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Aziz Ansari: “A criatividade depende da inspiração, não da data de entrega”

‘Master of None’, criada e estrelada por Aziz Ansari, concorre a oito Emmy, incluindo Melhor Comédia

Master of None Azaz Ansari
Azaz Ansari na segunda temporada de ‘Master of None’.

O humor de Aziz Ansari é ambivalente. O exagero e o ritmo acelerado de Parks & Recreation lhe deram fama, mas o tom naturalista, às vezes até mesmo dramático, de sua comédia Master of None (Netflix), lhe deu a glória. O fato de ter 100% de boas críticas no site Rotten Tomatoes é a prova. Talvez seja por isso que o intérprete e criador da série, candidato ao Emmy em ambas as categorias (o prêmio será entregue em 17 de setembro), queira agora desfrutar do que conseguiu. “Mas eu não chamaria isso de férias”, ri, respondendo às perguntas do EL PAÍS. Tampouco está trabalhando. Apesar do sucesso da segunda temporada, o futuro de uma terceira ainda não está definido. Ansari não tem certeza se haverá ou quando saberá. “Preciso recarregar as baterias, dar um tempo e preencher meu caderno de anotações. Porque eu sou daqueles que pensam que a criatividade depende da inspiração e não da data de entrega. Não escrevo sob pressão”, resume sobre sua técnica de trabalho.

Dev, seu personagem em Master of None, não é ele, mas é parecido. O naturalismo de suas experiências, de suas anedotas, de suas realizações e especialmente de seus fracassos vêm do que ele conhece. E isso, em sua opinião, só se encontra caso se experimente. “Na verdade, tenho certeza de que a segunda temporada é melhor do que a primeira, porque eu tive um senhor descanso”, entrega.

Foram cerca de 10 anos de carreira até chegar onde está. O único indiano do seu colégio na Carolina do Sul, o engraçadinho da família, o prodígio da matemática que foi à universidade para estudar administração e acabou se formando nos clubes de stand-up comedy. Neles, conseguiu palco na hora de improvisar, de aguçar a inteligência para tirar proveito de tudo, o que caiu muito bem na comédia Parks & Recreation. “Mas para Master of None minhas fontes foram mais naturalistas, o humor de Woody Allen dos anos 70, o de Hal Ashby, não necessariamente engraçado, um tanto sombrio”, descreve. E, é claro, aqueles Fellini, Antonioni ou DeSica, não necessariamente conhecidos por suas comédias, mas por mostrar o que viam. Ansari se dedicou a isso entre uma temporada e outra, a rever os clássicos, sua única escola de cinema, e viver na Itália como estrangeiro, como Dev, aprendendo a preparar macarrão como Dev aprende, e saboreando-o como só um gourmet como Aziz sabe desfrutar.

Outra das inesgotáveis fontes de inspiração de Ansari está em suas origens como membro de uma família muçulmana tamil. Nem todo mundo sabe que ele é indiano, mas isso não lhe importa muito. Também prefere não dar importância aos contínuos estereótipos de que foi objeto na carreira. “Eu me limitei a recusar todos os terroristas ou motoristas de táxi que me ofereciam. Até que cansaram de mandá-los para mim. Eu quero tirar os papéis dos brancos”, ri. Dá mais importância ao fato de que o ator Riz Ahmed (Rogue OneUma História Star Wars) ter sido capa da revista Time recentemente. Ou que seu amigo Kumail Nanjiani (Dinesh em Silicon Valley) seja o protagonista da comédia romântica que ele escreveu. “Isso não poderia ter acontecido há alguns anos”, consola-se.

Mas, apesar dos avanços em relação a uma maior presença das minorias em Hollywood, apesar das liberdades de que desfrutou trabalhado para a Netflix em Master of None, Ansari precisa desconectar. “Estou começando a concordar com Trump em uma coisa”, concede ao atual presidente norte-americano, “sobre a falsidade das informações. Porque a única coisa que fazemos é iniciar minicontrovérsias que não interessam a ninguém e esquecemos o que é importante. É por isso que eu cancelei a conta do Twitter, do Instagram, até o aplicativo do The New York Times que tinha no telefone. Porque percebi que nada de todo esse ruído me fazia uma pessoa mais completa”.

Amor de mãe

Ansari tem certeza de que seus pais teriam preferido que ele fosse médico. “Eles ainda pensam nisso”, diz com um gesto sério. Ele não é somente ator, mas convidou a família para compartilhar o palco. Master of None inclui tanto a mãe, Fátima, quanto o pai, Shoukatah, e o irmão, Aniz Adam. O pai, gastroenterologista, está se divertindo. E o irmão é o principal roteirista de Master of None. Mas ninguém odeia mais a interpretação do que a mãe. “Ela acaba participando porque me ama. E porque sabe que é a única maneira de ver os filhos”, confirma. Anasari está muito feliz com o resultado. “Os personagens são como meus pais e ninguém melhor do que eles para refletir essa energia”, resume.

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