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11 estrelas da música confessam que estiveram clinicamente mortas

Um dos músicos chegou a ser declarado morto. Outro diz: “Percebi que havia abandonado meu corpo”

Ozzy Osbourne em um concerto de 2008 em Sidney, Austrália.
Ozzy Osbourne em um concerto de 2008 em Sidney, Austrália. Cordon

A história da música em geral, e do rock em particular, está cheia de mortes trágicas resultantes do uso abusivo e descontrolado de todos os tipos de substâncias que causam dependência. Muitos talentos se perderam no caminho por não serem capazes de sair dessa infeliz espiral que acaba engolindo aqueles que não percebem a tempo que esse perigoso flerte, muitas vezes, não tem volta. A menos que seja Keith Richards, claro.

No outro extremo, há muitos famosos que têm se mantido eternamente limpos. E há ainda um outro grupo, este sim mais reduzido, de músicos que acabaram se queimando de tanto brincar com fogo, ainda que, no último minuto, foram abençoados com uma nova oportunidade. Falamos sobre aqueles que tiveram experiências tão próximas à morte que, de fato, foram declarados clinicamente mortos por alguns segundos ou mesmo minutos, segundo suas próprias confissões. Confira os relatos:

Apesar de todos os excessos cometidos, Ozzy Osbourne escapou da morte depois de um acidente quando dirigia um quad, no qual fraturou o pescoço, a clavícula e oito costelas.
Apesar de todos os excessos cometidos, Ozzy Osbourne escapou da morte depois de um acidente quando dirigia um quad, no qual fraturou o pescoço, a clavícula e oito costelas. Getty

1. OZZY OSBOURNE: salvo por seu guarda-costas

As memórias de Ozzy Osbourne (Birmingham, Reino Unido, 1948), I am Ozzy, estão entre as mais alucinantes do rock devido, principalmente, aos seus excessos inclassificáveis e não quantificáveis de todos os tipos. Surpreendentemente, o roqueiro esteve mais perto da morte em um acidente em 2003, quando dirigia um quad (veículo de quatro rodas parecido com uma motocicleta). “Os médicos me disseram que estive morto por algum tempo”, disse o cantor.

Depois de capotar, a moto caiu por cima de Ozzy, que fraturou o pescoço, a clavícula e oito costelas. Seus pulmões se encharcaram e ficou sem respirar e sem pulso por mais de um minuto, como revelado depois por sua esposa Sharon, segundo a qual o músico foi reanimado por seu guarda-costas pessoal.

Ozzy recorda o episódio desta forma em sua louca autobiografia: “Tenho uma vaga lembrança do meu guarda-costas colocando-me em sua moto e levando-me através dos campos. Depois me lembro de estar em uma ambulância e de um monte de médicos me examinando. Além disso, ao fraturar a clavícula, a artéria principal do braço se rompeu, de modo que o sangue não circulava e, por um tempo, pensaram que teriam de amputá-lo. Então, me submeteram a um coma induzido quimicamente para suportar a dor”.

O vocalista do Depeche Mode sofreu uma overdose em 1996 que lhe deixou clinicamente morto durante dois minutos. Ao relatar sua experiência, declarou que sentiu como se sua alma tivesse abandonado o corpo.
O vocalista do Depeche Mode sofreu uma overdose em 1996 que lhe deixou clinicamente morto durante dois minutos. Ao relatar sua experiência, declarou que sentiu como se sua alma tivesse abandonado o corpo. Getty

2. DAVE GAHAN (Depeche Mode): morto por dois minutos

Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode, afirma que esteve clinicamente morto por dois minutos, depois de uma overdose ocorrida em 1996, em um quarto do famoso Sunset Marquis Hotel, em Los Angeles. “Estava flutuando logo abaixo do teto e podia observar o que acontecia embaixo de mim, com a equipe médica correndo em volta do meu corpo para tentar me salvar”, disse em 2013 ao jornal alemão Bild am Sonntag.

E acrescentou: “Gritei que não estava lá embaixo, e sim em cima. Acredito que foi minha alma que gritou depois de deixar o corpo e que testemunhou o que acontecia com meu corpo. Os segundos pareciam horas, e o medo e a escuridão me rodearam de repente, como se alguém tivesse apagado a luz”. Gahan foi salvo quando os médicos já se rendiam à evidência de que o haviam perdido.

Os médicos precisaram de um desfibrilador para reanimar Slash.
Os médicos precisaram de um desfibrilador para reanimar Slash. Getty

3. SLASH (Guns N'Roses): “Meu coração parou por oito se minutos”

Agora afirma que está mais tranquilo, mas o guitarrista do Guns N’Roses sabe bem o que é passar dos limites. Um episódio bem excessivo na vida de Slash ocorreu em 24 de setembro de 1992, quando, depois de um concerto no Oakland Stadium, fez uma boa farra com uma velha amiga e seu namorado.

