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A tábua de salvação de Wenger

Arsenal se agarra à Liga Europa para não passar vexame na temporada, mas enfrenta um Milan motivado no San Siro, onde o técnico Gattuso ordena: “Quero 11 jogadores envenenados”

Milan Arsenal Wenger
Arsène Wenger antes do jogo do fim de semana passado em Brighton. AP

Dez dos 16 times que entram em campo nesta quinta-feira pelas oitavas de final da Liga Europa não ocupam atualmente a zona de classificação para a próxima edição da Champions League em seus respectivos torneios nacionais. Entre eles estão Milan e Arsenal, dois gigantes que se cruzam no San Siro, às 15h (horário de Brasília), e dentro de uma semana no Emirates Stadium, em Londres. Dois grandes com históricos diferentes. Só Real Madrid e Barcelona ergueram mais troféus europeus que o Milan, que já soma 22, mas que no século atual conquistou apenas três, e só ganhou dois Campeonatos Italianos. O Arsenal é um pária na lista de campeões continentais, com apenas uma Copa das Feiras, que data de 1970, e a Recopa de 1994 conquistada em Parma. Mas virou uma potência após participar de 19 Champions consecutivas e superar a fase de grupos nas últimas 17 edições. Até que, no ano passado, ficou abaixo da quarta colocação na Premier League inglesa. Desde 1996 isso não acontecia. Logo antes de Arsène Wenger chegar ao clube.

O Arsenal parecia ter chegado ao fundo do poço no final de 2017, mas ganhou a Copa da Inglaterra. Wenger renovou seu contrato por dois anos para garantir sua continuidade como técnico até poucos meses antes de se tornar septuagenário, e promoveu uma renovação que não passou de maquiagem e reforçou sua fama de gestor nada desprendido. Vendeu a bom preço reservas como Oxlade-Chamberlain, Giroud, Walcott, Coquelin, Gabriel Paulista e Szczesny e trocou Alexis Sánchez por Mhkitaryan. Com o valor arrecadado, incorporou Aubameyang e Lacazette. Nenhum dos dois poderá jogar contra o Milan, numa partida à qual Wenger chega em pior situação que nunca: a torcida clama contra ele e começou inclusive a desertar do estádio; em 2018 seu time fez 13 jogos e perdeu oito. Nesse período, caiu eliminado na Copa inglesa diante de um rival de categoria inferior, o Nottingham Forest, que é apenas sexto colocado na Premier League, a 13 pontos da zona de classificação para a Champions, e perdeu a final da Copa da Liga contra o Manchester City. “Um terremoto!”, surpreendeu-se Wenger diante das críticas. “Quer dizer que acostumamos as pessoas a jogarmos em Wembley”, completou, já na defensiva.

O Arsenal chega a março agarrado à Liga Europa como uma tábua de salvação, após perder quatro jogos seguidos. Algo assim não ocorria há 17 anos. Contra o Brighton, no fim de semana passado, com a torcida já em pé de guerra, Wenger poupou peças como Ramsey e Bellerín. Há pouco menos de um mês, não priorizava a Liga Europa – uma segunda divisão continental – em detrimento da Premier League, mas hoje já não diz mais o mesmo. Um fiasco contra o Milan o deixaria numa posição muito delicada, talvez não para uma demissão imediata, mas para uma rescisão de seu contrato no meio do ano, com Carlo Ancelotti e Thierry Henry despontando como alternativas.

Torcedores do Arsenal pedem a demissão de Wenger no jogo contra o Brighton.
Torcedores do Arsenal pedem a demissão de Wenger no jogo contra o Brighton. AFP

“Estão em apuros, mas são mais fortes do que nós”, esquiva-se Gennaro Gattuso, do Milan. Como treinador, ele é ainda mais Gattuso do que foi como jogador. Chegou à equipe na última semana de novembro. Em seu primeiro jogo, empatou com o Benevento, que não tinha pontuado, e marcou um gol nos acréscimos com uma finalização do seu goleiro. Perdeu três dos cinco jogos seguintes, cancelou o jantar natalino da equipe e decretou um regime de concentração indefinido que durou seis dias, até poucas horas antes da véspera de Natal. Então, em 27 de dezembro, o Milan ganhou da Inter pela Copa da Itália, e agora já soma 13 jogos invicto, com apenas três empates. “Ele mudou a cara do time, deu-lhe uma identidade, um sentido de pertencimento”, avalia seu ex-colega Andriy Shevchenko. O Milan percorre no torneio nacional um caminho inverso ao do Arsenal. Chegou a estar a 15 pontos da quarta posição, e agora está a apenas oito, com um jogo a menos. O San Siro se encherá como nas melhores noites das competições europeias, atendendo ao chamado incendiário de Gattuso: “Quero 11 jogadores envenenados”.

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