Seleccione Edição
Login

Embarcação precária à deriva com 25 africanos é resgatada na costa brasileira

Imigrantes são do Senegal, Nigéria, Guiné, Serra Leoa e Cabo Verde. Dois brasileiros teriam atuado como "coiotes" e foram presos por tráfico internacional de pessoas

Embarcação com imigrantes do Senegal, Nigéria e Guiana foi resgatada à deriva na costa do Maranhão.
Embarcação com imigrantes do Senegal, Nigéria e Guiana foi resgatada à deriva na costa do Maranhão. Divulgação

Vinte e cinco africanos e dois brasileiros foram resgatados na noite deste sábado em alto mar por um barco pesqueiro cearense e levados para o cais de São José de Ribamar, no Maranhão. Os imigrantes são do Senegal, da Nigéria, da Guiné, de Serra Leoa e do Cabo Verde. São homens com idades entre 19 e 35 anos, que tentavam chegar ao Brasil para buscar trabalho e melhores condições de vida. Eles teriam ficado 35 dias à deriva no mar em uma embarcação precária.

De acordo com o secretário de Direitos Humanos do Maranhão, Francisco Gonçalves, os resgatados foram encaminhados para atendimento médico, a maioria com quadro de desidratação e pressão alta. "No governo do estado do Maranhão, a pedido do governo federal, nós estamos colaborando com as ações humanitárias, conforme prevê a legislação internacional, no que diz respeito à saúde, alimentação e abrigo, local para eles dormirem, até que a autoridade federal defina a situação deles no Brasil", diz o secretário.

Os dois brasileiros resgatados teriam agido como "coiotes" e foram presos em flagrante pela Polícia Federal e serão processados por transporte internacional ilegal de pessoas. O delegado da Polícia Federal Francisco Robério Chaves conta que o destino dos africanos seria a cidade de Natal (RN). De lá, eles seguiriam para o Rio de Janeiro e para São Paulo, em busca de emprego. "Eles vieram tentar a sorte, encontraram lá um intermediário e pagaram cerca de mil euros para fazer esse trajeto."

Os imigrantes estão em um abrigo em São Luís do Maranhão e tentam regularizar a entrada no país. Uma equipe multidisciplinar do Centro Estadual de Apoio às Vítimas presta apoio psicológico no local. A documentação e o pedido de refúgio serão analisados pelo Ministério da Justiça.

Resgate

A Marinha relatou, por meio de nota que, na manhã de sábado, tomou conhecimento de que uma embarcação estrangeira, supostamente de bandeira haitiana, estaria à deriva a 60 milhas náuticas (cerca de 110 km) de São José do Ribamar. O Comando Tático Aéreo da Polícia Militar realizou um sobrevoo na área, mas não encontrou a embarcação.

Na parte da tarde, um reboque saiu em busca do barco e seus tripulantes. Por volta das 19 horas, a Capitania dos Portos foi informada de que um pesqueiro, com registro no Ceará, tinha auxiliado os imigrantes do catamarã Rossana com alimentos e água e estava rebocando o barco. A embarcação foi levada para o cais de São José do Ribamar.

MAIS INFORMAÇÕES