Seleccione Edição
Login

Trump adverte o Irã: “Jamais volte a ameaçar os EUA, ou sofrerá as consequências”

Presidente iraniano afirmou que um conflito com o seu país seria “a mãe de todas as guerras”

Trump em 17 de julho. Em vídeo, declarações de Rohani.
Trump em 17 de julho. Em vídeo, declarações de Rohani. REUTERS

O presidente Donald Trump advertiu no domingo ao Irã para que deixe de ameaçar os Estados Unidos, sob pena de enfrentar consequências “que pouquíssimos sofreram ao longo da história”. Numa mensagem publicada em sua conta no Twitter, o inquilino da Casa Branca se dirigiu ao seu homólogo iraniano, Hasan Rohani: “Nunca, jamais, volte a ameaçar os Estados Unidos, ou sofrerá consequências que pouquíssimos sofreram ao longo da história”, disse Trump, num texto todo em maiúsculas. “Não somos mais um país que suporta suas palavras dementes de violência e morte. Tome cuidado!”, acrescentou.

O tuíte de Trump foi publicado pouco depois de Rohani aconselhar ao presidente norte-americano, também no domingo, a não mexer “com o rabo do leão”, pois um conflito com o Irã seria “a mãe de todas as guerras”. “Você nos declara a guerra e depois nos fala de sua vontade de apoiar o povo iraniano”, disse Rohani, dirigindo-se ao seu homólogo norte-americano, durante uma reunião de diplomatas iranianos transmitida pela televisão.

Rohani também observou que o Irã controla e poderia fechar o estreito de Ormuz, um ponto estratégico no golfo Pérsico, por onde passa 30% do petróleo transportado por via marítima no mundo. Nesta segunda-feira, o chefe da força militar iraniana Basij afirmou que “as declarações de Trump contra o Irã se enquadram numa guerra psicológica”, segundo a imprensa local. “Ele não está em posição de agir contra o Irã”, declarou o general Gholam Hosein Gheypur à agência de notícias ISNA.

A dura troca de palavras recorda as escaramuças verbais que Trump manteve no passado com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, num momento de tensão anterior ao histórico encontro dos dois governantes em Singapura, no mês passado. O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, não tardou a elogiar a “firme postura” de Trump contra o Irã. “Quero homenagear a firme posição expressa ontem [domingo] pelo presidente Trump e pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, contra a agressão do regime do Irã”, disse o premiê numa reunião do seu gabinete nesta segunda.

Em maio, Trump, anunciou que os EUA abandonariam o acordo internacional destinado a limitar o programa nuclear iraniano, que estava em vigor desde 2015, e reforçaria as sanções contra esse país. O histórico pacto de 2015 submetia o Irã a um rigoroso controle de suas atividades nucleares a fim de impedir o país de obter uma bomba atômica. Em troca, a comunidade internacional suspendeu suas sanções a Teerã, com a perspectiva de novos investimentos. Mas, após se desvincular do acordo nuclear, Washington procura agora aumentar a pressão sobre a República Islâmica.

Horas antes do tuíte de Trump, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, advertiu aos líderes iranianos sobre o risco de intensificação das sanções. “Não temos medo de confrontar o regime no seu mais alto nível”, disse Pompeo num discurso na Fundação Reagan, em referência às sanções já adotadas contra o chefe do Poder Judiciário do Irã, Sadeq Larijani. E anunciou: “Há mais [sanções] por vir”.

Sob fortes aplausos da plateia, Pompeo afirmou que Washington dará apoio aos opositores na República Islâmica. “O regime do Irã tem sido um pesadelo para o povo iraniano”, disparou, enquanto tachava os governantes persas de “máfia”, informa a Reuters. As autoridades de Teerã consideraram que as acusações de Pompeo são uma interferência nos seus assuntos internos.

MAIS INFORMAÇÕES