GUERRA na SÍRIA

Terror em Damasco marca o sexto aniversário da guerra na Síria

Pelo menos 39 mortos e dezenas de feridos em dois atentados na capital síria

O Palácio da Justiça de Damasco, depois do atentado suicida desta quarta-feira.EFE

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Quatro dias depois de um atentado que deixou 74 mortos, o terror golpeou de novo o coração de Damasco quando se completa o sexto aniversário da guerra civil na Síria. Um terrorista suicida detonou nesta quarta-feira a carga explosiva que ocultava no movimentado Palácio da Justiça de Hamidiye, perto do bazar da capital. Pelo menos 39 pessoas, entre as quais 24 civis, foram mortas e várias dezenas ficaram feridas, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. O agressor, vestido com uniforme militar, provocou a explosão depois que a polícia tentou impedir sua entrada no edifício, de acordo com declarações de testemunhas. Um segundo atentado suicida ocorreu pouco depois em um restaurante do bairro de Rabue, situado a oeste de Damasco. A agência estatal de notícias SANA indicou que a explosão tinha deixado mais de duas dezenas de feridos.

Damasco estava vivendo uma relativa calma — interrompida por combates nos focos insurgentes de sua província — desde o cessar-fogo acertado em 30 de dezembro entre o regime do presidente Bashar al Assad e as milícias rebeldes, com a mediação da Rússia e Turquia. O grupo jihadista Tahrir al Sham, segunda representação da Frente al Nusra (filial da Al-Qaeda), se atribuiu no domingo o duplo ataque perpetrado no sábado contra peregrinos xiitas iraquianos perto de um cemitério que abriga mausoléus de religiosos venerados por esse ramo do islã, situado no centro histórico da capital.

O Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do maior atentado registrado na área de Damasco durante o conflito, que tirou a vida de 134 pessoas em fevereiro de 2016 nos lugares santos xiitas da mesquita de Sayeda Zeinab, um centro de peregrinação situado nos arredores do município. Tanto o Estado Islâmico como a filial da Al Qaeda foram excluídos das negociações de paz e dos sucessivos armistícios declarados durante a guerra.

A última ação terrorista ocorreu precisamente seis anos depois do início das manifestações contra o presidente Assad, cuja repressão violenta desencadeou a guerra civil. O conflito causou até agora 320.000 mortes e fez com que 145.000 pessoas tenham sido declaradas desaparecidas, segundo a contagem do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, ONG com sede no Reino Unido e que dispõe de uma rede de informantes no território sírio. Pelo menos cinco milhões de pessoas foram obrigadas a fugir do país e mais de seis milhões abandonaram suas casas por causa da guerra.

Os ataques terroristas em série vividos em Damasco nos últimos dias ameaçam torpedear o processo de diálogo aberto nas últimas semanas entre o Governo de Assad e as principais milícias e partidos da oposição para tentar pôr fim ao conflito. Somente um grupo rebelde, o Exército Livre Sírio, compareceu à rodada de conversações sobre o cessar-fogo em Astana, capital do Cazaquistão, iniciada na terça-feira sob a tutela da Rússia e Irã, aliados do regime de Damasco, por um lado, e da Turquia, que respalda os grupos rebeldes, por outro.

O mediador das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, convocou também para o dia 23 ambas as partes a retomarem as negociações de paz de Genebra, depois de ter conseguido pactuar no dia 2 a agenda para uma saída política a seis anos de guerra.

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