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Venezuela cancela turnê de Dudamel com orquestra juvenil pelos EUA

Maduro criticou o maestro por “se meter em política”

Gustavo Dudamel, com membros da orquestra juvenil em fevereiro de 2016 em Caracas.
Gustavo Dudamel, com membros da orquestra juvenil em fevereiro de 2016 em Caracas. AP

O maestro venezuelano Gustavo Dudamel lamentou nesta terça-feira o cancelamento de uma turnê que o levaria, junto com a Orquestra Nacional Juvenil da Venezuela, a se apresentar em quatro cidades dos Estados Unidos, uma decisão anunciada depois que o músico se distanciou do Governo de Nicolás Maduro. “Me corta o coração o cancelamento da turnê da Orquestra Nacional Juvenil da Venezuela por quatro cidades norte-americanas”, escreveu Dudamel na rede social Twitter sobre a série de concertos prevista para a segunda semana de setembro. O músico venezuelano não detalhou os motivos do cancelamento

A turnê reuniria quase 200 integrantes da orquestra juvenil do reconhecido Sistema Nacional de Orquestras.

“Meu sonho de tocar com esses maravilhosos jovens músicos não poderá se tornar realidade – desta vez”, escreveu Dudamel em uma segunda mensagem.

O jovem músico, que atualmente rege a Filarmônica de Los Angeles, agradeceu às equipes de Wolftrap, Ravinia, Berkeley e Hollywood Bowl, os lugares onde seriam realizados os concertos.

Dudamel continuará “tocando e lutando por uma Venezuela e um mundo melhor”, escreveu em uma última mensagem com as hashtags #LaMusicaUne #TocarYLuchar #ContinuaTocando a Venezuela.

O cancelamento dos espetáculos ocorreu dias depois de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mencionar Dudamel em um discurso, a quem criticou por não compreender seu Governo e insistiu que atue “com ética” quando se meter em política.

Em maio, Dudamel pediu para Maduro escutar “a voz do povo” frente à onda de protestos contra o Governo que começou em abril e deixou mais de 120 mortos.

Em artigo publicado no EL PAÍS em julho, o músico expressou sua oposição à Assembleia Constituinte promovida por Maduro.

Durante muitos anos, o maestro manteve relações cordiais com o Governo de seu país e pertenceu ao programa público de música conhecido como o Sistema, que recebeu um forte financiamento estatal.

Entretanto, no início de maio, Dudamel tornou públicas suas diferenças com o Governo depois do assassinato de Armando Cañizales, um violinista de 18 anos que fazia parte do Sistema e participava de um dos grandes protestos contra o Governo nos últimos meses.

O Sistema, um programa social estatal criado para sistematizar a instrução e a prática coletiva e individual da música para todo tipo de pessoas, é diretamente subordinado ao Ministério do Gabinete da Presidência da Venezuela.

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