Como Susan Miller dominou o mundo

A norte-americana continua no auge com seu horóscopo, 20 anos depois de ficar famosa na internet

Susan Miller em sua foto de perfil no Facebook.
Susan Miller em sua foto de perfil no Facebook.

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No final dos anos noventa, Susan Miller se transformou, com a Astrologyzone.com, na astróloga mais famosa da internet – o novo meio que a mãe vislumbrara. E agora, mais de 20 anos depois, continua no auge sem se preocupar muito em evoluir com o frenesi dos novos tempos. Poderia-se esperar que a chegada das novas tecnologias tivesse transformado a leitura do futuro num algoritmo recém-descoberto. Mas o certo é que, na arte de prever o futuro no curto prazo, o método old school de Miller continua sendo imbatível.

É que a relação entre essa norte-americana e o eixo temporal é complicada. Seu site, o mais lido do gênero, parece ancorado nos desenhos primitivos da década em que foi criado. Embora se adapte aos formatos breves das numerosas revistas que pediram seus serviços para a sempre agradecida página do horóscopo (de SModa a Vogue Japão) e tenha 328.000 seguidores no Twitter, o que ela realmente gosta – e o que lhe dá sucesso – são os textos longos, cheios de tecnicismos e anotações extraídas da NASA. Daqueles que convencem você de que a previsão para o próximo mês é precisa – e, portanto, útil. “Minhas frases têm uma média de 23 palavras”, disse à The Cut. E as suas previsões online, quatro páginas em média.

Sua legião de fãs espera ansiosamente cada extensíssima previsão. Entre eles, Rihanna, Jerry Hall e a nonagenária e multimilionária nova-iorquina Gloria Vanderbilt, vizinha sua do bairro de Upper East Side, que inclusive pintou aquarelas para decorar alguns dos seus horóscopos. Por sua vez, o aspecto de Miller, apelidada de astróloga da moda, é bem mais próximo ao look de Oprah Winfrey e Martha Stewart. Ele prefere estar mais perto do povo, pois não há seis milhões de famosas dispostas a entrar em seu site ou baixar o aplicativo móvel que criou para ampliar os serviços.

Sua filosofia se limita a uma frase que disse numa entrevista a The Verge: “Sou sua amiga e, se vejo que um ônibus vai te atropelar, te dou um empurrão para tirar você do caminho”. Na mesma reportagem, disse que sua profissão, de fato, está ameaçada pelos hábitos do presente. “Sou dessas pessoas que não olham o telefone a cada cinco minutos. Realmente estou com você. Acho que você é muito simpático, e o melhor presente que pode dar a alguém é a sua atenção”, afirmou.

A ânsia dos fãs também lhe criou problemas. Foi num mês em que demorou uma semana para colocar as previsões em sua página – e desatou uma guerra. Eram os susanistas (seus críticos) contra os millaniacs (seus defensores). O motivo do atraso foi, de novo, sua saúde frágil, com a qual continua lutando desde que a mãe leu o seu futuro na cama. Mas suas conquistas continuam avançando, e seu mercado já deixou de ser majoritariamente norte-americano para conquistar legiões também no Brasil e na Turquia. Agora que os millennials na China não mostram tanto interesse nos anos do macaco e do dragão quanto nas constelações de Câncer e Capricórnio, num momento em que o grupo empresarial Meisheng Holding comprou a rede social de futurologia Uncle Tongdao por quase três milhões de dólares (9,3 milhões de reais), será que Miller também conquistará o mercado asiático?