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PSB anuncia saída da base de Temer e outros três partidos discutem abandono

PSDB, DEM e PPS também cogitam se seguir no Governo, o qual pode perder 120 deputados

Aécio e Temer no dia 12 de maio.

A situação do presidente Michel Temer complicou-se neste sábado. Pela manhã, ele enfrentou o primeiro desembarque relevante de sua base no Congresso: o Partido Socialista Brasileiro (PSB) decidiu passar para a oposição, retirando da superbase do Governo seus 35 deputados e 7 senadores. O partido pediu a renúncia imediata do mandatário e afirmou que apoiará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do deputado Miro Teixeira, que defende a realização de eleições diretas no caso da saída antecipada do presidente.

Segundo o deputado Julio Delgado (PSB-MG), o seu partido deve obstruir as votações no Congresso, pois não há clima para votar nada neste momento. “Faremos obstrução das votações enquanto não votarem a PEC [das eleições diretas]”, disse ele. “O que a gente está deixando claro é que este sentimento de normalidade que o Governo está tentando passar não é verdadeiro”, ressaltou o deputado, que destacou que Temer perdeu as condições de governabilidade.

“Eu, como deputado, se chego na residência do presidente depois das 22h, me prendem e dão tiro no meu carro. Joesley entrou porque ele tinha uma relação com o presidente. Continuar no Governo é concordar com atos criminosos. O que várias empresas privadas fizeram foi privatizar o poder público pelo legislativo e Executivo”, ressaltou ele.

A debandada dos socialistas pode ser seguida ainda neste domingo por outros três partidos que, junto com o PMDB, são a espinha dorsal da gestão federal. São eles: PSDB, DEM e PPS. O PSDB tem a situação mais complicada para se decidir. Se concordar com a gravidade das delações, sepultará também o presidente licenciado da legenda, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele é um dos investigados sob a suspeita de receber 2 milhões de reais em propinas da JBS.

Os primeiros sinais de que os tucanos estão próximos de deixarem a gestão peemedebista foram dados pela direção estadual do PSDB do Rio. Em reunião neste sábado, a executiva estadual afirmou "que o presidente da República não dispõe de condições políticas e éticas para dissipar a grave instabilidade que impera no país e prosseguir liderando o processo de reformas que tanto necessitamos". Sugeriu a saída de seus quatro ministros do Governo, a renúncia de Temer e, se ele não o fizer, a assinatura de um pedido de impeachment.

O DEM e o PPS também devem fazer reuniões para discutir a saída do Governo. O primeiro tem alguns parlamentares rebeldes, como o senador Ronaldo Caiado, que defendeu inúmeras vezes a renúncia do presidente Temer. Já o PPS entregou um de seus dois ministérios, o da Cultura, e disse que por enquanto segue na base.

Se esses três partidos acompanharem os socialistas, Temer perderia praticamente toda a sua sustentação – sem contar com a influência das poucas lideranças de peso que ainda sustentam seu mandato. PSDB, DEM, PPS e PSB somam 120 deputados, 23 senadores e 7 ministros. Na quinta-feira passada, o PTC (que recentemente mudou o nome para Podemos e tem 13 deputados) anunciou que deixava a base.

Enquanto os aliados discutem o que fazer, os opositores aproveitam para lucrar em cima da crise alheia. Em programa eleitoral divulgado desde este sábado, o PT diz que o "Governo Temer acabou" e que é necessária a convocação de eleições diretas.

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