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China responde aos EUA com novos impostos a produtos agrícolas

"Todos os acordos anteriores feitos mediante negociação serão invalidados”, diz o Ministério do Comércio

Contêineres de transporte, no porto de Hong Kong.
Contêineres de transporte, no porto de Hong Kong. EFE

A China devolveu o golpe, como ameaçava. Após o novo anúncio dos Estados Unidos de impostos sobre produtos do país asiático, Pequim anunciou na sexta-feira medidas no mesmo valor. Taxas de 25% para 659 tipos de produtos norte-americanos, no valor de 50 bilhões de dólares (186 bilhões de reais). Os impostos serão aplicados de modo escalonado, mas o primeiro grande grupo, 545 produtos, começará a ser afetado em três semanas, em 6 de julho, de acordo com um comunicado do Ministério das Finanças.

Os primeiros produtos que serão afetados são as sementes de soja, o milho, o arroz, o trigo, o sorgo, carne bovina, de porco, frango, peixe, laticínios, frutas secas, verduras, os veículos e os produtos aquáticos, com um valor conjunto de 34 bilhões de dólares (126 bilhões de reais). A soja, particularmente, é o produto mais prejudicado: a China é o principal comprador dessa semente aos Estados Unidos, 12 bilhões de dólares (45 bilhões de reais) por ano.

O restante dos impostos entrará em vigor à medida que os Estados Unidos aplicarem os seus, e serão destinados a bens, principalmente, do setor energético: carvão, gás natural, petróleo cru.

“Todos os acordos anteriores feitos mediante negociação serão invalidados”, informou um comunicado do Ministério do Comércio. “A China não quer se ver envolvida em uma guerra comercial, mas à luz dos míopes atos do lado norte-americano... A China se vê forçada a adotar medidas firmes e decididas para responder”.

Se os Estados Unidos optaram por impor seus castigos sobre os setores das exportações que a China considera fundamentais, produtos tecnológicos que são a base do programa “Made in China 2025” com o qual Pequim quer se transformar em líder mundial da inovação até esse ano, o Governo do presidente Xi Jinping também se lançou sobre produtos essenciais à Administração dos EUA. Os agricultores do Meio Oeste e os trabalhadores da indústria automobilística representam alguns dos principais grupos da base do presidente Donald Trump.

Trump prometeu a seus eleitores que reduzirá o desequilíbrio comercial norte-americano, do qual a China é o maior responsável, 375 bilhões de dólares (1,4 trilhão de reais) de um total de 556 bilhões de dólares (2 trilhões de reais) no ano passado. No primeiro quadrimestre de 2018, o saldo a favor de Pequim foi de 119 bilhões de dólares (443 bilhões de reais).

A atual Casa Branca acusa a China de práticas comerciais injustas, incluindo a aquisição de propriedade intelectual e tecnológica norte-americana, que lhe permitiriam conquistar essa diferença. Particularmente, olha agora com suspeita o programa “Made in China 2025”, com que Pequim subsidia setores que considera estratégicos, como a robótica e a inteligência artificial, enquanto as empresas estrangeiras denunciam obstáculos para competir em condições de igualdade em território chinês.

A guerra está servida. Mas é possível que não fique nisso. Como diz a consultoria Oxford Economics, os novos impostos afetam somente 10% dos produtos chineses que entram nos Estados Unidos, mas 30% das exportações dos EUA ao gigante asiático. É provável, de acordo com a consultoria, que Washington “aumente a aposta rapidamente com impostos sobre 150 bilhões de dólares (560 bilhões de reais) em importações da China”, o equivalente a 30% do total comprado por esse país em 2017. O aumento das tensões “pode causar graves consequências nas duas economias”: se se chegar a esse extremo e Pequim devolver olho por olho, o impacto pode rondar de 0,3% a 0,4% de seu PIB. Um dano que, nos EUA, seria notado especialmente no setor agrícola e que na China impactaria especialmente o tecnológico.

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