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O caminho da propina: entenda os mecanismos da corrupção no Brasil

Como funcionam os contratos superfaturados e as propinas que mancharam a classe política

A sociedade brasileira observa impotente um panorama de corrupção endêmica e uma tempestade institucional com o processo do atual presidente, Michel Temer, que pode ser destituído. A condenação do ex-presidente Lula a nove anos e meio de prisão foi outro grande golpe ao país. A maior parte dos políticos dos últimos anos se envolveu em uma máquina azeitada pela corrupção: um emaranhado de representantes públicos, executivos, grandes construtoras e intermediários.

OS PROTAGONISTAS

Corruptores As principais empresas construtoras do Brasil, entre elas a gigante Odebrecht, que obtinham contratos mediante indicação.
Corruptos

Os executivos de alto escalão da Petrobras e os políticos que mantinham esses executivos em seus cargos.

Intermediários

Serviam de ligação entre uns e outros para negociar a quantidade a ser paga em cada propina, realizavam os pagamentos e os faziam chegar aos destinatários.


Como operavam
O caminho da propina: entenda os mecanismos da corrupção no Brasil

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As construtoras pagavam propinas a políticos e executivos da Petrobras em troca de concessões por indicação de contratos licitados pela empresa. Uma das construtoras é a Odebrecht, um gigante presente em toda a América Latina que estendeu sua rede de propinas a governos de outros países.

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A Petrobras pagava a essas construtoras, que com o tempo se organizaram como um autêntico cartel para inflar o máximo possível os valores dos contratos, números acima dos preços de mercado.

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As empresas, através dos intermediários, entregavam uma parte do dinheiro aos partidos envolvidos.

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Os políticos mantinham em seus postos os executivos da empresa petrolífera e lhes transferiam os valores inflados nos contratos.

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As construtoras sempre repetiam o mesmo esquema, pagando tanto a partidos como a diretores da Petrobras. As propinas eram lavadas dentro do país, através de doações ao partido, e fora, em paraísos fiscais.

Alguns pontos importantes


A empresa petrolífera estatal Petrobras

É a maior empresa do Brasil. Emprega 87.000 pessoas. Produz dois milhões e meio de barris por dia.

Onde entra o Lava Jato

Uma investigação envolvendo um lava-jato em Brasília usado por um doleiro foi o fio da meada do caso Petrobras. A operação se iniciou em julho de 2013, mas só adquiriu importância um ano depois.

Partidos atingidos

A princípio, todo o espectro parlamentar, mas especialmente o PT de Lula e Dilma Rousseff, e o PMDB do atual presidente Michel Temer.

Acusações

5 de maio de 2016: A enxurrada de investigações começa a atingir as elites do poder. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, terceira pessoa mais poderosa do Brasil atrás do presidente e do vice-presidente, é suspenso acusado de diversas práticas de corrupção.

17 de novembro de 2016: O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é preso pelo desvio de 220 milhões de reais de obras públicas.

19 de maio de 2017: O presidente Michel Temer é denunciado pelo procurador-geral acusado de receber propina. Para que o processo siga, precisa ser autorizado pela Câmara. O procurador reserva mais acusações para denunciá-lo caso Temer escape pela via política

12 de julho de 2017: Lula é condenado a 9 anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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