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Atentado em Londres

Primeira-ministra diz que há “tolerância excessiva” com o extremismo no Reino Unido

Theresa May confirmou retomada da campanha amanhã e a realização das eleições na quinta-feira

A primeira-ministra britânica, Theresa May
A primeira-ministra britânica, Theresa May AP

A primeira-ministra Theresa May afirmou, na manhã deste domingo, que os três ataques terroristas realizados nos últimos três meses em território britânico estão unidos pela “ideologia do islamismo extremista”. Em pronunciamento feito à frente do número 10 da Downing Street, após uma reunião extraordinária de seu comitê de segurança, May anunciou que haverá uma reestruturação na estratégia antiterrorista do Governo para “derrotar uma das grandes ameaças do nosso tempo”.

Suas declarações foram feitas doze horas depois do novo atentado ocorrido no centro de Londres, em que três homens atropelaram com uma van dezenas de pedestres ao lado da London Bridge, avançando, em seguida, até as imediações do Borough Market, onde esfaquearam vários inocentes. O ataque deixou sete mortos além dos três terroristas e 48 feridos, alguns dos quais ainda se encontram em estado grave, segundo confirmou a própria primeira-ministra. Doze pessoas foram presas neste domingo, segundo a polícia, por terem relação com o ocorrido.

“Não podemos achar que as coisas podem continuar como estão”, disse May. “Derrotar esta ameaça é um dos grandes desafios do nosso tempo”, afirmou, “e não podemos vencê-la apenas com uma intervenção militar”. Trata-se, segundo May, de uma ideologia que entende “equivocadamente” que “os nossos valores são incompatíveis com o islamismo”. Para a primeira-ministra, é necessário combatê-la convencendo as pessoas de que nossos valores são melhores.

May defendeu também a necessidade de não entregar aos terroristas “o espaço de que necessitam para crescer”. E isso, acrescentou, lhes é proporcionado pela internet. A primeira-ministra fez um apelo para que se aumentem os esforços da comunidade internacional para controlar o extremismo na internet. “E, dentro de casa, devemos fazer tudo que pudermos para diminuir os riscos trazidos por esse extremismo online”, afirmou, referindo-se à proposta que levou à reunião do G7 no mês passado em Taormina (Itália).

Segundo a ministra, é necessário, ainda, negar aos extremistas “esse espaço seguro no mundo real”. É preciso combater o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, disse May, mas também dentro de casa. “Há uma tolerância excessiva com o terrorismo dentro da nossa casa”, afirmou. “Temos de ser mais contundentes no momento de identificar e de apontar [essa tolerância com o extremismo] no setor público e em toda a sociedade”.

Por último, May defendeu a necessidade de reestruturar a estratégia antiterrorista “a fim de garantir à polícia os meios de que ela necessita”. “Devemos aumentar o tempo de duração das detenções por crimes relacionados ao terrorismo, e é o que faremos”, anunciou.

A primeira-ministra afirmou que os acontecimentos recentes mostram que os autores dos atentados “copiam uns aos outros”. “O terrorismo alimenta a si mesmo, e os autores passam à ação não com base em planos cuidadosamente preparados, mas sim copiando uns os outros”, acrescentou.

O ato deste sábado foi o terceiro atentado terrorista em território britânico em menos de três meses. Há 12 dias, um terrorista suicida acionou uma bomba na saída de um show de Ariana Grande em Manchester, deixando 22 pessoas mortas. Em 22 de março, houve, em Londres, um atentado que guarda muitas semelhanças com o incidente deste sábado. Naquela ocasião, um homem atropelou dezenas de pedestres na ponte de Westminster e depois se jogou contra o muro do Parlamento. Cinco pessoas morreram, além do terrorista. Nesse mesmo período de 72 dias, a polícia, segundo o ministério do Interior, conseguiu impedir a efetivação de outros cinco atentados.

O ataque junto à ponte de Londres se deu a poucos dias das eleições gerais, marcadas para a próxima quinta-feira. A primeira-ministra confirmou que a campanha, suspensa pelos principais partidos, será retomada nesta segunda-feira e que as eleições serão realizadas como o previsto, pois “não se pode permitir que a violência interrompa o processo democrático”.

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