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Tarantino sobre Weinstein, produtor acusado de assédio sexual: “Eu sabia o suficiente”

Cineasta diz que soube durante décadas da conduta sexual do produtor e se arrepende de não tê-la denunciado

Caso Harvey Weinstein
Quentin Tarantino, em uma imagem de 2016. AP

O cineasta norte-americano Quentin Tarantino admitiu em uma entrevista publicada nesta quinta-feira que durante décadas soube dos abusos sexuais cometidos pelo produtor Harvey Weinstein e que sente envergonhado por não ter feito nada a respeito e não ter deixado de trabalhar com o chefe do estúdio Miramax. "Sabia o suficiente para ter feito mais do que fiz", disse o ganhador de dois prêmios Oscar ao jornal The New York Times, citando vários episódios que envolviam atrizes famosas. "Havia algo além dos tradicionais rumores e das intrigas habituais. Não era [informação] de segunda mão", reconheceu. Nas últimas semanas, o produtor foi acusado por 40 mulheres de abusos sexuais em diferentes graus (incluindo quatro estu pros). Entre as atrizes que dispararam acusações contra Weinstein se encontram estrelas do porte de Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Mira Sorvino, ex-namorada de Tarantino.

O diretor de Pulp Fiction é um dos cineastas prediletos de Weinstein. "Quem dera eu tivesse assumido a responsabilidade pelo que havia escutado", afirmou o cineasta. Na entrevista, ele admitiu que sabia das acusações contra o produtor bem antes de elas saírem na imprensa. Conforme revelou o The New York Times, Sorvino contou para ele sobre toques não desejados por parte de Weinstein. Ele também escutou um relato semelhante anos depois por outra atriz. Tarantino também sabia que Rose McGowan havia chegado a um acordo com o magnata pelo qual recebeu 100.000 dólares para não mencionar "um episódio" envolvendo ambos durante o festival de cinema de Sundance de 1997, quando ela tinha 23 anos. Nos últimos dias, soube-se que esse "episódio" foi um estupro.

As declarações de Tarantino foram publicadas no mesmo dia em que a polícia de Los Angeles anunciou a abertura de uma investigação contra Weinstein pela suspeita de um abuso sexual ocorrido em 2013. "A divisão de roubos e homicídios do departamento de polícia de Los Angeles ouviu uma potencial vítima de abuso sexual envolvendo Harvey Weinstein, um caso supostamente ocorrido em 2013 que está sob investigação", afirmou Drake Madison, porta-voz do departamento.

Há apenas uma semana, Tarantino disse, numa declaração publicada nas redes sociais pela atriz Amber Tamblyn, que estava "desolado" com as revelações sobre Weinstein, de quem havia sido "amigo durante 25 anos". "Preciso de alguns dias para processar minha dor, minhas emoções, meu aborrecimento e minhas lembranças, e falarei publicamente sobre o ocorrido", disse na ocasião. Agora, reconhece que tinha informação sobre as agressões sexuais. "O que fiz foi minimizar os incidentes", admitiu, depois de afirmar que os havia visto apenas como uma conduta levemente errada. "Qualquer coisa que eu disser agora soará como uma desculpa barata", acrescentou.

Weinstein e Tarantino mantiveram uma estreita colaboração durante décadas, desde que o produtor distribuiu Cães de Aluguel, em 1992. Ambos trabalharam juntos também em Pulp Fiction, Kill Bill e Bastardos Inglórios, entre outros.

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