Discurso de Temer no Dia Internacional da Mulher

Temer reduz papel da mulher à casa e é alvo de protestos nas redes sociais

Declarações foram feitas enquanto marchas de mulheres ocorrem no Rio e em São Paulo

Michel Temer com a mulher Marcela, no Rio.
Michel Temer com a mulher Marcela, no Rio.Beto Barata/PR

As declarações de Temer destoam de outros momentos do discurso dele próprio no evento e da campanha majoritária no Dia da Mulher, que ressalta a luta pela igualdade de direitos, de salários e contra a discriminação e estigmatização, que liga o cuidado com a casa e aos filhos ao gênero feminino. De acordo com pesquisa divulgada nesta semana pelo governamental IPEA, apesar de trabalharem mais e também possuírem uma taxa de escolaridade maior que a dos homens, as mulheres seguem ganhando menos. Nas última duas décadas, mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas, enquanto a proporção de homens que se dedicam ao afazeres de casa ficou em torno de 50%.

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"Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher", disse o presidente, enquanto mulheres em várias cidades do país tomavam as ruas para protestar.

As declarações de Temer provocaram imediato protesto nas redes sociais. "Acho que o Michel Temer pegou o discurso de Dia da Mulher que o Marechal Deodoro deixou na gaveta", escreveu a jornalista e quadrinista Alexandra Moraes no Twitter, citando o primeiro presidente da República (1889-1891). "Que imbecil esse Michel Temer. Quem faz supermercado é mulher? Na minha casa eu que faço Há muitos anos", escreveu o escritor Marcelo Rubens Paiva. O site humorístico de grande audiência Sensacionalista também não perdoou: "Temer exalta importância da mulher no supermercado e isso não é coisa do Sensacionalista".

Não é a primeira vez que o presidente, que chegou ao poder por ser vice da primeira mulher eleita presidente do Brasil, Dilma Rousseff, deposta no impeachment, se coloca na berlinda por ações ou declarações vistas como machistas. Ele assumiu em maio de 2016 sem colocar nenhuma mulher no gabinete. Agora, das 28 pastas ministeriais, há duas mulheres: uma na Advocacia-Geral da União e outra em Direitos Humanos.

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