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Facebook elimina 32 páginas e perfis antes das eleições legislativas nos EUA

Rede social afirma que contas eram parte de esforço “coordenado” e encontra alguns paralelismos com a ingerência russa de 2016

Mark Zuckerberg Facebook
Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, em uma imagem de maio. AFP

O Facebook anunciou nesta terça-feira a eliminação de 32 páginas e perfis falsos na rede social e no Instagram, por serem parte de um esforço “coordenado” de difusão de desinformação em torno de assuntos políticos e sociais, a menos de quatro meses das eleições legislativas nos Estados Unidos. Na semana passada, no dia 25 de julho, a rede social retirou do ar no Brasil páginas e contas usadas por membros do grupo ativista de direita Movimento Brasil Livre (MBL), reprimindo o que chamou de "uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”. Essa exclusão é parte dos esforços para suprimir más práticas antes das eleições de outubro.

A empresa de Mark Zuckerberg informou que até agora não conseguiu determinar quem está por trás dessa operação nos EUA, nem se suas ações estavam voltadas contra políticos específicos, mas revelou que o padrão guarda alguns paralelismos com a atuação dos piratas informáticos russos que durante a campanha presidencial de 2016 criaram perfis falsos para tentar influenciar a opinião pública em prol do candidato republicano Donald Trump.

“Este tipo de comportamento não está permitido no Facebook, porque não queremos que pessoas ou organizações criem redes de contas para enganar os outros sobre quem são ou o que estão fazendo”, disse o grupo tecnológico em nota. Representantes do Facebook também relataram as descobertas a parlamentares durante uma reunião no Capitólio, em Washington. Antes haviam conversado com policiais e verificado suas conclusões com grupos de análise cibernética.

A rede social foi acusada de passividade diante dos esforços propagandísticos durante a campanha de 2016 nos EUA, que envolveu também o uso de informação privadas de usuários da rede com fins eleitorais por parte de consultorias políticas. Diante da avalanche de críticas e da ameaça de maior regulação, o gigante do Vale do Silício prometeu melhorar seus controles. “Enfrentamos adversários determinados e bem financiados que nunca se renderão e estão mudando constantemente de táticas. É uma corrida armamentista, e devemos melhorar constantemente também”, acrescentou a nota.

O anúncio do Facebook vem à tona uma semana depois da revelação do primeiro caso conhecido de tentativa de hackeamento durante a campanha para a eleição legislativa de 6 de novembro, em que os republicanos do Trump tentam manter o controle da Câmara de Representantes (deputados) e do Senado. A senadora democrata Claire McCaskill, candidata à reeleição pelo Missouri, sofreu um ataque cibernético fracassado por parte da mesma agência de espionagem militar russa que se infiltrou em 2016 no servidor do Partido Democrata e roubou 50.000 e-mails do chefe de campanha de Hillary Clinton. Paralelamente, a Microsoft anunciou ter detectado nas últimas semanas outras três tentativas de ataques a políticos.

Os serviços de inteligência norte-americanos acusam a Rússia de ter promovido em 2016 uma sofisticada estratégia de difusão de propaganda e de informação roubada dos democratas com o objetivo de ajudar a candidatura de Trump e prejudicar a de Clinton, além de criar divisões sociais e solapar a fé no processo democrático norte-americano. Moscou nega essa acusação. Trump tem se mostrado hesitante sobre a responsabilidade russa.

Na sexta-feira passada, o presidente realizou a primeira reunião da sua equipe de segurança sobre como prevenir tentativas de intromissão no pleito de novembro. Nas últimas semanas, o diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats, vem advertido para o perigo de uma nova ingerência.

O Facebook explicou que sua investigação interna está em uma “fase muito inicial”, mas que considerou necessário anunciar suas conclusões porque uma das páginas falsas, agora fechada, promovia uma contramanifestação a uma concentração de extrema direita convocada para a semana que vem em Washington.

Os promotores das páginas falsas, segundo o Facebook, tomaram muito mais precauções para ocultar suas “verdadeiras identidades” do que a Agência de Pesquisas da Internet (IRA, na sigla em inglês), organização criada por piratas russos que promoveu uma estrutura de informações falsas na rede social durante a etapa que antecedeu a eleição de 2016 nos EUA. Essas mensagens procuravam estimular tensões raciais, políticas e econômicas nos EUA. “Acreditam que isso pode se dever em parte às mudanças que fizemos no último ano para tornar muito mais difíceis abusos desse tipo”, alegou a empresa.

O Facebook identificou há duas semanas os primeiros dos 17 perfis e oito páginas falsas, assim como sete contas fraudulentas no Instagram. Foram criadas entre março de 2017 e maio deste ano. Uma das páginas era seguida por mais de 290.000 usuários reais, mas outras tinham entre zero e dez seguidores. Alguns dos títulos dos grupos falsos eram “Elevação negra” e “Resistentes”. Ao todo, as páginas haviam publicado 9.500 posts no Facebook e só um no Instagram. Tinham contratado 150 anúncios por um custo total de 11.000 dólares (41.260 reais), que pagaram em divisa norte-americana e canadense.

Embora o Facebook ainda não tenha podido identificar os autores, encontrou “algumas conexões” entre as contas desativadas agora e as criadas em 2016 pelos piratas informáticos russos. “Parte da atividade é consistente com o que vimos no passado na IRA, antes e depois das eleições de 2016”, informou. Mas há também diferenças notáveis. Não se detectou, por exemplo, o uso de endereços IP procedentes da Rússia.

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