Assim relatou em sua autobiografia: “Começamos [a nos drogar] e o fizemos com vontade de ficar muito ‘chapados’. Me levanto, meus joelhos tremem, minha cabeça roda... Saio do quarto, arrasto os pés pelo tapete, percebendo que estou tonto e não posso falar. Abro a porta, não controlo nada. Vejo uma senhora da limpeza e pergunto pelo elevador, mas ouço minha voz muito distante. Caí no chão do corredor como um boneco. Perdi a consciência, e meu coração parou durante oito minutos... Acordei quando os desfibriladores bateram no meu peito e recarregaram meu coração para que pudesse bater. Lembro da luz intensa nos meus olhos e de um círculo de pessoas ao meu redor”.

A gota d’agua que este incidente causou no clima ruim entre o Guns N’Roses levou o vocalista Axl Rose a convocar uma reunião do grupo para avaliar a situação: “Foi um bom susto, pensávamos que você havia morrido. Pensei que teria de buscar um novo guitarrista”.

No final dos anos oitenta, uma farra de vários dias em Los Angeles levou o baixista do Motley Crüe ao hospital. Sua morte chegou a ser noticiada por uma rádio.
No final dos anos oitenta, uma farra de vários dias em Los Angeles levou o baixista do Motley Crüe ao hospital. Sua morte chegou a ser noticiada por uma rádio. Cordon

4. NIKKI SIXX (Mötley Crüe): “Percebi que havia abandonado meu corpo

Em plena loucura dos anos oitenta, em 23 de dezembro de 1987, o baixista Nikki Sixx, do Mötley Crüe, foi para a farra por Los Angeles com amigos como Robbin Crosby, Slash (claro) e “alguns do Megadeth”, como ele mesmo conta na autobiografia de sua banda, The Dirt. Em seu afã de perpetuar a farra, exagerou, claro. “Quando abri os olhos, estava de costas e alguém me levava por uma espécie de corredor. 'Nós o estamos perdendo!', disse uma voz. Para minha surpresa, me levantei sem esforço, como se nada tivesse acontecido. Senti como se uma força muito amigável estivesse agarrando minha cabeça e puxando para cima. Sobre mim, tudo era um branco brilhante. Olhei para baixo e percebi que havia abandonado meu corpo”.

Mas um enfermeiro o trouxe de volta a seu corpo em plena ambulância não com uma, e sim com “duas injeções de adrenalina”, ao estilo de Pulp Fiction. “Tinha uma cravada no lado direito do peito, e a outra saltava do esquerdo”, lembra o baixista, que esteve morto por dois minutos antes de voltar de onde tinha estado. Ainda sem se recuperar e com a polícia interrogando-lhe, uma rádio espalhou a notícia de sua morte.

O vocalista do Pantera esteve cinco minutos clinicamente morto.
O vocalista do Pantera esteve cinco minutos clinicamente morto. Getty

5. PHIL ANSELMO (Pantera): me arrependo

No momento de maior sucesso comercial e maior popularidade do Pantera, depois de lançar os discos Far Beyond Driven (1994) e The Great Southern Trendkill (1995), o vocalista Phil Anselmo sofreu uma overdose. Foi no camarim do Starplex Arena, em Dallas (Texas), em 13 de julho de 1996. Foi declarado clinicamente morto ali mesmo por quase cinco minutos, depois de ter uma parada cardíaca.

A sorte estava a seu lado. Os paramédicos conseguiram reanimá-lo, se recuperou e emitiu um comunicado quatro dias depois: “Eu, Philip H. Anselmo, injetei uma dose letal de heroína em meu braço e estive morto por quatro ou cinco minutos. Vejo isso como um sinal de que não posso mais ser irresponsável. Não posso voltar a essa etapa infantil, na qual as pessoas têm de cuidar de mim. Tenho muito trabalho a fazer para desperdiçar todo o tempo”. Além desta declaração, o cantor acabou pedindo desculpas publicamente em várias entrevistas.

Problemas com a anestesia em uma operação no joelho levaram Josh Homme a estar clinicamente morto durante breves instantes.
Problemas com a anestesia em uma operação no joelho levaram Josh Homme a estar clinicamente morto durante breves instantes. Cordon

6. JOSH HOMME (Queens of the Stone Age): “Nós o perdemos!”

O sexto álbum do Queens of the Stone Age, ...Like Clockwork (2013), chegou seis anos depois de seu predecessor, e não foi precisamente porque o líder do grupo, Josh Homme, estava em uma farra perpétua. Muito pelo contrário. Tudo se complicou em 2010 por problemas com a anestesia durante uma cirurgia de rotina no joelho, que o levaram a ser declarado clinicamente morto na mesa de operação por alguns instantes.

