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TRIBUNA

Por que é melhor usar o termo LGBTfobia no lugar de homofobia?

O Brasil é o país que mais mata LGBTs do mundo. Segundo um levantamento do Grupo Gay da Bahia, em 2017, foram 445 mortes de pessoas LGBTs

Dia Internacional contra a Homofobia
Protesto pela igualdade sexual nos EUA em 2016. getty image

Era aniversário da cidade. Festa na praça. Eu vi o pai dela de longe (ele me secava com se quisesse eliminar a minha existência). E em seguida, eu vi ela. E ela sorriu para mim. Virei para o lado e só senti as mãos do pai dela no meu pescoço. Com ajuda de amigos, consegui fazer com que ele soltasse do meu pescoço.

A marca dessa homofobia ficou no meu pescoço por quase uma semana e foi o tempo que eu também tive de dificuldades para respirar.

Esse fato aconteceu na minha vida há 10 anos (e parece que rolou há alguns minutos de tão viva que são as minhas memórias de tudo isso) me faz (re)lembrar como eu poderia ter sido vítima da homofobia.

E sim, hoje, eu seria, no máximo, a composição dos dados estatísticos de pessoas LGBTs mortas pelo preconceito pelo que você é e sente.

Além disso, hoje, é o "Dia Internacional da Homofobia", um dia para se pensar muitíssimo.

Primeiro pensar no próprio nome da data. Cada vez mais, as pessoas precisam analisar em como falamos para e sobre a comunidade LGBT+.

Se você fizer uma simples busca no Google sobre essa data para ter informações, irá se deparar com a seguinte denominação:

"The International Day Against Homophobia, Transphobia and Biphobia" (O Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia).

Vale lembrar que se levarmos ao pé da letra a palavra “homofobia” significa ódio contra gays e lésbicas.

Logo, se a data internacional já há as palavrinhas "transfobia" e "bifobia", ao dizer LGBTfobia, por que usamos só homofobia aqui, no Brasil?

Por que não usar LGBTfobia no lugar de homofobia?

Ou como é internacionalmente: Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia?

Por que estou apontando isso que, para você, até pode parecer "um mimimi"?

O Brasil é o país que mais mata LGBTs do mundo. Segundo um levantamento do Grupo Gay da Bahia, em 2017, foram 445 mortes de pessoas LGBTs. É um crescimento de 30% em relação a 2016.

E isso não inclui só a “homofobia”, mas sim a LGBTfobia. Ou seja, não foram só homossexuais que morrem - haviam pessoas trans e possivelmente bissexuais.

Essa mini reflexão que apresento nesse texto é para repensarmos o quanto estamos inviabilizando as algumas pessoas no mundo e viabilizando outras, principalmente quando falamos sobre a comunidade LGBT+.

É claro que estamos acostumados a falar “homofobia” e isso acaba englobando todos e todas. Porém precisamos começar a alterar a sigla, assim como alteramos GLS para LGBT.

Isso não é jogar a comunidade LGBT contra ela mesma, mas mostrar ao mundo que precisamos resolver vários problemas, inclusive o de violência contra cada minoria da sigla LGBT+.

Além disso, não queremos a exclusão de quem não é LGBT+, mas sim que encontramos nas nossas diferenças a nossa igualdade, que trabalhamos juntos e juntas para criar um mundo empático pelo o que as pessoas são e pelas suas diversidades.

Para começar esse movimento de mudança proponho nos respeitar. Que tal?

Sem agressões e brigas, com entendimento e escuta. Sem ataque e falta de educação, mas sim com amor.

É assim que acredito que você muda o seu mundo (convivendo com pessoas LGBTs) e o seu mundo interno (quebrando preconceitos inconscientes pingados pela nossa sociedade diariamente dentro de nós) e nos ajudando a diminuir o compartilhamento de ódio gratuito, que irá levar aos casos de LGBTfobia.

Logo, tudo se resume a:

Quando você quer se conscientizar para respeitar e entender a diversidade que há no mundo.

Maira Reis é jornalista LGBT+ e palestrante.

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