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Trump enfrenta uma crise internacional sob o olhar atento das redes sociais

Fotos publicadas nas redes revelam erros de segurança durante o jantar com o presidente japonês

Os sócios do clube do presidente Donald Trump em Mar-a-Lago (Flórida) levaram, no último sábado, algo mais que a lembrança de ter jantado a poucos metros do mandatário republicano, sua mulher, e seus homólogos japoneses. Um punhado de fotos postadas nas redes sociais por vários presentes revelaram que Trump conversou com seus assessores – assim como também fez Shinzo Abe – ao ar livre, iluminando documentos com as luzes dos celulares para depois realizar uma conferência de imprensa conjunta na qual nem mesmo leu o comunicado preparado por seus assessores.

Os líderes de EUA e Japão no jantar na última segunda-feira, dia 13, no clube de Mar-a-Lago.
Os líderes de EUA e Japão no jantar na última segunda-feira, dia 13, no clube de Mar-a-Lago. REUTERS

Este último detalhe ficou conhecido porque fotógrafos presentes também puderam tirar fotos do papel que estava nas mãos de seus assessores antes que o presidente se aproximasse do pódio. Essa aparição foi em resposta à primeira crise diplomática que Trump enfrenta em seu mandato. A notícia de que a Coreia do Norte tinha lançado um míssil no mar do Japão chegou apenas uma hora antes do início do jantar, que não foi cancelado. Conforme informou em primeiro lugar a rede CNN, Trump teve tempo mais tarde para cumprimentar um casal recém-casado que comemorava a boda em um dos salões adjacentes.

Embora Trump insista em chamar seu clube da Flórida de “Casa Branca de Inverno”, as instalações não têm a proteção de segurança que existe na residência em Washington. A mídia dos EUA relatou o desafio que significa para o serviço secreto que o resort seja acessível por terra, mar e ar, mas agora enfrenta outro obstáculo: o desejo dos convidados presentes nos jantares do presidente de registrarem esses eventos na Internet.

Imagens publicadas por um dos participantes do jantar no jardim de Mar-a-Lago.
Imagens publicadas por um dos participantes do jantar no jardim de Mar-a-Lago.

“Enquanto os ricos membros de Mar-a-Lago olhavam de suas mesas, e ao mesmo tempo que era possível ouvir a música de um pianista ao fundo, o jantar se transformou em uma sessão de estratégia, com o todo o processo de tomada de decisão revelado aos participantes”, revelou a CNN depois de entrevistar várias testemunhas. Os garçons, disse outro deles, “retiraram a salada e trouxeram o prato principal enquanto Trump e Abe ainda consultavam seus assessores”.

É o mesmo que mostraram as fotos postadas no Facebook por Richard DeAgazio, cujo perfil foi desativado na própria segunda-feira. “Foi fascinante ver a intensa atividade durante o jantar, quando ficamos sabendo que a Coreia do Norte tinha lançado um míssil em direção ao Japão”, escreveu DeAgazio ao lado de uma foto na qual é possível ver Abe lendo um documento à luz de um celular, outra com Trump falando por um celular na mesma mesa e a última na qual falam com todos seus assessores na presença de suas esposas. “Os dois líderes mundiais falaram e foram juntos para outra sala para a conferência de imprensa. Uau.... O centro da ação!!!”.

Na semana passada, o Governo Trump já despertou duras críticas quando um senador democrata detectou que nesta foto tirada pela agência Associated Press no Salão Oval era possível ver uma das pastas do Presidente que contém informações confidenciais à vista e ainda com a chave do cadeado. Naquele momento, além disso, estavam presentes pessoas que não são parte da equipe do presidente.

Especialistas em segurança explicaram ao jornal The Washington Post que essas práticas representam um risco muito alto de segurança tanto para o presidente como para o país. Na Flórida, os dois líderes conversaram perto de garçons e outras pessoas que estavam jantando, e os telefones de qualquer um dos presentes –suas câmaras, seus microfones – podem ser controlados por hackers e usados para gravar o que aconteceu, incluindo documentos confidenciais.

DeAgazio é o responsável por outra revelação quase tão grave como a anterior. O sócio de Mar-a-Lago – ser sócio custa 200.000 dólares e o jantar do sábado, 14.000 – posou em outra foto com um dos agentes responsáveis por carregar a mala com os códigos nucleares dos EUA. Apenas cinco membros do Exército fazem parte deste seleto grupo que se reveza para acompanhar o presidente onde ele for. Os comentários postados na fotografia são uma coleção de especulações entre os participantes sobre o conteúdo de uma mochila vista no jantar, que era azul e um dos portadores responde pelo nome de Rick.

Após concluir a breve aparição em resposta à crise iniciada pela Coreia do Norte, Trump e Abe foram juntos para outra sala do resort. Lá posaram com as damas de honra de um casamento realizado no mesmo dia. “Vi vocês nos jardins”, disse Trump. “Disse ao primeiro-ministro do Japão, vamos Shinzo, vamos cumprimentá-los”. O presidente acrescentou que os recém-casados eram membros do clube há muito tempo. “Me pagaram uma fortuna”.

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