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Serviço secreto britânico investiga sua atuação no atentado de Manchester

Os serviços de inteligência receberam pelo menos três avisos de que Abedi tinha se tornado mais radical

Blitz policial no domingo, dia 28 de maio
Blitz policial no domingo, dia 28 de maio Getty Images

O MI5, o serviço britânico de espionagem interna, abriu uma investigação para determinar por que ignorou os avisos sobre a periculosidade de Salman Abedi, o jovem britânico que acabou com a vida de 22 pessoas no estádio Manchester Arena em 22 de maio, informa a BBC e o jornal The Guardian. Segundo afirmam os dois veículos, o MI5 recebeu pelo menos três advertências de cidadãos sobre a ameaça que Abedi representava antes de decidir detonar uma mochila com explosivos em Manchester, no fim do show da cantora norte-americana Ariana Grande.

Esses avisos, enviados ao longo dos anos por professores e líderes religiosos da comunidade muçulmana de Manchester, alertavam para o fato de o rapaz estar fora de controle e ser perigoso. Depois do atentado, várias pessoas disseram à imprensa que chamaram a atenção das autoridades sobre as ideias radicais de Abedi, entre elas antigos colegas de faculdade. A mesquita de Didsbury, nos arredores de Manchester, confirmou também em declarações à BBC que um imam tinha denunciado Abedi por sua ideologia suspeita e o expulsado do templo.

Em paralelo a esta “investigação pós-incidente” do MI5, o serviço planeja efetuar outra análise mais exaustiva sobre os sistemas usados para a avaliação e classificação de potenciais suspeitos. Um funcionário do Ministério da Defesa afirmou depois do atentado que Abedi era uma das pessoas “submetidas a supervisão” pelos serviços de segurança pelo risco que representava. Segundo a BBC, quando Abedi tinha 16 anos lutou na Líbia ao lado de seu pai contra as forças do regime de Muamar Khadafi durante as férias escolares.

A ministra do Interior britânica Amber Rudd considerou “correto” que o MI5 reavalie sua atuação frente à ameaça de Abedi e os avisos recebidos antes do atentado suicida. Em uma entrevista à BBC, Rudd defendeu os serviços de inteligência ao afirmar que “desde 2013 foram desbaratados 18 planos” de atentados em solo britânico. Ao mesmo tempo, admitiu que é preciso “examinar se há coisas que poderiam ter sido aprendidas”. “Não nos incomoda aprender lições para melhorar”, acrescentou Rudd.

Os serviços secretos afirmaram em várias ocasiões que necessitam de mais recursos para dar continuidade à análise das 500 possíveis tramas terroristas das quais suspeitam, e da lista de cerca de 3.000 pessoas de alto risco e de 20.000 consideradas de menor risco — entre elas supostamente se incluía Abedi.

A Polícia britânica disse que está conseguindo “importantes progressos” em suas investigações, das quais participam cerca de 1.000 pessoas. Na manhã de segunda-feira, dia 29, foi realizada uma nova prisão no âmbito da investigação sobre o atentado de Manchester, o que eleva para 14 o número de presos em solo britânico. Além disso, o pai e o irmão do terrorista foram presos na Líbia.

O último detido é um homem de 23 anos que foi preso em Shoreham-by-Sea, no condado de Sussex, no sul da Inglaterra, afirmou um comunicado. A polícia revistou uma moradia em Whalley Range, bairro no sul de Manchester.

Nesta segunda-feira, dia 29, completa uma semana do atentado no qual morreram 22 pessoas, um terço delas crianças, e outras 64 ficaram feridas. A polícia britânica publicou no sábado duas fotografias do homem-bomba e pediu a colaboração de testemunhas para tentar rastrear seus movimentos nos dias anteriores ao ataque, reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico. Ambas as fotografias, obtidas de imagens de câmeras de segurança, mostram Abedi na noite do ataque. Usava uma touca e uma mochila e estava vestido com uma parca escura, calças jeans e tênis.

A polícia também informou que o autor do atentado foi identificado em “duas horas” e que foram reunidas “informações interessantes sobre Abedi, seu entorno, suas finanças, os lugares em que tinha estado, como foi fabricado o artefato explosivo e o cenário mais amplo”. Abedi alugou um apartamento no centro de Manchester, do qual se deslocou para a Arena. Os investigadores acreditam que “pode ser o lugar onde montou o artefato explosivo” que utilizou no atentado, segundo o comissário Ian Hopkins e o responsável pela área de antiterrorismo Neil Basu.

Devido ao avanço da investigação, Theresa May reduziu no sábado o nível de alerta terrorista de “crítico” para “grave”. Isso significa que um atentado é “muito provável”, mas não “iminente”. No entanto, pediu aos britânicos que permaneçam vigilantes.

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