“Acordei e lá estava o médico dizendo: ‘Merda, havíamos perdido você’. Não pude levantar da cama durante meses e os dois anos seguintes foram de frustração e angústia”, disse em 2013 ao jornal The Independent, acrescentando que, na realidade, esse período ruim lhe ajudou a “entender quais são as coisas realmente importantes da vida”.

7. AL JOURGENSEN (Ministry): morte declarada em três ocasiões

O líder da banda de metal industrial Ministry, Al Jourgensen, é outro dos grandes sobreviventes da música de nosso tempo. Por causa de seus enormes excessos, afirma em suas memórias que sua morte foi oficialmente declarada por três vezes.

“Três, sei disso com certeza”, destacou em 2013 em declarações ao site Loudwire, quando lançou a biografia Ministry: The Lost Gospels According to Al Jourgensen. E acrescentou que o coautor, o jornalista Jon Wiederhorn, “até mesmo rastreou os hospitais e encontrou relatórios de sua morte em salas de emergência”.

“Estive morto por três vezes. Uma deles reconheço que provocou uma mudança em mim do ponto espiritual, no qual você sabe que existe vida após a morte. Nas outras duas, acho que estava muito fodido para saber que estava morto”, comentou com senso de humor macabro.

Um terrível acidente de carro levou o baterista do Slade a um coma de seis dias, no qual seu coração parou de bater duas vezes.
Um terrível acidente de carro levou o baterista do Slade a um coma de seis dias, no qual seu coração parou de bater duas vezes. Getty

8. DON POWELL (Slade): o coração parou de bater

O baterista do grupo britânico de glam rock Slade desfrutava dos bons momentos no verão de 1973, quando, depois de sair de uma festa onde havia bebido, sofreu um terrível acidente com seu novo Bentley, no qual sua namorada morreu. Foi levado ao Royal Wolverhampton Hospital por uma ambulância que foi chamada por duas enfermeiras que passavam providencialmente pelo local.

9. EMINEM: morto por alguns minutos

O rapper confessou que, durante uma recaída no vício, sofreu uma overdose de pílulas e foi declarado clinicamente morto.
O rapper confessou que, durante uma recaída no vício, sofreu uma overdose de pílulas e foi declarado clinicamente morto. Cordon

O rapper confessou em 2009 que, durante uma recaída de sua dependência de drogas, sofreu uma overdose de pílulas que conseguiu por meio de um conhecido. “Acontece que essas pílulas eram metadona. Se soubesse, provavelmente as não teria tomado, mas também não tenho certeza sobre isso. Meu médico disse que a quantidade de metadona que eu havia ingerido era o equivalente a quatro sacos de heroína. Tive uma overdose e estive morto por alguns minutos”, disse Eminem à Vibe Magazine.

10. AARON LAZAR (The Giraffes): como sobreviver a uma morte cardíaca súbita

Enquanto conduzia pela Manhattan Bridge em 2005, o líder do The Giraffes sofreu uma morte cardíaca súbita. “Sabe quando você dá uma tragada em seu primeiro cigarro? Esse golpe de nicotina que recebe, essa náusea. Foi assim, mas com uma visão do túnel que avançava continuamente”, disse em 2009 à New York Magazine.

Seu corpo ficou deitado sobre o volante, e sua namorada, apavorada, chamou uma ambulância na qual a vida de Lazar foi salva, na primeira vez, com um desfibrilador. No entanto, no Beth Israel Hospital, seu coração parou de novo, e os médicos disseram à família que provavelmente não passaria daquela noite.

Mas não era esse seu final e, na manhã seguinte, recuperou a consciência. Os médicos lhe disseram então que havia morrido duas vezes, e que fazia parte da pequena porcentagem de cinco por cento das pessoas que sobrevivem à síndrome conhecida como morte cardíaca súbita. Na época, tinha 27 anos, e os The Giraffes, banda do Brooklyn, continua ativa.

Taylor Hawkins, do Foo Fighters, esteve duas semanas em coma. Seu colega de banda Dave Grohl velou por ele durante aquele período.
Taylor Hawkins, do Foo Fighters, esteve duas semanas em coma. Seu colega de banda Dave Grohl velou por ele durante aquele período. Getty

11. TAYLOR HAWKINS (Foo Fighters): duas semanas em coma

Continua sendo uma fera com as baquetas, mas Taylor Hawkins é um homem muito mais centrado do que há 15 anos, quando gostava de ir para a farra e a luz do dia e o reflexo da lua não faziam diferença em suas pupilas. Esses excessos o levaram a passar duas longas semanas em coma em 2002, por causa de uma overdose. Seu (então e atual) colega de banda e amigo Dave Grohl sentou ao lado de sua cama durante esse período obscuro, até que o baterista do Foo Fighters finalmente acordou.