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Putin adverte sobre “catástrofe global” em relação à escalada militar da crise com a Coreia do Norte

Presidente russo acredita que endurecer as sanções contra Pyongyang é uma medida “inútil e ineficaz”

Os presidentes Vladimir Putin (esquerda) e Xi Jimping (direita), nesta terça-feira na cimeira dos BRIC.
Os presidentes Vladimir Putin (esquerda) e Xi Jimping (direita), nesta terça-feira na cimeira dos BRIC. EFE

O acordo para aprovar uma nova rodada de sanções econômicas à Coreia do Norte se complica. Na terça-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se mostrou contrário a apoiar novas sanções contra Pyongyang e advertiu para uma “catástrofe planetária”, se continuar o que chamou de “histeria militar”. O líder russo aproveitou para criticar duramente o papel dos Estados Unidos no conflito e se alinhou com as reivindicações chinesas para abrir um espaço de diálogo com Kim Jong-un.

“Uma histeria militar não tem nenhum sentido... Tudo isso pode levar a uma catástrofe planetária e a um grande número de vítimas”, advertiu Putin em uma conferência de imprensa depois do encerramento da cúpula dos chefes de Estado do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que se realizou na cidade chinesa de Xiamen. A Rússia, disse, condena o último teste nuclear da Coreia do Norte, mas acredita que uma nova rodada de sanções seria “inútil e ineficaz”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá na próxima segunda-feira para votar uma resolução que os Estados Unidos estão acordando com a França e o Reino Unido que poderia incluir a proibição de vender petróleo ao país asiático. A China e a Rússia – que têm o direito de veto – estão dispostas a conversar, mas, de acordo com o que disseram seus Governos, dificilmente apoiarão um texto com medidas tão fortes.

“É ridículo que um país que nos coloca na mesma lista de sanções que a Coreia do Norte agora nos peça ajuda para impor sanções à Coreia do Norte”, disse Putin em referência às demandas dos EUA, informa a agência Reuters. Em sua opinião, o país asiático não desistirá do seu programa nuclear “se não se sentir seguro”. A Rússia cerrou filas com Pequim na maneira de enfrentar o problema norte-coreano e apoiou sua proposta de suspensão dupla, baseada em que Pyongyang paralise seu programa de desenvolvimento de armas atômicas em troca de que os Estados Unidos e a Coreia do Sul suspendam suas manobras militares conjuntas na península.

Putin comparou a situação na Coreia do Norte com a que levou à invasão do Iraque pelos EUA e lembrou que Saddam Hussein suspendeu a produção de armas de destruição em massa, mas acabou igualmente derrubado. “Na Coreia do Norte eles sabem disso e se lembram disso. Você acha que, depois da adoção de algumas sanções, eles abandonarão o processo para criar armas?”, perguntou.

Por outro lado, o presidente russo alertou os Estados Unidos sobre a possibilidade de fornecer armas a Kiev. “A entrega de armas em uma zona de conflito não ajuda os esforços para manter a paz, mas só piora a situação”, afirmou. Além disso, sugeriu que os separatistas pró-russos poderiam responder expandindo sua campanha. “As autoproclamadas repúblicas (no leste da Ucrânia) dispõem de armamento suficiente. É difícil imaginar como podem reagir, mas talvez distribuam suas armas em outras áreas de conflito”, disse o presidente russo.

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