Colômbia

Medellín demolirá ‘quartel geral’ de Pablo Escobar

Cidade intensifica batalha contra os símbolos do narcotráfico. Edifício Mónaco dará lugar a memorial

Menina caminha pelo bairro Pablo Escobar em Medellín.
Menina caminha pelo bairro Pablo Escobar em Medellín.LUIS EDUARDO NORIEGA (EFE)

Há anos Medellín vem tentando superar o estigma de símbolo mundial do narcotráfico. Mais de duas décadas depois da morte de Pablo Escobar, a segunda maior cidade da Colômbia se tornou um modelo de reinvenção e desenvolvimento urbano graças também a um sistema de transporte aplaudido em toda a América Latina. Mas muitos vestígios do passado continuam ali. Entre o aeroporto e o Museu de Arte Moderna, onde foi realizado nesta quarta-feira o congresso da Agência de Cooperação e Investimento (ACI) do município, o taxista enumera o que considera as atrações locais. Entre elas, a casa museu do chefe do cartel de Medellín, transformado no destino de um grotesco narcoturismo. As autoridades locais pretendem acabar com essa imagem.

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O prefeito Federico Gutiérrez Zuluaga anunciou sua intenção de “derrubar um símbolo da violência”, o antigo quartel-general de Escobar. Trata-se do edifício Mónaco, que pertenceu ao narcotraficante e que foi entregue à polícia depois de sua expropriação. “Naquele passado sombrio nossa cidade se tornou um símbolo de ilegalidade, agora, Medellín é um símbolo de legalidade, e por isso somos uma cidade resiliente”, afirmou depois de seu discurso inaugural da jornada. “Mudar e derrubar os símbolos do terror, do narcotráfico é importante para qualquer sociedade. Se você não contar a história, vão contá-la por você”, prosseguiu em declarações aos jornalistas.

“Nós nunca vamos negar nossa história, vamos contá-la como ela é, do lado das vítimas, e sempre com solidariedade, e recordar essa história para que nunca se repita”, declarou. Por isso, acrescentou, tomou a decisão de derrubar “aquilo que se tornou símbolo do terror do narcotráfico”. Essa demolição, em sua opinião, também procura transformar-se em uma ação simbólica, porque significa “derrubar os antivalores, derrubar a cultura ilegal, mafiosa”.

“Naquele espaço onde hoje está o edifício haverá um parque em homenagem a milhares de vítimas, de civis, de policiais, de militares, de juízes, de muitas pessoas que morreram na época da violência”, acrescentou. Quer transformar definitivamente aquele rastro arquitetônico “em um símbolo que representa o renascimento de Medellín”. A Prefeitura determinou também que no museu Casa da Memória “exista uma sala especial para recordar o que realmente ocorreu”. “Que nunca nos esqueçamos, mas vamos contá-lo do lado respeitoso das vítimas”, concluiu.

O edifício Mónaco, situado no setor El Poblado, passou a ser controlado pelas forças de segurança. “Em algum momento pensaram que a polícia havia transferido para lá a central de inteligência. Eu disse que não, não iria deixar isso acontecer. Minha decisão foi pedir à polícia que nos entregue o imóvel para que façamos todo o processo de demolição e construção do parque”, enfatizou o prefeito, que afirmou que “nisso está plenamente de acordo o diretor da polícia, o general [Jorge Hernando] Neto”. “Já lhe enviei a carta, estamos trabalhando. Os próximos passos são questões legais que estamos resolvendo, mas o importante é que a cidade queira que isso aconteça, e tenho certeza de que se tornará um símbolo para o mundo”, concluiu o prefeito.