Eleições no Irã

Hassan Rohani é reeleito presidente do Irã com 57% dos votos

Seu adversário, Ebrahim Raisi, obtém 38% dos votos e revela força de setor descontente

Hassan Rohani, em um ato de sua campanha em 9 de maio.
Hassan Rohani, em um ato de sua campanha em 9 de maio. (efe)

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Hassan Rohani foi reeleito presidente do Irã com 57% dos votos, anunciou neste sábado o ministro iraniano do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli. O moderado conseguiu uma vitória clara para manter seu programa de abertura ao exterior e cautelosas reformas internas. Mas seu rival, o radical Ebrahim Raisi, obteve honrosos 38%, o que não permitirá ao presidente ignorar o peso dos setores que rejeitam as mudanças por entender que o Irã está se curvando ao Ocidente.

Com uma participação de 73% do eleitorado (41,22 milhões de votos emitidos), Rohani obteve o apoio de 23,54 milhões de eleitores, contra 15,77 milhões que respaldaram o adversário dele. Rohani ganha comodamente, embora não chegue aos 60% que os reformistas esperavam. Trata-se, em todo caso, de um resultado satisfatório depois de uma campanha eleitoral particularmente ácida. Além disso, diferentemente de 2013, quando os conservadores apresentaram vários candidatos, desta vez só houve praticamente um. Os outros dois aspirantes, Mostafa Hashemitaba e Mostafa Mirsalim, não somaram nem um milhão de votos entre ambos.

“Estou satisfeito. Os radicais fracassaram em seu empenho, apesar de todas as artimanhas que utilizaram durante a campanha”, disse ao EL PAÍS Naqib Zadeh, comentarista político e professor da Universidade de Teerã, convencido de que o fator medo evocado por Raisi mobilizou uma parte do eleitorado habitualmente cética. “Isto permitirá a continuidade da política interna e externa que eu apoio”, acrescenta. Na opinião dele, os radicais continuam sendo uma minoria e, se não fosse pela retirada da candidatura do prefeito de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, “Raisi não teria passado de quatro milhões de votos”.

Rohani, 68 anos, um clérigo de grau hierárquico intermediário, retratou a disputa eleitoral como uma escolha entre mais liberdades ou extremismo. Esse moderado que estudou direito no Reino Unido tem a seu favor o fato de ter negociado com sucesso o acordo nuclear de 2015, que permitiu ao Irã sair do isolamento. Daí que, junto com as mulheres, os jovens e os intelectuais, também tenha o apoio do setor privado, que depende da abertura ao exterior para fazer negócios.

“Felicito a grande vitória da nação iraniana ao estabelecer um marco memorável na continuação do caminho de ‘sabedoria e esperança’”, tuitou, pouco antes do anúncio oficial, o vice-presidente Eshaq Jahangiri, em referência ao slogan da campanha ganhadora. Jahangiri, um aliado de Rohani que se retirou da disputa três dias antes da votação, concorreu para apoiar o presidente durante os debates na TV e maximizar o tempo disponível nos veículos estatais, de modo a canalizar sua mensagem.

Em 2013, Rohani alcançou a presidência com 18 milhões de votos, um pouco mais de 50% do eleitorado, escapando por pouco da necessidade de disputar um segundo turno.

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