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Agora, sim: Feliz 2017!

O carnaval acabou e o ano de 2017, enfim, vai começar

Joédson Alves (EFE)
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O governo do presidente não eleito, Michel Temer, deve perder, em breve, o seu ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha – licenciado por razões médicas -, envolvido em denúncias na Operação Lava Jato. Padilha, que também foi ministro nos governos Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, poderá ser o sétimo membro do primeiro escalão a ser afastado por suspeita de corrupção em apenas sete meses, um recorde na história republicana. É bom lembrar que Temer assumiu a Presidência da República apoiado por movimentos que se proclamavam fartos da imoralidade no Poder Público...

Mas, infelizmente, esse não é o maior dos nossos males. Este ano, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas no país, deverá ser pífio – algo em torno de 0,6%, segundo o relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2017, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, a taxa de desemprego, que em janeiro alcançou 12,6% da população economicamente ativa, equivalente a 12,9 milhões de pessoas, deverá ampliar-se ainda mais. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) projetava, em janeiro, que o número de trabalhadores sem emprego chegaria a 13,6 milhões de pessoas até dezembro, cálculo que agora parece subestimado. O índice de desemprego no Brasil representa mais que o dobro da média global, que é de 5,5%.

Pesquisa da consultoria Euromonitor Internacional concluiu que, entre 2005 e 2016, o valor da hora de trabalho paga no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70, na média, enquanto na China triplicou no mesmo período, chegando a US$ 3,60. O salário mínimo nacional – destinado a suprir as necessidades de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social de uma família de quatro pessoas – é de R$ 937,00 por mês, que daria para comprar hoje pouco mais de duas cestas básicas. Conforme o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor do salário mínimo, para cumprir os preceitos constitucionais, deveria corresponder a pelo menos quatro vezes mais.

No entanto, segundo estudo do professor Rodolfo Hoffman, da Universidade de São Paulo (USP), divulgado pelo jornal Correio Braziliense, no primeiro trimestre do ano passado cerca de 23,4% da população economicamente ativa vivia com menos de um salário mínimo mensal, um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2012. Por conta da brutal recessão, até o final do ano serão adicionadas 3,6 milhões de pessoas ao grupo que vive na linha de pobreza, ou seja, com renda entre 1 e 2 dólares por dia. Com isso, teremos um total de 29,6 milhões de pessoas vivendo em situação de pobreza, segundo dados do Banco Mundial. Esses números representam uma reversão na tendência que vinha sendo observada: entre 2001 e 2014, a pobreza extrema no Brasil – pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia - havia declinado de 13,6% do total da população para 3,7%, por conta dos programas de transferência de renda.

O resultado disso tudo, além da evidente ampliação da miséria, é a elevação do risco de confrontos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) possui um Índice de Agitação Social, calculado a partir de informações a respeito de manifestações de rua, bloqueio de vias, boicotes e rebeliões, que busca refletir a insatisfação da população com fatores como mercado de trabalho, condições de vida e processos democráticos. Em 2016, este índice, no Brasil, avançou 5,5 pontos percentuais, enquanto crescia 0,7 pontos percentuais, em média, no resto do mundo.

E tem gente que acredita que podemos resolver os problemas do Brasil a tiros!

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