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OEA pede novas eleições em Honduras enquanto órgão eleitoral declara vitória do atual presidente

Secretário-geral da OEA declara que, mesmo após um exame das irregularidades, é impossível ter certeza do resultado

Presidente do STE anuncia a vitória de Hernández.
Presidente do STE anuncia a vitória de Hernández. EFE

O Supremo Tribunal Eleitoral (STE) de Honduras anunciou no domingo a vitória definitiva do atual presidente Juan Orlando Hernández, que permanecerá no cargo por mais quatro anos. O anúncio, no entanto, desconsidera o pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA), que recomendou a realização de novas eleições em vista das “sérias dúvidas” geradas pelo processo e da “falta de certeza” em relação aos resultados anunciados, escreveu no Twitter o secretário-geral Luis Almagro.

Segundo dados oficiais, Hernández obteve 42,9% dos votos e Salvador Nasralla 41,4%. O candidato do Partido Liberal, Luis Zelaya, obteve 14,7% dos votos. “Portanto, o presidente da República para os próximos quatro anos é o cidadão Juan Orlando Hernández”, anunciou o presidente do órgão eleitoral, David Matamoros, antes de ouvir as conclusões da missão de observadores da OEA que punham em dúvida esses dados.

Depois da primeira apuração que deu a vitória ao candidato do Partido Nacional, o STE se comprometeu a contar 25% dos votos devido às irregularidades denunciadas “antes, durante e depois” das eleições, segundo a OEA e a União Europeia.

Depois de vários dias revisando as 4.753 seções eleitorais, a diferença entre Juan Orlando Hernández e Salvador Nasralla caiu para 50.400 votos, segundo dados oficiais. Concluída a nova apuração, o candidato conservador do Partido Nacional venceu com 50,11% (424.363 votos) contra 31,74% (267.109 votos) do apresentador de televisão. De acordo com o STE, essa contagem teria sido realizada na presença da comunidade internacional e membros da sociedade civil, que avalizaram a transparência do processo.

“Cumprimos nosso mandato”, disse o presidente do STE David Matamoros, ao anunciar os resultados. Durante a entrevista coletiva para anunciar que Juan Orlando continuará no poder, Matamoros declarou que a apuração foi feita de forma transparente para satisfazer as demandas dos observadores internacionais. “Todas as solicitações foram atendidas e esperamos que seja reconhecido o esforço do Tribunal para a transparência dos resultados”, disse Matamoros.

Os dados eram esperados desde 26 de novembro, quando foram realizadas as eleições presidenciais.

O anúncio não soluciona a crise em que o país está mergulhado. A oposição rechaçou os resultados argumentando que a revisão não foi feita de acordo com os padrões solicitados. A OEA recomendou, por meio do secretário-geral Luis Almagro, “a realização de novas eleições” ante a “impossibilidade de certeza” quanto aos resultados e em favor da paz e da concórdia em Honduras. Almagro escreveu que, apesar da recontagem, “persistem sérias dúvidas sobre os resultados”. “A falta de certeza me leva a solicitar que não sejam feitos pronunciamentos irresponsáveis antes dos relatórios definitivos da MOE (Missão de Observação Eleitoral) da OEA em Honduras”, disse Almagro.

Na sexta-feira, houve dezenas de cortes simultâneos em todo o país, em protesto contra o que a oposição considera uma “fraude” eleitoral.

Em resposta à proclamação, Nasralla anunciou que irá aos Estados Unidos para se reunir com a OEA, “representantes do Departamento de Estado (dos EUA) e organizações de direitos humanos”. “Procuraremos encontrar uma resposta internacional que ajude a se fazer respeitar a vontade do povo hondurenho e pôr fim à crise atual após a descomunal fraude eleitoral”, disse ao jornal local El Tiempo.

Paralelamente, Manuel Zelaya, aliado político de Nasralla, anunciou novos protestos e mobilizações no país a partir de segunda-feira.

A notícia da proclamação de Juan Orlando chega no momento mais triste para ele no âmbito pessoal. No sábado, sua irmã e assessora de campanha, Hilda Hernández, faleceu em um acidente com o helicóptero em que viajava com mais cinco pessoas.

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