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Bolt quer levar seu show ao futebol

O jamaicano, homem mais rápido do mundo, treinará com o Borussia Dortmund e sonha com o Manchester United

Bolt, durante um jogo beneficente em 2014.
Bolt, durante um jogo beneficente em 2014. Cordon

O homem mais rápido da Terra procura outro desafio. E não é nada modesto. Usain Bolt, 31 anos, 195 centímetros de fibra e músculo, 9,58 segundos nos 100 metros rasos, a exibição de potência mais impressionante jamais registrada pelo homem, continua tendo fome. De show? De fama? De verdade?

“Se o Borussia Dortmund diz que sou suficientemente bom, então vou me dedicar ao futebol, e treinarei pesado”, afirmou, na terça-feira, em uma entrevista ao jornal inglês Daily Express, na qual anunciou que começará a treinar com a equipe alemã em março. Mas sua ambição não é triunfar vestido de amarelo. “Falei com [o ex-técnico do Manchester United] Alex Ferguson, e ele me disse que se eu ficar em forma, ele vai ver o que pode fazer”, declarou. Esta é a verdadeira aspiração de Bolt, um “red devil” assumido e amigo pessoal do homem que foi o treinador do time por 27 anos (1986-2013): conquistar Old Trafford com a camisa vermelha que já foi de astros do gramado como David Beckham, Wayne Rooney e Cristiano Ronaldo. Mas então por que treinar na Alemanha, com o Dortmund?

Bolt, o raio, com seu sorriso, seu jeito de adolescente e os braços que apontam para o infinito, continua sendo o maior garoto-propaganda da Puma desde que assinou seu contrato com a marca alemã, quando tinha apenas 15 anos. Entre 2002 e 2013 obteve três renovações com remuneração cada vez maior. Se antes recebia 3 milhões de euros por ano, passou a 9 milhões, depois a 10 milhões, além de um bônus de 4 milhões de euros por ano a partir de sua saída das pistas. Gatorade, Visa, Virgin Media, All Nippon Airways, PokerStars... Todas elas enchem seu bolso com outros 30 milhões de euros em publicidade, que se somam à conta final de um homem-marca que ocupa o 32o lugar na lista entre os mais bem pagos do mundo.

A Puma entrou na Bundesliga e se tornou o patrocinador oficial do Borussia Dortmund na temporada 2012-2013. A marca esportiva assinou um contrato por oito temporadas, no valor de 50 milhões de euros. E a nova ideia de marketing da empresa, que faz parte do grupo Kering, avaliada em 21,5 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes, é que Bolt ajude a impulsionar a linha de negócios de futebol, tendo conquistado o trono do atletismo – esporte do qual se aposentou depois do Mundial de agosto de 2017. “Acredito que tenho possibilidades. Assisto muito futebol, entendo o esporte, jogo, e com treino acho que posso ser um bom jogador”, afirma o jamaicano.

Para obter a melhor marca da história nos 100m e nos 200m rasos no Mundial de Berlim, em 2009, Bolt, dono de 11 títulos mundiais e oito medalhas de ouro olímpicas, alcançou um pico de velocidade de 37,5 km/h. Segundo um estudo realizado pelo Pachuca, do México, o jogador mais veloz do momento é o galês Gareth Bale, com uma marca de 36,9 km/h. “Acho que eu poderia ganhar do Cristiano Ronaldo com ou sem bola”, brincou Bolt, em 2009. O craque português é o sétimo no ranking de velocidade, com 33,6 km/h.

Não há precedentes semelhantes à mudança de modalidade que Bolt planeja. A troca mais parecida ocorreu quando Michael Jordan decidiu se afastar do basquete para se dedicar ao beisebol, em 1993. Depois de 17 partidas com o Chicago White Sox, voltou às quadras com o Bulls. Jogadores como Gabriel Batistuta e Andriy Shevchenko, dois atacantes que depois se dedicaram ao golfe, ou tenistas como Nalbandian, há cinco anos piloto de ralis, advertem sobre a dificuldade que atletas de elite têm de se afastar das sensações de competitividade encontradas durante suas trajetórias esportivas.

“Estou nervoso, e não costumo ficar nervoso. Mas isso é diferente. É futebol. Foi assim também quando comecei no atletismo, até que me acostumei com a multidão e com as pessoas que estavam ao meu redor. No fim tudo se encaixa”, confessa o jamaicano.

Canhoto, de altura imponente e com vocação ofensiva. Assim é o Bolt dos gramados, de acordo com suas várias aparições nos campos, quase todas em torneios beneficentes. Um aspirante que pretende se lançar na elite do esporte aos 31 anos porque ele, sim, pode garantir que corre mais do que ninguém. Apesar da possibilidade de que suas brincadeiras sejam ainda mais rápidas do que ele.

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