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“Quero vencer um grande título antes de deixar a seleção”

Cristiane vive ótima fase no PSG, mas não esconde as saudades do Brasil: "Se tivesse estrutura, ninguém saía para jogar fora"

Cristiane: "Nossa geração merece um grande título"
Cristiane: "Nossa geração merece um grande título" CBF

A atacante Cristiane vive hoje uma realidade muito diferente da que encontrou quando começou no futebol. Jogando grandes ligas na Europa, alcançando estabilidade financeira e ainda em ótima fase, ela não se esquece do passado e, mesmo aos 31 anos, ainda conserva muita ambição, vontade de vencer e bola para jogar.

Artilheira do PSG na atual edição da Champions League, onde disputa as semifinais e já marcou seis gols, ela não poupa críticas à gestão do futebol feminino no país de origem. "Se tivesse estrutura, ninguém saía do Brasil para jogar fora. Sinto falta da família e dos amigos, mas as condições ainda estão longe do ideal", afirma ela ao EL PAÍS. Perguntada sobre o surgimento de competições de base e os avanços na modalidade, diz que "é bom que isso (melhorias) aconteça, mas era para ter sido feito há uns dez anos, e não agora."

Crítica à organização do esporte brasileiro, Cristiane vê com bons olhos a treinadora Emily Lima, atual comandante da seleção e primeira mulher a assumir o cargo: "É estudiosa, inteligente, informada e está atenta a jogadoras de todo canto do Brasil, mesmo onde não há transmissões. Tive uma excelente impressão dela", conta a atacante, que, no Brasil, soma passagens por Juventus (SP), Santos, Corinthians e São José, ex-clube de Emily.

É com a atual treinadora que Cristiane tentará seu principal troféu pela amarelinha. Com dois ouros em Pan-Americanos (2007 e 2015) no currículo, ela ainda não está satisfeita e mostra ambição ao falar do futuro. "Quero vencer um grande título antes de deixar a seleção. Uma Olimpíada ou Copa do Mundo, por exemplo. Nossa geração merece isso", diz a atacante que garantiu seu espaço ao lado de Marta, considerada por muitos como a melhor jogadora da história. Além do próximo Mundial, em 2019, na França, Cristiane também pretende jogar a próxima Olimpíada de Tóquio, em 2020.

Intolerância e obstáculos no futebol feminino

Entre idas e vindas para o Brasil, Cristiane passou cerca de uma década longe do país, tendo atuado em países como Estados Unidos, Suécia, Alemanha, Rússia, Coreia do Sul e, agora, França. Ao falar sobre a modalidade em sua terra natal, ela lamenta: "Tenho inveja das ligas estrangeiras, como a francesa e de outros lugares onde atuei. Eles querem desenvolver o futebol feminino, se preocupam com o lado profissional e humano das atletas. O Brasil tem tudo pra crescer na modalidade, mas, infelizmente o país está uma bagunça. É difícil pensar que seja possível", diz a atacante, que acredita haver muito mais preconceito com as atletas no Brasil do que na França. "Aqui, só se preocupam com meu rendimento e isso basta. Aí [no Brasil], o preconceito é generalizado, e muito maior. Pais não deixam filhas jogarem porque é esporte de homem. A mulher tem que fazer o que quiser e ser respeitada, sabe? As pessoas se prendem a umas coisas tão banais e sem importância, e isso prejudica muito", relata.

Cristiane, em atuação pelo PSG.
Cristiane, em atuação pelo PSG.

Neste sábado, pela Champions League, Cristiane enfrentará o Barcelona, no jogo de volta das semifinais. Na ida, fora de casa, o Paris Saint-Germain venceu por 3 x 1, com um gol marcado pela camisa 10. Agora, em Paris, no Parc des Princes, às 12h (de Brasília), as jogadoras do PSG terão uma ótima vantagem para administrar e tentar chegar à final. "Passamos por uma temporada muito difícil, porque temos um elenco curto e perdemos jogadoras, lesionadas. Como estamos longe da briga pelo título francês (o Lyon lidera com larga vantagem), vamos com tudo pela Champions e para conquistar um título grande neste ano", afirma ela, que tem boas chances de encerrar a competição europeia no topo da artilharia, uma vez que tem dois gols a menos que as duas principais goleadoras, que já foram eliminadas em fases anteriores.

Segundo Cristiane, jogar no principal estádio da capital francesa será uma vantagem para o PSG. "Elas (jogadoras do Barcelona) atuam num campo de dimensões menores, e o Parc des Princes é grande, então será ótimo para nosso time. Além disso, decidir a semifinal em casa, perto da nossa torcida, que sempre comparece, será muito bom. Espero poder chegar à final."

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