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Academia anuncia um novo Oscar para o filme mais popular

Hollywood tenta reconquistar a audiência perdida na transmissão da cerimônia de premiação

Estátuas do Oscar como cenário da edição de 2017 desse prêmio cinematográfico
Estátuas do Oscar como cenário da edição de 2017 desse prêmio cinematográfico REUTERS

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas continua em luta para reconquistar a popularidade perdida do Oscar. Por isso, a instituição anunciou nesta quarta-feira, 8, uma nova categoria, que premiará o melhor entre os filmes mais populares. Um novo quesito que se somará às 24 categorias já existentes. Por enquanto, a Academia não forneceu detalhes, nem mesmo quais filmes poderão aspirar à estatueta, nem quem se encarregará da indicação e posterior seleção. Mas por trás da notícia está a necessidade que a Academia sente de incluir entre seus prêmios esses outros filmes que, há anos, ficam de fora. A necessidade, por exemplo, de que em 2019 Pantera Negra esteja entre os filmes indicados.

Trata-se de uma decisão que gerou polêmica dentro do setor, mas já era esperada. A Academia deseja frear o rápido declínio dos prêmios mais populares do cinema. Ou, pelo menos, o declínio da sua transmissão televisiva. Embora o Oscar continue sendo considerado um indicador de qualidade dos méritos de um filme, o público há tempos deixou de se interessar por uma cerimônia que não reflete seus gostos. Os anos em que o Oscar era dado aos grandes blockbusters, como Titanic (11 estatuetas em 1998), Gladiador (5 em 2001) e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (11 em 2004) ficaram para trás. Nas últimas edições, o Oscar de melhor filme foi para títulos como Moonlight, Spotlight e A Forma da Água, cujos méritos ninguém discute, mas que foram ignoradas pelo grande público. Enquanto isso, filmes campeões de bilheteria, como Guardiões da Galáxia e Star Wars: O Despertar da Força, passaram em branco pelo Oscar. Só foram recordados na hora de premiar seus méritos técnicos, fazendo ouvidos moucos ao gosto do público ou mesmo da crítica.

A Academia tentou solucionar essa divisão entre os gostos dos acadêmicos e do público aumentando para 10 o número de indicados ao troféu de melhor filme. A decisão, tomada em 2009, foi uma resposta à ausência de Batman: O Cavaleiro das Trevas. Uma medida que abriu as portas à indicação (mas não à vitória) de filmes populares como Avatar, Perdido em Marte, A Origem e Mad Max: Estrada da Fúria. Mas, na última edição, a soma da bilheteria de todos os indicados mal chegava à arrecadação de uma das principais estreias do ano. Um reflexo, segundo a crítica, de que filmes como Lady Bird – A Hora de Voar e Me Chame Pelo Meu Nome são ótimos para desfrutar nos famosos screeners, vídeos que os acadêmicos recebem para assistir no conforto das suas casas. Mas não motivam praticamente ninguém a ir ao cinema.

“Escutamos quem fala em melhorias para manter a relevância do Oscar e da nossa academia em um mundo que está mudando”, disseram o presidente da instituição, John Bailey, e sua executiva-chefe, Dawn Hudson, numa carta conjunta dirigida aos membros com o anúncio da nova categoria. No mesmo comunicado, a direção da Academia salientou que a cerimônia continuará durando três horas, após as críticas recebidas pela última edição, em que o espetáculo se prolongou por quase quatro.

A 90ª edição do Oscar foi a menos vista na história dessa transmissão. Foi acompanhada por 26,5 milhões de telespectadores nos EUA, com uma queda de 19% em sua audiência.

Limite de tempo

Entretanto, esse limite de tempo se choca com o acréscimo de uma nova categoria. A Academia está cogitando entregar estatuetas menos populares fora da transmissão, durante os intervalos comerciais, oferecendo essa informação na Internet. Quem escolherá quais categorias ficarão de fora da transmissão é outro dos enigmas. Embora os atores formem o contingente mais numeroso entre os quase 7.000 integrantes da Academia, os diferentes grupos estão representados de maneira equitativa na direção da instituição. E os profissionais ligados às categorias técnicas costumam estar mais envolvidos no dia a dia da Academia que os atores, a face mais visível da organização.

Contudo, as críticas não tardaram a ser ouvidas. Para o crítico Steve Pond, a Academia põe a sua credibilidade em risco. “Assusta que pela primeira vez pareça disposta a considerar a popularidade como um critério de seleção após 90 anos falando de arte”, disse. Os membros também se deixaram ouvir, alguns do anonimato, criticando esse populismo que vai contra tudo o que eles sempre defenderam e que parece ter como prioridade uma boa transmissão televisiva, em vez de defender a excelência do cinema. E outros, como o diretor Jorge Gutiérrez, expressaram sua preocupação no Facebook. “Temo que os curtas de imagem real, documentário e animação ficarão de fora da cerimônia”, lamentou o realizador de O Livro da Vida. “Pessoalmente, acho que precisamos pensar numa cerimônia em streaming, ou não temos futuro.”

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