Paradise Papers

Secretário de Comércio de Trump mantém negócios com a Rússia e a Venezuela

Wilbur Ross preservou as relações mesmo com sanção dos EUA, segundo a investigação Paradise Papers

Uma mulher caminha em frente ao logotipo da petroleira venezuelana PDVSA em Caracas.
Uma mulher caminha em frente ao logotipo da petroleira venezuelana PDVSA em Caracas.MARCO BELLO (REUTERS)

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O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, tem participação acionária em uma companhia naval que mantém negócios milionários com a estatal petroleira venezuelana PDVSA, submetida a sanções, e com empresários russos ligados ao presidente Vladimir Putin, segundo uma investigação do site Armando.info dentro da série de reportagens conhecida como Paradise Papers, coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), com a participação de veículos de comunicação de vários países do mundo.

Ross, um bilionário investidor de capital privado, realizou esses negócios suspeitos apesar das recentes sanções impostas pelo Governo de Donald Trump aos altos funcionários do regime venezuelano e de ter proibido que o setor financeiro fizesse transações com títulos públicos venezuelanos e com bônus da própria PDVSA.

O secretário de Comércio vendeu a maior parte dos ativos da sua empresa antes de entrar para o gabinete, em fevereiro, mas manteve uma participação na companhia naval Navigator Holdings Ltd., com sede nas Ilhas Marshall, um conhecido paraíso fiscal no Pacífico Sul. As offshores nas quais Ross e outros investidores têm participação controlavam 31,5% da empresa em 2016.

A PDVSA não é um cliente menor da Navigator. Respondeu por 10,7% da sua receita em 2014, e 11,7% em 2015, segundo o relatório anual apresentado à Comissão da Bolsa e Valores dos EUA. A empresa recebeu da companhia estatal venezuelana mais de 70 milhões de dólares (230 milhões de reais) pelo fretamento de três de seus 29 tanques para o transporte de gás liquefeito nesses anos.

A própria empresa, em seu relatório anual, admite que as relações com a Venezuela podem prejudicar sua imagem: “Os riscos geopolíticos associados ao fretamento de embarcações a corporações estatais indonésias e venezuelanas são significativos e podem ter um impacto negativo em nossos negócios, nossa condição financeira e nosso resultados operacionais.”

Através da Navigator, Ross também tem feito negócios com empresários russos ligados a Putin. Outro de seus principais clientes, com um aporte de 68 milhões de euros em 2014, é a petroquímica Subir, com sede em Moscou. Dois dos principais proprietários são Kirill Shamalov, casado com a filha mais nova de Putin, e Gennady Timchenko, um oligarca alvo de sanções que, segundo o Departamento do Tesouro norte-americano está estreitamente vinculado ao presidente. Um terceiro proprietário da empresa é Leonid Mikhelson, que dirige uma companhia de energia também sancionada pelos Estados Unidos por apoiar Putin.

O ICIJ perguntou a Ross sobre a descoberta. Um porta-voz do secretário respondeu: “Ross se abstém de qualquer assunto centrado em cargueiros transoceânicos e, de modo geral, tem apoiado as sanções do Governo [norte-americano] aplicadas a entidades russas e venezuelanas. O secretário nunca teve de pedir, nem recebeu, qualquer licença ética e trabalha para garantir os mais elevados padrões éticos”, destacou.

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