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Crise política nos EUA derruba Wall Street e enfraquece real frente ao dólar

A moeda americana perdeu tudo que havia ganhado após a vitória de Trump nas urnas

Dólar
Operadores financeiros em Nova York. EFE

Wall Street observa à distância o que acontece em Washington e não gosta do que vê. A tensão política se reflete especialmente no mercado de câmbio, onde o dólar perdeu os ganhos acumulados desde a vitória de Donald Trump nas eleições. Os índices da Bolsa tinham aguentado bem até agora, mas na quarta-feira deixaram clara a pressão, fechando com a maior baixa desde setembro. O temor é que o drama político pela demissão do diretor do FBI marque um ponto de inflexão. A situação também reverberou no Brasil, onde a Bolsa de São Paulo caiu 1,67% e o real teve sua maior depreciação em dois meses, fechando 3,134 por dólar. 

Em Wall Street, o euro começou o dia cotado a 1,11 dólar, nível que não se via desde antes das eleições nos EUA, em novembro. É o primeiro aviso de que as coisas podem piorar se a situação política não se normalizar logo. O perigo é que a atenção acabe sendo desviada inevitavelmente para o choque político e faça descarrilhar o plano econômico.

A vitória de Emmanuel Macron na eleição presidencial francesa já serviu para dar sustentação ao euro, cotado a 1,09 dólar, eliminando um importante elemento de incerteza para a moeda única. Essa incerteza nubla agora a Casa Branca depois da demissão de James Comey. O Dow Jones fechou a sessão com uma queda próxima de 1,8%, depois de retroceder cerca de 370 pontos, com as ações do setor financeiro entre as maiores baixas. O NASDAQ perdeu 2,5%.

Os investidores ficaram na retaguarda nos últimos dias, esperando para ver aonde as coisas iriam. Mas a crise só aumentou e isso pode ter grandes implicações na negociação do plano econômico de Donald Trump. Além disso, os republicanos estão divididos e o processo de confirmação do futuro diretor do FBI não será fácil, o que criará um motivo adicional de distração.

Como se diz no pregão, esta combinação não é boa para que a Casa Branca tenha êxito na reforma fiscal ou na hora de mobilizar recursos para modernizar as infraestruturas. O grande risco –concordam os analistas– é que Donald Trump perca completamente a confiança entre os seus. O atoleiro político, portanto, faz com que seja muito difícil prever quando suas iniciativas poderão avançar.

Impacto no Fed

A baixa de quarta-feira nos índices de Wall Street é a mais forte desde setembro. Os corretores dos mercados de câmbio aconselham seus clientes a reduzir posições em dólar, buscando refúgio em moedas mais estáveis à espera de ver como evolui a crise do FBI. Uma estratégia completamente oposta àquela de apenas três meses atrás.

Ainda não se pode saber como esse ceticismo repentino afetará os planos do Federal Reserve de retirar estímulos monetários à economia, especialmente se todo o plano econômico de Donald Trump for atrasado. Os membros do Fed que falaram publicamente nos últimos dias defenderam dois aumentos da taxa de juro neste ano, para aproximá-la de 1,5% no fim de 2017.

O Fed se reúne novamente no próximo mês. O mercado de títulos de Chicago também começou a se deteriorar na semana passada à medida que crescia a turbulência política em Washington. A taxa para as letras de 10 anos caiu para 2,25%. O índice de volatilidade, o melhor termômetro para medir o estado de ânimo dos investidores, subiu 20% na quarta-feira e atingiu o nível mais alto em um mês.

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