o candidato de centro-esquerda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. De acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 24, o petista leva vantagem, com 22% das intenções de voto, e o candidato do PDT aparece em terceiro lugar, com 11%.

Mas há algo mais constatável: o populismo instalou no Brasil um discurso político destrutivo que utiliza qualquer desculpa para provocar um incêndio social e cujo alvo é o Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula e Haddad. Bolsonaro algumas vezes é comparado a Donald Trump e Matteo Salvini, mas isso é um erro. É ainda pior no fundo e nas formas. Na campanha - parte da qual realizou prostrado na cama de um hospital e, portanto, sem possibilidade de participar de debates - Bolsonaro não só defendeu a ditadura militar (1964-1985), como propôs que a polícia tenha carta branca para matar em um país onde são registrados 60.000 homicídios anuais. Seu candidato a vice-presidente, Antônio Hamilton Mourão, é um militar da reserva que constantemente justifica que ocorra um golpe de Estado “sob determinadas circunstâncias” e utilizou o termo “autogolpe”. Também propõe a elaboração de uma nova Constituição por “um conselho de notáveis”.

Os outros candidatos tentaram fazer uma campanha mais ou menos ortodoxa, mas se viram arrastados para combater colocações inaceitáveis que, entretanto, são reivindicadas abertamente por uma porcentagem importante do eleitorado. Como costuma acontecer quando a democracia está em risco, é a unidade dos que acreditam nela - independentemente de suas diferenças - que por fim a resgata. E no Brasil deve acontecer o mesmo.

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