Cavani expõe problemas com Neymar e medos do PSG

Punido por voltar tarde das férias, o goleador se sente discriminado em relação a Neymar, e Emery denuncia uma campanha espanhola de “desestabilização”

Di María, Alves, Mbappé e Cavani comemoram o 1 a 0 em Nantes.
Di María, Alves, Mbappé e Cavani comemoram o 1 a 0 em Nantes.David Vincent (AP)
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Os dirigentes do Paris Saint-Germain estão convencidos de que existe uma campanha orquestrada na Espanha para “desestabilizar” seu clube. Fontes da instituição presidida por Nasser Al-Khelaifi apontam algo parecido com uma pinça cujas pontas são Javier Tebas, presidente da Liga, e Florentino Pérez, presidente do Real Madrid. Dois poderosos com influência na UEFA para exigir sanções por descumprimento do fair play financeiro e divulgar informação potencialmente destrutiva no vestiário parisiense. Notícias como a fornecida por um intermediário a este jornal, indicando que o PSG teria enviado em outubro passado um agente para oferecer Edinson Cavani ao Real Madrid, foram categoricamente desmentidas pela diretoria do clube francês. A julgar pelos acontecimentos em Paris, no entanto, os boatos parecem verossímeis.

Cavani e Pastore voltaram dois dias mais tarde das férias de Natal alegando “motivos pessoais” e Unai Emery, o treinador, deixou-os de fora das duas últimas convocatórias, na Copa e na Copa da Liga, além de impor a eles uma multa financeira. Cavani foi reinscrito para jogar em Nantes no domingo pela Liga francesa. Mas os efeitos de sua marginalização são imprevisíveis.

O vestiário do PSG tem três líderes principais: Thiago Motta, Thiago Silva e Cavani. Motta, perto de sair, está se encaminhando para a secretaria técnica e procura evitar tomar partido; o capitão Thiago Silva, famoso depois do 6-1 no Camp Nou, fortaleceu-se no grupo brasileiro, onde Daniel Alves, Neymar e Marquinhos ficam sob a aba de Emery; e Cavani conta com o apoio majoritário do restante do time e é o ídolo da torcida. Endossam-no seu altruísmo e seu recorde de goleador. Aos 30 anos, está prestes a igualar os 156 gols de Ibrahimovic como o maior artilheiro da história do PSG.

O atraso de Cavani e sua subsequente penalização expôs o racha entre as facções, como informam o Le Parisien e o L’Equipe. O uruguaio se sente incomodado, especialmente com Emery que, segundo os jornais franceses, nunca lhe comunicou a punição nem formal e nem pessoalmente.

As declarações de Thiago Silva chamando a atenção de Cavani em público revelaram falta de sintonia. “Vivemos um momento muito importante para o clube”, disse Silva, “e devemos estar unidos. Cavani e Pastore fizeram coisas que não são boas nem para o grupo nem para o clube. Devemos refletir antes de fazer essas coisas, mas estamos do seu lado”.

Silva foi o encarregado pelo clube de transmitir a Cavani que Neymar cobraria os pênaltis, depois de ambos os atacantes brigarem para batê-los em setembro. O conflito obrigou todas as partes, do vestiário à diretoria, a tomar partido. Desde então, os diversos setores do PSG redobraram esforços para estabelecer um bom ambiente de trabalho dentro do time. Com maior ou menor sucesso. Agora Cavani se sente discriminado. Acredita que havia mais motivos para punir a indisciplina de Neymar, mas ele é que foi penalizado.

As tensões afloram de vez em quando no PSG, consequência natural da superpopulação de celebridades. O clube nem sempre consegue administrar o ruído sem multiplicá-lo. Perguntado pelo último atrito entre Cavani e Silva, Emery denunciou na sexta-feira um inimigo externo apontando o jornal Marca como veículo de um poder desestabilizador: “O grupo é forte e está muito concentrado em preparar o jogo com o Real Madrid [na Champions]”, disse o técnico. “Os jogadores são inteligentes, o clube tem mais experiência e eu também, e sei que no exterior pode haver alguém com interesses contra nós, que pode nos desestabilizar. Por exemplo hoje, o maior jornal esportivo da Espanha diz que Neymar vai para o Madrid”.

Unai Emery multiplica o estrondo. Edinson Cavani, por enquanto, se mantém em silêncio.

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