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Protestos marcam o dia eleitoral na Rússia

Pelo menos 291 pessoas foram presas pela polícia, entre elas alguns colaboradores de Navalni

Um manifestante é preso por quatro policiais, neste domingo em San Petersburgo.
Um manifestante é preso por quatro policiais, neste domingo em San Petersburgo. AFP

Milhares de partidários do líder preso da oposição russa Alexei Navalni saíram em protesto neste domingo, 9 de setembro, em todo o país contra a reforma das aposentadorias encabeçada pelo presidente Vladimir Putin, em um dia em que se realizaram eleições regionais. Grupos defensores dos direitos humanos, citados pela Reuters, afirmaram que pelo menos 291 pessoas foram presas pela polícia, entre elas alguns dos colaboradores mais próximos de Navalni.

Os partidários de Alexei Navalni, que cumpre pena de 30 dias de prisão por violar as normas de organização de comícios, responderam ao chamamento de seu líder e saíram neste domingo às ruas da Rússia, desafiando a proibição policial de realizar manifestações durante o dia eleitoral regional. As manifestações e marchas de protesto mais numerosos pela impopular lei de aposentadoria ocorreram em Moscou e em San Petersburgo, onde as forças da ordem prenderam opositores.

Em San Petersburgo, a polícia deteve cerca de cem pessoas, enquanto na capital foram várias dezenas que acabaram na delegacia. Em Moscou os descontentes, reunidos como de costume na praça central Pushkin, gritavam “Putin ladrão!” e “A Rússia será livre”. Em outras cidades, como Irkustk, Jabarovski, Vladivostok e Yuzhno-Sajalinks, os protestos transcorreram sem incidentes.

OVD-Info, uma organização que monitora as prisões dos opositores, afirmou que cerca de 291 manifestantes tinham sido presos pela polícia em 19 cidades, incluindo alguns dos colaboradores mais próximos a Navalni. A oposição aproveitou o descontentamento com a reforma da previdência, que aumenta a idade de aposentadoria, para tentar ganhar influência sobre a população. Às críticas à lei se uniram o Partido Liberal-Democrata da Rússia (PLD), o PC e o Rússia Justa, todos com representação parlamentar, além da oposição que não está presente na câmara, tanto de centro-direita (Navalni) como de esquerda (Serguei Udaltsov).

A reforma, a medida mais impopular adotada pelo Governo desde 2005 quando eliminou benefícios sociais da época soviética, causou uma queda de popularidade de Putin de 15 pontos. Tanto que o governante se viu obrigado a introduzir modificações para suavizar a reforma impopular. As mudanças, de qualquer forma, vão seguir adiante e aumentarão em cinco anos a idade em que os russos podem se aposentar.

Os cidadãos tinham sido convocados às urnas para escolher líderes regionais. Os moscovitas deveriam eleger prefeito e seu responsável atual, Sergei Sobianin, homem de Putin que foi chefe do Gabinete presidencial, tinha uma vitória folgada garantida, graças ao trabalho feito na capital e ao clima que se conseguiu criar durante a Copa do Mundo.

As pesquisas davam a Sobianin em torno de 65% dos votos, muito à frente de seus quatro concorrentes. Vadim Degtiarov, candidato do nacionalista (PLD) e Vadim Kumin, presidente dos comunistas, brigavam pelo segundo lugar.

Google elimina os vídeos do opositor russo Navalni

A multinacional Google eliminou de seu serviço YouTube os vídeos do opositor russo Alexei Navalni sobre as eleições regionais e locais que ocorrem hoje no país, atendendo uma advertência do Kremlin contra a ingerência nas eleições russas, denunciaram hoje partidários do líder opositor.

“Pela primeira vez na história, a companhia atendeu as exigências legais das autoridades russas e apagou do YouTube a publicidade paga sobre a manifestação” contra a reforma das aposentadorias convocada por Navalni para o dia das eleições, escreveu nas redes sociais Leonid Volkov, colaborador direto do opositor.

Segundo Volkov, o serviço do Google também “bloqueou a exibição da maioria dos vídeos” postados por Navalni e seus colaboradores.

A Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia enviou esta semana uma carta ao diretor da companhia norte-americana, Larry Page, na qual instou-o a respeitar a legislação eleitoral russa.

A autoridade russa destacou em seu texto que a lei do país proíbe informações políticas sobre o dia eleitoral, que inclui a eleição do novo prefeito de Moscou.

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