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Um gafanhoto esteve incrustado mais de um século em um Van Gogh

O inseto acabou dentro de 'As Oliveiras' enquanto o artista pintava ao ar livre

Van Gogh
'As Oliveiras', quadro do Van Gogh AP

Os restos de um gafanhoto com mais de um século foram encontrados na espessa pintura As Oliveiras, de Vincent van Gogh. Uma conservadora do Museu de Arte Nelson-Atkins, na cidade de Kansas, nos Estados Unidos, onde a obra está exposta, descobriu o inseto enquanto trabalhava numa pesquisa sobre a tela.

Segundo um comunicado dessa pinacoteca, o achado é apenas um dos resultados emocionantes que surgiram quando o estudo científico e a investigação histórica da arte se combinaram no museu para compreender melhor o processo do artista holandês.

As Oliveiras é uma pintura muito querida no Nelson-Atkins e este estudo científico não faz mais do que aumentar nossa compreensão de sua riqueza”, afirmou o diretor do museu, Julián Zugazagoitia. “Van Gogh trabalhou ao ar livre, e sabemos que ele, como outros artistas plein air, lidou com o vento e o pó, a grama e as árvores, e as moscas e os gafanhotos.”

O inseto estava no primeiro plano inferior da paisagem, mas os visitantes não podem vê-lo em uma observação casual. “Não é incomum encontrar insetos ou material vegetal em uma pintura concluída ao ar livre”, diz Schafer, que afirma que neste caso os conservadores tinham “curiosidade em saber se o gafanhoto poderia servir para se identificar o período específico em que esse trabalho foi pintado”.

A equipe entrou em contato com o paleoentomologista Michael S. Engel, professor da Universidade de Kansas, para seu estudo posterior. Engel observou que faltavam o tórax e o abdômen do gafanhoto e que não se via nenhum sinal de movimento na pintura circundante. Isso indica que o inseto estava morto antes de aterrissar na tela de Van Gogh. O gafanhoto não pode servir para uma datação mais precisa da pintura.

Van Gogh descreveu sua prática de pintura ao ar livre e os desafios em uma carta de 1885 a seu irmão, Theo: “Basta sentar-se ao ar livre, pintando no mesmo lugar! Logo acontece todo tipo de coisas, como as seguintes: devo ter recolhido uma boa centena de moscas e mais nas quatro telas que receberás, sem mencionar o pó e a areia. Quando a gente os transporta através dos arbustos e através das sebes por algumas horas, os ramos os cruzam e arranham”.

Imagem do gafanhoto achado na obra
Imagem do gafanhoto achado na obra AP

Embora o gafanhoto se torne um tema interessante para os visitantes do museu, está sendo realizada uma investigação mais significativa sobre As Oliveiras. A análise do assessor científico da Mellon, John Twilley, confirma que Van Gogh utilizou um tipo de pigmento vermelho que se desvaneceu gradualmente com o tempo. Esses achados sugerem que as áreas onde Van Gogh empregou esse vermelho, sozinho ou misturado com outras cores, parecem um pouco diferentes na atualidade em relação ao período em que a pintura foi concluída.

As cartas do artista com frequência se referem a suas obras por suas cores dominantes, o que significa que as mudanças mais recentes na aparência podem trazer incerteza sobre a qual pintura se referiu Van Gogh em suas descrições. Estão sendo feitas mais pesquisas para avaliar o impacto dessas mudanças de cor. Espera-se que a investigação esclareça a aparência original de As Oliveiras e proporcione uma compreensão mais clara de seu lugar dentro da série de trabalhos de Van Gogh sobre esse tema.

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