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Testamos a fundo o iPhone 8 Plus: mais (e melhores) fotos

Novo smartphone da Apple se destaca por seu rendimento, por suas câmeras e por sua compatibilidade com o carregamento sem fio

O iPhone 8 Plus na loja da Apple de San Francisco. Ampliar foto
O iPhone 8 Plus na loja da Apple de San Francisco. Getty Images

Ao lançar o iPhone 8 Plus, a Apple apostou numa renovação interna daquele que era até agora o seu celular mais completo, o iPhone 7 Plus. Isso representou uma melhoria na configuração e nas funções da câmera e na aplicação de novas tecnologias em componentes importantes, como a tela e a bateria. O modelo, segundo a Apple, estará disponível "em breve" no Brasil.

Por fora eles são quase iguais; tanto é que fica difícil distinguir entre um e outro. Mas há pequenas diferenças. A nova versão, por exemplo, optou por um design no qual a parte frontal e a traseira são de vidro. Trata-se de uma mudança positiva esteticamente que, além disso, melhora a pegada e, sobretudo, permite que a bateria do iPhone 8 Plus seja carregada sem cabos. Para isso, adotou o padrão Qi, já usado por boa parte dos fabricantes, o que o torna compatível com a maioria dos carregadores sem fio do mercado.

Contra marcas de dedo

Ao escutar a palavra "vidro", duas questões vêm à mente: pode quebrar? Suja muito? A Apple propõe soluções para tentar minimizá-las. Em primeiro lugar, opta por uma nova fórmula de vidro reforçado com uma estrutura de aço soldado a laser e uma borda de alumínio de série 7.000 (uma liga empregada na indústria aeroespacial). Em segundo lugar, o aparelho possui um revestimento que repele óleos – ou seja, embora não evite marcas de dedo e outras manchas, é fácil de limpar. Esse acabamento também se reflete nas cores disponíveis (há três novos tons) e nas dimensões e peso do smartphone: é um pouco mais pesado e mais grosso.

Ficha técnica:

Tela: Retina HD, LCD multitátil de 5,5 polegadas, com tecnologia IPS e 1.920 x 1.080 pixels de resolução.

Processador: Chip A11 Bionic com arquitetura de 64 bits, motor neuronal e coprocessador de movimento M11.

Memória RAM: A consultar.

Armazenamento: Desde 64 GB.

Câmera: Traseira dupla de 12 megapixels com grande angular (abertura f1.8) e teleobjetiva (abertura f2.8), zoom óptico e zoom digital até 10x, gravação de vídeo 4K; frontal de 7 megapixels, Retina Flash, abertura f2.2 e vídeo Full HD.

Bateria: Capacidade não disponível. Carga sem fio e carga rápida.

Sistema operacional: iOS 11.

Tamanho: 15,84 x 7,81 x 0,75 cm.

Peso: 202 gramas.

Sensores: GPS assistido, GLONASS, Galileo, QZSS, bússola digital, microlocalização iBeacon.

Outros: Resistência IP67, TouchID, Apple Pay.

As mudanças externas terminam aqui, porque os demais elementos do design se mantêm idênticos. Na verdade, a tela continua rodeada por grandes molduras. Este é o aspecto menos convincente: estamos diante de um modelo topo de linha e, nesta faixa de preços (começa em 799 dólares nos EUA, mas ainda não tem previsão de preços para o Brasil) a maioria dos fabricantes está optando por reduzi-las para ganhar espaço de tela. O novo iPhone também conserva o leitor de digitais integrado ao botão principal, que funciona tão bem como sempre, e os alto-falantes estéreo situados na parte superior e inferior do lado frontal, que agora soam um pouco mais potentes.

Adaptada à luz

A tela é um dos principais elementos do dispositivo, pela qualidade de visualização que proporciona, com imagens muito nítidas, cores fiéis e bons níveis de brilho e contraste. Com 5,5 polegadas e resolução full HD, melhora a experiência de visualização com relação à geração anterior, graças à tecnologia True Tone. Já a vimos isso há alguns meses no iPad Pro, com os mesmos resultados: o sistema ajusta o balanço de brancos das imagens para que as cores sejam vistas da forma mais realista possível, independentemente da luz ambiente. À primeira vista, pode parecer uma característica pouco notável, mas a verdade é que, depois de um teste, se nota a diferença com relação a uma tela que não tenha essa tecnologia.

Só uma nota negativa: a resolução Full HD resulta numa densidade de pixels inferior à de quase todos os aparelhos concorrentes da mesma faixa de preço, que incorporam superfícies com qualidade QHD ou mesmo 4K.

Fotos melhores

O outro elemento diferencial do iPhone 8 Plus é sua dupla câmera fotográfica. Como no iPhone 7 Plus, conta com dois sensores de 12 megapixels, uma lente angular e outra teleobjetiva, com uma luminosidade de f1.8 e f2.8, respectivamente.

