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Equipe de Macron denuncia “ação de pirataria maciça” de documentos internos

A coalizão Em Marcha! afirma que os arquivos foram obtidos há várias semanas

Teriam sido hackeados os endereços de email pessoais e profissionais da campanha

Emmanuel Macron, em uma foto de 11 de abril.
Emmanuel Macron, em uma foto de 11 de abril. AFP

A equipe do candidato à presidência francesa Emmanuel Macron denunciou nesta sexta-feira “uma ação de pirataria maciça e coordenada” que resultou na difusão em redes sociais de informações internas de seu partido, o Em Marcha!

A publicação de correios eletrônicos, contratos e documentos contábeis ocorreu pouco antes do final oficial da campanha eleitoral e a menos de dois dias do segundo turno. As pesquisas preveem uma vitória ampla do centrista Macron sobre sua rival, Marine Le Pen, líder do partido de extrema direita Frente Nacional.

É difícil pensar que, a 32 horas da eleição, a publicação dos e-mails, batizados por seus difusores como Macronleaks, tenha algum efeito no resultado. Mas pode contribuir para enlamear eleições que foram disputadas sob a ameaça de uma operação de ingerência semelhante à que ocorreu nas presidenciais norte-americanas de novembro de 2016.

O partido de Le Pen, a Frente Nacional, não tardou em tentar se beneficiar. Florian Philippot, vice-presidente da FN e braço direito de Le Pen, comentou na rede social Twitter: “Os Macronleaks nos contarão coisas que o jornalismo de investigação deliberadamente omitiu? Espantoso este naufrágio democrático”.

Os documentos, segundo um comunicado do Em Marcha!, procedem de contas pessoais e profissionais da equipe de campanha e foram obtidos há algumas semanas no âmbito de uma das múltiplas operações de pirataria de que o partido foi alvo. Há alguns dias, um relatório da empresa japonesa Trend Micro afirmou que por trás desses ataques se encontrava o mesmo grupo russo que pirateou as contas da equipe de Hillary Clinton durante a campanha dos EUA. Clinton acabou perdendo para o atual presidente, Donald Trump.

O Em Marcha! Descreve a divulgação dos documentos, faltando poucas horas para a abertura dos colégios eleitorais, como “uma operação que manifestamente representa uma desestabilização democrática, como se viu nos Estados Unidos durante a última campanha presidencial”.

O comunicado ressalta que os documentos internos roubados são legais e avisa que entre os arquivos difundidos se encontram alguns falsos “para semear a dúvida e a desinformação”.

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