Manuel Polanco é o novo presidente do PRISA

Juan Luis Cebrián continuará na presidência do EL PAÍS e do Comitê Editorial do grupo

Juan Luis Cebrián (à esquerda) e Manuel Polanco depois do conselho de administração do PRISA.
Juan Luis Cebrián (à esquerda) e Manuel Polanco depois do conselho de administração do PRISA.SAMUEL SÁNCHEZ

Manuel Polanco substituirá Juan Luis Cebrián na presidência do PRISA (grupo que publica o EL PAÍS), de acordo com o Plano de Sucessão lançado no início de outubro pelo atual presidente. Ele permanecerá durante os próximos anos como presidente do EL PAÍS e do Comitê Editorial do grupo. A proposta de nomeação de Polanco –até agora vice-presidente do PRISA– para o novo cargo foi anunciada pelo presidente cessante na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 15 de novembro e foi aprovado na terça-feira pelo conselho de administração. A substituição valerá em 1º de janeiro.

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A sucessão na presidência do PRISA culmina uma ampla reorganização na alta direção da empresa, que foi levada a cabo em 2017. Desde setembro o grupo tem Manuel Mirat como novo diretor-geral, Xavier Pujol como novo secretário-geral e Guillermo de Juanes como novo diretor financeiro. Cinco novos conselheiros passaram a integrar o conselho depois da Assembleia Geral do grupo realizada há um mês. Polanco lidará principalmente com a governança corporativa e as relações com os acionistas e Mirat liderará o negócio da empresa como primeiro executivo do PRISA.

Juan Luis Cebrián fez parte da equipe que fundou o grupo. Foi diretor fundador do El PAÍS e desde 1988 assumiu as responsabilidades como primeiro executivo e diretor-geral a pedido do fundador do PRISA, Jesús Polanco. Ambos conceberam conjuntamente a estratégia e tomaram as principais decisões que fizeram do PRISA a principal empresa global de informação e educação em espanhol e português. Cebrián desenvolveu um projeto empresarial ibero-americano seguindo os passos de Jesús Polanco com a Santillana, empresa que se juntou ao círculo do PRISA pouco antes do lançamento de suas ações na Bolsa. Hoje o PRISA tem o primeiro jornal global em espanhol, líder de mercado tanto no formato digital quanto na versão em papel, a primeira editora de educação (K12) em todos os países Ibero-americanos, e as rádios líderes de informação e música do mundo em espanhol.

As operações recentemente anunciadas de aumento de capital de um valor de 550 milhões de euros (cerca de 2,14 bilhões de reais), a venda da Media Capital (a primeira rede de TV de Portugal) e o refinanciamento da dívida significarão a definitiva estabilidade financeira do PRISA e sua sustentabilidade e crescimento no longo prazo, o que permitiu a decisão da mudança na presidência, como já fora anunciado por Juan Luis Cebrián.

O conselho aprovou na terça-feira a mudança na presidência a partir de 1º de janeiro de 2018

Na Assembleia Geral realizada em 15 de novembro, o agora presidente cessante também comunicou aos acionistas que faria uma proposta para criar a Fundação EL PAÍS para ajudar a garantir a independência editorial do jornal e dos outros veículos do PRISA. O conselho aprovou na terça-feira a criação de um grupo de trabalho que em janeiro apresentará uma proposta a esse respeito para aprovação.

No conselho de administração do PRISA realizado na terça-feira, o último presidido por Cebrián, o presidente cessante pronunciou algumas palavras de despedida em que destacou que desde a assinatura do primeiro contrato com Jesús Polanco, no Natal de 1975, para ser diretor do EL PAÍS, trabalhou para o crescimento do grupo, sua expansão geográfica e sua diversificação na direção do mundo audiovisual, mesmo em circunstâncias muito difíceis, como a crise financeira internacional.

Com sua substituição por Manuel Polanco à frente do grupo, Cebrián disse que sua permanência como presidente do EL PAÍS e do Comitê Editorial do PRISA se deve à preocupação de acionistas, conselheiros e profissionais dos veículos do grupo de que a identidade da empresa, sua independência, credibilidade e seus padrões de qualidade não sejam afetados em um momento em que a transformação digital está afetando seriamente o modelo de negócio tradicional.

Trajetória de Manuel Polanco

Depois de sua nomeação, Manuel Polanco, filho do fundador Jesús Polanco, declarou: "Liderar esta fase do PRISA é um desafio pessoal e profissional apaixonante. É uma empresa que conheço e admiro desde sempre porque desenvolvi toda a minha carreira nela, com marcas líderes de prestígio internacional e de público global com enorme potencial de crescimento. Estou certo de que seu futuro estará à altura de sua relevância institucional. Suceder Juan Luis Cebrián também é um desafio e ao mesmo tempo uma honra, e continuar o legado do meu pai é um motivo de especial exigência, motivação e um grande orgulho para mim".

Polanco: "Liderar esta fase do PRISA é um desafio pessoal e profissional"

Manuel Polanco (Madrid, 1961) é formado em Ciências Econômicas e Empresariais pela Universidade Autônoma de Madri e tem um profundo conhecimento do PRISA, onde desenvolveu toda a carreira profissional. Começou sua trajetória na América Latina, devido à importância que o conhecimento e a compreensão da região sempre tiveram no desenvolvimento do grupo.

Entre 1991 e 1993 foi responsável pela administração da Santillana no Chile e no Peru. Pouco depois, foi diretor-geral do jornal mexicano La Prensa e participou do lançamento da edição americana do EL PAÍS na Cidade do México, o primeiro jornal espanhol a ser publicado simultaneamente nos dois países e que desde então se tornou uma referência clara em termos de informação internacional na América Latina. Em 1996, assumiu em Miami a direção internacional da Santillana nas Américas, quando apoiou a criação das últimas santillanas na região e fortaleceu a coordenação entre as sedes dos diferentes países.

De volta à Espanha em 1999, passou a presidir a área comercial de todo o grupo por meio da Gerência de Veículos (GDM) e um ano depois foi nomeado presidente de Gestão de Veículos Impressos (GMI), que reunia os jornais Cinco Días e AS, as revistas e os novos investimentos em imprensa regional. Em 2005, e depois da aquisição da Media Capital pelo PRISA, tornou-se diretor-geral da primeira empresa de televisão e produção audiovisual em Portugal, abrindo uma fase de impulso na expansão internacional em outros mercados de língua portuguesa e consolidando a liderança do grupo português tanto na televisão, com a TVI, quanto na produção audiovisual para televisão através da Plural.

Em 2009, voltou para a Espanha como diretor-geral de negócios do PRISA e nos últimos anos presidiu a área de televisão do grupo, incluindo o Canal + até sua venda à Telefónica, em 2015, bem como o lançamento da nova divisão de produção e vídeo do PRISA, enquanto exercia a vice-presidência do grupo. Polanco é membro do conselho do PRISA desde 2001 e membro do comitê executivo desde 2008.