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Quanto custou ir à Lua? E quanto custaria voltar?

Orçamentos recentes da NASA são pífios em comparação aos da época da exploração do satélite.

Países sul-americanos poderão ver, nesta quinta-feira, um eclipse solar parcial de até 60% de bloqueio

O astronauta Buzz Aldrin saúda a bandeira dos EUA na superfície lunar, em 20 de julho de 1969
O astronauta Buzz Aldrin saúda a bandeira dos EUA na superfície lunar, em 20 de julho de 1969 AFP

“Se pudermos chegar à Lua antes que os russos, então devemos chegar.” Foi com o orgulho ferido que o então presidente dos EUA, John F. Kennedy, pronunciou essa frase em 21 de abril de 1961: apenas nove dias antes, a URSS havia lançado pela primeira vez um ser humano ao espaço, Yuri Gagarin. A disputa pela supremacia durante a Guerra Fria foi o melhor incentivo para Washington, até que aquele sonho se realizou em 20 de julho de 1969, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na Lua. Depois disso, e até dezembro de 1972, outros 11 astronautas norte-americanos caminharam sobre a superfície lunar.

Por trás desse sucesso havia um enorme investimento de recursos e um sem-fim de fracassos e incertezas. O feito fez o orgulho patriótico disparar e se misturou com a ideia do excepcionalismo norte-americano. Foi usado para defender o modelo capitalista frente ao comunismo, como inspiração para os desafios políticos, e propiciou avanços científicos. Mas também causou desilusões e até mesmo certa apatia dos cidadãos, em plena ebulição social nos EUA dos anos sessenta e setenta.

“Só o canal do Panamá se assemelha em tamanho ao programa Apollo como o maior esforço tecnológico não militar já realizado pelos EUA”

No 45º aniversário daquela última missão lunar, o presidente Donald Trump reavivou em dezembro o sonho do programa Apollo. Anunciou o objetivo de enviar novamente astronautas ao satélite natural da Terra, e depois a Marte. Apresentou poucos detalhes sobre financiamento e prazos, limitando-se a defender a cooperação com o crescente setor aeroespacial privado. Apesar disso, o orçamento da NASA para 2019, anunciado na segunda-feira, inclui um modesto aumento de recursos para a agência espacial, insuficientes para encarar uma nova missão lunar. A previsão orçamentária dos próximos anos tampouco inclui uma dotação extraordinária que torne factível voltar à Lua.

Entre 1959 e 1973, a NASA destinou 23,6 bilhões de dólares para a exploração da Lua, sem incluir o gasto com infraestrutura. Essa cifra, segundo o valor do dólar de 1973 e levando em conta a inflação, equivale a 131,75 bilhões de dólares atuais (425,2 bilhões de reais, pouco mais de 7% do PIB brasileiro). A maioria desses vultosos recursos foi destinada ao programa Apollo. “Só o canal do Panamá se assemelha em tamanho ao programa Apollo como o maior esforço tecnológico não militar já realizado pelos EUA”, escreve a NASA em uma análise histórica.

A ambição espacial levou o orçamento da agência a disparar desde 1960. Em 1965 alcançou seu recorde: 5,2 bilhões de dólares, ou 5,3% do gasto do Governo norte-americano, hoje equivalentes a 40,92 bilhões (132 bilhões de reais).

Inicialmente, Kennedy era reticente a esse aumento orçamentário e apostava numa corrida espacial mais gradual. Destacados especialistas, incluído Keith Glennan, administrador da NASA entre 1958 e 1961, acreditam que o presidente mudou de opinião depois da missão de Gagarin e da fracassada invasão de Cuba em 1961.

Só 0,45%

Os orçamentos recentes da agência são pífios em comparação aos daquela época. Para 2019, a Casa Branca propôs ao Congresso uma dotação de 19,9 bilhões de dólares, 400 milhões a mais do que neste ano, ou 0,45% do orçamento total do Governo. Desde seu pico nos anos sessenta, a agência espacial sofreu uma contínua perda de recursos, com altas pontuais. A NASA estimou em 2005 que o custo de uma nova missão lunar rondaria os 104 bilhões (335,5 bilhões de reais, pelo câmbio atual).

A falta de vontade política, os cortes e problemas técnicos impediram o retorno. Em 2004, o presidente George W. Bush defendeu missões tripuladas entre 2015 e 2020. Mas em 2010 seu sucessor, Barack Obama, cancelou esse programa e ordenou que todos os esforços fossem voltados a mandar um homem a Marte, algo que esperava que ocorresse antes de 2030. Trump voltou a alterar as prioridades.

Os detratores das novas missões citam seu custo como principal argumento. Outros opinam o contrário. “Explorar o espaço é um ótimo investimento”, escrevia Wallace Fowler, professor da Universidade do Texas, em 2014. Esse engenheiro calcula que cada dólar investido no programa espacial gera um impacto de 8 a 10 dólares. E a corrida lunar contribuiu para avanços em informática, medicina, desenho de materiais e análise climatológica.

Quando se chegou à Lua, entretanto, a percepção não foi tão positiva. Em seu livro No Requiem for the Space Age, o historiador Matthew D. Tribbe contraria a forma idealizada pela qual esse feito é lembrado atualmente. Em 1970, um ano depois da missão de Armstrong, a maioria de norte-americanos não recordava o nome dele, e o país vivia um aumento do neorromantismo crítico com o papel da ciência e da tecnologia, num período marcado pela tensão racial, o pacifismo e a contracultura. “A NASA pode ter sido inofensiva, mas teve a má sorte de se promover como o próximo passo lógico no progresso, num momento em que o próprio significado de ‘progresso’ estava imerso em polêmica”, escreve.

 

 

Eclipse desta quinta-feira

Nesta quinta-feira, 15 de fevereiro, Chile, Argentina, Uruguai, parte do Brasil e da Antártida testemunharão um eclipse solar parcial, que durará quase quatro horas.

Os observadores poderão ver até 60% do Sol bloqueado pela sombra da Lua. Quanto mais o sul se estiver, maior quantidade de Sol se poderá ver bloqueada. Por exemplo, enquanto em Buenos Aires só se poderá ver 17% ofuscados, na parte mais ao sul do país a porcentagem aumentará para 40%.

O fenômeno terá início às 18.55 UTC (16h55, no horário de Brasília), atingirá seu ponto máximo às 20.50 UTC (18h50 de Brasília) e terminará às 22.47 UTC (20h47 de Brasília).

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