Eleições no Equador

Equador se prepara para realizar o segundo turno em 2 de abril

Autoridade eleitoral anuncia, com 95% dos votos apurados, que já não é possível uma mudança na tendência

Funcionários da autoridade eleitoral abrem uma caixa com atas da eleição presidencial em Quito.
Funcionários da autoridade eleitoral abrem uma caixa com atas da eleição presidencial em Quito.RODRIGO BUENDIA (AFP)

O Equador se prepara para realizar o segundo turno da eleição presidencial em 2 de abril. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a autoridade responsável pela supervisão do processo, anunciou que, com 95% dos votos apurados, “a tendência é clara e está estabelecida”. Assim, o candidato de Rafael Correa, Lenin Moreno, e o conservador Guillermo Lasso voltariam a competir. “A tendência não poderia mudar, porque está bem marcada”, reconheceu Juan Pablo Pozo, presidente do CNE, que, de qualquer maneira, insistiu que os resultados não são definitivos. Moreno possui, por enquanto, 39,21% dos votos e não supera a marca dos 40% que evitaria o segundo turno. Lasso tem 28,35%. Questionado se essa tendência é irreversível, Pozo disse: “Realmente, é uma tendência bem marcada”. O porta-voz da autoridade eleitoral também admitiu que “não é possível” que, com os votos que ainda falta contar, a tendência seja invertida.

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Dois dias após o encerramento da votação e de uma espera que manteve os eleitores em suspense, os equatorianos vão enfrentar, salvo surpresas, outra votação na qual terão de escolher entre Moreno e Lasso, que vai tentar capitalizar o voto dos outros líderes da oposição e seus seguidores. A candidata do Partido Social Cristão, Cynthia Viteri, que ficou em terceiro lugar nas eleições, já anunciou o seu apoio a Lasso. A realização do segundo turno é um duro golpe para o projeto político do presidente atual, já que isso não acontecia desde 2006. A desaceleração econômica dos últimos anos e a própria decisão de Correa de não concorrer estão, segundo analistas, entre as causas.

Os líderes da oposição equatoriana intensificaram a pressão na terça-feira sobre o Governo atual e exigiam já a realização de um segundo turno. Os resultados oficiais das eleições presidenciais de domingo ainda não eram conhecidos, mas vários líderes tinham levantado suspeitas de fraude, embora sem acusações concretas. A contagem não mudou por enquanto a tendência inicial: Moreno ainda lidera, mas falta poucos décimos para atingir os 40% e evitar uma segunda votação. A autoridade eleitoral do país anunciou na segunda-feira que iria demorar “uma média de três dias” para publicar os dados finais, embora tenha dado a entender que poderiam ser conhecidos na terça-feira, e foi o que aconteceu.

O atraso e a incerteza sobre a realização do segundo turno tinham aumentado a tensão no país andino entre os principais candidatos e simpatizantes dos partidos políticos. Desde a noite de domingo ocorreram concentrações em Quito e Guayaquil na frente das sedes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a autoridade responsável pela eleição. O prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, do PSC, chegou a defender “uma grande marcha” de protesto e classificou a situação no Equador de “grave e urgente”. O próprio Lasso declarou: “Que demorem três dias para dar os resultados finais é uma tentativa de fraude e não vamos permitir isso”. E Moreno assegurou em seu perfil no Twitter que está disposto ao diálogo. “Minha mão está estendida para continuar avançando com aqueles que querem um país grande, justo, solidário, unido, de irmãos e em paz”, escreveu.

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