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‘La casa de papel’: “Precisávamos encontrar uma razão forte para que eles voltassem a roubar”

Criador da série da Netflix fala sobre a continuação feita por encomenda para a gigante do streaming

FOTO: Os protagonistas de 'A casa de papel', com Pedro Alonso abaixo à esquerda. / VÍDEO: Tráiler do último capítulo da série.
Natalia Marcos

Muito pouco se sabe ainda sobre a nova temporada de La Casa de Papel. A série, lançada pelo canal espanhol Antena 3, se tornou um fenômeno mundial quando passou a ser distribuída pela Netflix. Embora a história da invasão à Casa da Moeda já tenha terminado, o fato de ser a série em língua não inglesa mais assistida da plataforma levou à extensão dos episódios, neste caso sob o patrocínio da Netflix. A produção espanhola concorre no Festival de Televisão de Monte Carlo ao prêmio de melhor drama do ano contra séries como a francesa Glacé, a britânica Liar e a norte-americana The Good Fight.

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Nesta segunda-feira, La Casa de Papel foi uma das protagonistas do festival, primeiro em uma conferência de imprensa para a mídia de toda a Europa e, à tarde, em um encontro com os fãs. Pedro Alonso, Berlín na ficção, chega a Monte Carlo como estrela e com seu rosto nos cartazes que anunciam o evento nas ruas do principado. Fala de seu personagem como um "homem muito empático, com grande capacidade de ouvir, um homem que se preocupa com as pessoas à sua frente e que gera uma estranha inquietude." Questionado sobre seu possível retorno nos novos capítulos, o ator responde misterioso: "A experiência nas duas primeiras temporadas foi tão brutal que não posso pensar ainda o que seria estar nas próximas".

Saber que milhões de espectadores em todo mundo estarão ansiosos pelos novos episódios aumenta a pressão sobre os roteiristas. "Tomar a decisão de continuar foi realmente difícil", diz Álex Pina, criador da ficção. "A Netflix nos ligou com a proposta e dissemos que esperassem para ver se poderíamos pensar em como continuar. Dois meses depois, acreditávamos que tínhamos uma boa ideia, ligamos de volta e eles gostaram da ideia."

Esther Martínez Lobato, produtora e roteirista da série, explica que, para poder retomar a produção, era necessário "criar novos universos, porque o plano original tinha um fim, os personagens cresciam e chegavam a um lugar diferente da partida". "Além disso, agora são ricos, a desculpa de ser Robin Hood já não funciona. Precisávamos encontrar uma razão forte para que voltassem a roubar, algo emocional, e agora temos", acrescenta Pina.

Embora ainda não revelem os detalhes do argumento da próxima temporada e nem sequer confirmem quais atores estarão presentes, Pina diz que querem mergulhar na "fragmentação temporal. É algo que vamos trabalhar muito, ser muito livres com o tempo. Acho que podemos dar um passo a mais nesse sentido, é uma das novidades com que estamos trabalhando", diz o produtor, agora imerso na filmagem da série El Embarcadero, produção da Atresmedia Studios e Vancouver para o canal Movistar +.

O produtor afirma que viram o fenômeno global causado pela série com "muito humor". "A Netflix a lançou sem uma campanha promocional, não apostavam nela. Ficamos todos surpresos, as expectativas de que fosse um fenômeno eram zero." Em relação ao trabalho com a Netflix, Martínez Lobato destaca que possuem liberdade criativa. "Tivemos uma sorte fabulosa com as pessoas com as quais trabalhamos, encontramos pessoas que confiam muito em nós. Somos também nossos próprios carcereiros, passamos por muitos filtros e somos muito críticos. Antes que outro nos reprove, nós o fazemos.”

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