Globo de Ouro 2018

James Franco, o cinéfilo incontrolável

O ator e diretor nos últimos anos se lançou a uma produção artística descontrolada. Filme dirigido por ele, 'Artista do Desastre', recebeu duas indicações ao Globo de Ouro 2018

Dave (esquerda) e James Franco, em um fotograma de ‘The Disaster Artist’.
Dave (esquerda) e James Franco, em um fotograma de ‘The Disaster Artist’.

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Dá pra segurar James Franco? Não, e com certeza ele também não pensa em parar. Depois de mais de cem filmes como ator, e vinte como diretor - todos cheios de pretensões e infelizes, como seu esforço constante em adaptar romances de William Faulkner para a telona - ele pode receber seu reconhecimento máximo com o filme Artista do Desastre (The Disaster Artist), que recebeu duas indicações ao Globo de Ouro 2018, incluindo melhor ator de comédia e melhor filme de comédia ou musical.

Porque o que ele é, para ele, está claro: enquanto James Franco (nascido em Palo Alto, Califórnia, 1978) apresenta ao mundo seu novo filme dirigido e estrelado por ele (com estreia prevista para 25 de janeiro), já lhe esperam em pós-produção outros quatro filmes como diretor, que também protagoniza. Como ator, aparece em The Deuce, a série sobre a indústria do filme pornô da HBO, criada por David Simon, e tem outra dezena de títulos ainda por estrear.

Como se fosse pouco, gosta de escrever e compor. Há alguns meses reconheceu o motivo de sua produtividade incontrolável: “Adquiri alguns vícios bem no início de minha carreira de ator, aos 17 anos. Mas quando mergulhei de verdade no cinema, fiquei viciado no trabalho, parei de socializar e só depois de 10 anos descobri que o que estava acontecendo é que estava deprimido”. Pelo menos, Franco - candidato ao Oscar com 127 horas - teve um momento de lucidez, algo que nunca ocorreu a Tommy Wiseau, o ator, roteirista, produtor e diretor de The Room (2003), considerado o pior filme da história e cuja criação é o mote de The Disaster Artist. James Franco contou que se lembra de ter visto, na estreia de The Room, o outdoor que Wiseau pagou em Los Angeles com seu rosto e celular. “Há tantos filmes ruins que nunca mais são vistos... E no entanto The Room continua sendo visto 14 anos depois, porque Wiseau colocou sua alma e seu coração em uma paixão sem hipocrisia. É um fracasso? Na verdade não tenho certeza.”

De Wiseau, que ainda hoje acompanha as projeções de seu filme mundo afora, não se sabe nem a idade, nem seu lugar de nascimento (sequer o continente), nem de onde tirou os seis milhões de dólares (mais de 19 milhões de reais) que seu longa-metragem custou. Mas Franco tem carinho por ele: “Os começos são difíceis. Eu também trabalhei alguns meses em um McDonald’s até conseguir rodar um filme publicitário. Enfim, se só tivesse feito uma imitação seria superficial, e tentamos ir até o fundo da história”. O cineasta foi seduzido pelo livro que Greg Sestero, amigo de Wiseau e ator coadjuvante em The Room, escreveu sobre a filmagem.

“Li The Disaster Artist e soube que ali havia um grande filme.” Wiseau assistiu à filmagem e depois à estreia de gala nos EUA de O Artista do Desastre. “Todo o público o aplaudiu. Depois da projeção, perguntei a ele o que achava. Me respondeu que tinha gostado de 99%. Preocupado, perguntei: ‘Do que você não gostou?’. E ele soltou: "A iluminação da primeira parte é muito pobre’”. Só Franco poderia estar à altura de um ego como o de Wiseau.