Sua combinação continua permitindo aplicar um zoom óptico de duas vezes sobre as imagens e, como não podia deixar de ser, criar retratos com o fundo desfocado. Embora os resultados já fossem positivos – e nenhuma empresa foi capaz de igualá-los até hoje –, agora se observa um efeito mais natural, sobretudo em ambientes escuros, nos quais se torna factível captar uma imagem decente.

Como novidade, acrescentou-se uma função chamada Iluminação de Retratos, que simula diferentes tipos de luz para criar primeiros planos com efeitos mais impactantes e profissionais. Assim, podemos aplicar uma iluminação semelhante à de um estúdio, contornar o rosto através das sombras e, inclusive, destacar o sujeito sobre um fundo preto. Ainda está em fase de testes e precisa ser aperfeiçoado, já que apresenta algumas falhas em zonas complexas, como o cabelo. Mas, quando se consegue um retrato correto, o resultado é tremendamente atrativo.

É muito interessante que o celular guarde toda a informação sobre a profundidade que consegue com o uso dessa câmera dupla. Isso significa que podemos abrir uma foto com aplicativos alheios à Apple, que permitam trabalhar por camadas, e aplicar efeitos e ajustes só no fundo, inclusive substituindo-o por outro; editar apenas o sujeito principal...

O melhor e o pior

O melhor:

  • Dupla câmera traseira

  • Tela

  • Rendimento

O pior:

  • Design antiquado

  • Cargador básico de série

Quando desejamos fazer fotos normais, sem áreas desfocadas nem efeitos de iluminação, o iPhone 8 Plus também impressiona. O modo HDR vem previamente ativado e, em linhas gerais, consegue imagens com cores naturais e intensas, bem definidas e nítidas. Esse recurso se nota também em fotos noturnas, nas quais apresenta menos ruído. Some-se a isso um flash LED composto por quatro tons distintos, que, segundo a empresa da maçã, oferece uma iluminação 40% mais uniforme. Em nossos testes, notamos diferença na pele das pessoas, que parecia mais natural.

Mais rápido

Como ocorre a cada nova geração do iPhone, a Apple incorpora um novo processador neste 8 Plus, o A11 Bionic, composto por seis núcleos: dois deles de alto rendimento e os quatro de baixo consumo, cuja combinação proporciona uma das experiências mais fluentes do momento. Além disso, o próprio processador é capaz de escolher quais núcleos são mais adequados para cada tarefa, a fim de realizar as mais habituais (usar aplicativos de mensagens, navegar na Internet...) de forma mais eficiente. E, caso a tarefa exija potência máxima, o smartphone pode utilizar os seis núcleos de maneira simultânea.

Finalmente, uma unidade gráfica de três núcleos permite jogar qualquer game, por mais exigente que seja, e permite tirar o máximo proveito de aplicativos relacionados à realidade aumentada e aos ambientes 3D.

A capacidade mínima deste iPhone 8 Plus é de 64 GB, que será mais do que suficiente para muitos usuários (mas é bom lembrar que não há como ampliar a memória com cartões externos). Na verdade, isso é bem acima da necessidade da maioria, já que a Apple adotou novos padrões de vídeo e imagem que, mantendo a qualidade, reduzem pela metade o espaço ocupado pelos arquivos. Concretamente, trata-se do padrão HEVC ou H.265 para vídeo e HEIF para imagens. Se necessário, eles são automaticamente convertidos para outros formatos mais populares (H.264 ou JPEG).

Concorrência

  • Samsung Galaxy S8 Plus

  • LG G6

  • Huawei P10

  • Sony Xperia XZ Premium

  • HTC Ou11

Apesar da potência do aparelho, a bateria tem uma ótima autonomia, chegando a ficar 36 horas sem precisar de carga. Além disso, ela é compatível com a carga rápida. Para aproveitar isso, é necessário adquirir um carregador adicional ou utilizar algum com mais potência, como o dos MacBook. Teria sido interessante que a Apple incorporasse um acessório compatível na caixa, mas em seu lugar deixou o tradicional de 5 W.

À sombra

Muitos consideram que o iPhone 8 (em qualquer das suas versões) passará despercebido quando comparado ao iPhone X, que ainda chegará ao mercado. Pode ser, já que a Apple reservou as melhores inovações para esse modelo, e não há grande diferença entre o preço da versão mais completa de iPhone 8 Plus e a básica do iPhone X.

Independentemente disso, o iPhone 8 Plus é, sem dúvida, um dos melhores smartphones do mercado, com um grande rendimento, uma tela que mostra imagens com qualidade, uma câmera dupla para fazer retratos espetaculares... Poderia ter um design renovado, com menos moldura e que incluísse de série um carregador compatível com a carga rápida.