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Rebelião em presídio do Rio Grande do Norte deixa ao menos 26 mortos

Autoridades locais não confirmam relação com os massacres de Amazonas e Roraima

Autoridades recolhem corpos na Penitenciária de Alcaçuz após a rebelião.
Autoridades recolhem corpos na Penitenciária de Alcaçuz após a rebelião. AFP

A crise nos presídios brasileiros ganhou mais um trágico capítulo neste fim de semana. Após os grandes massacres com dezenas de mortos em Amazonas e Roraima, uma rebelião na Penitenciária de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal (RN), somou 26 óbitos ao número de vítimas da barbárie carcerária que concentra as atenções do país desde o início do ano. Os relatos dão conta de que, a exemplo do que ocorreu nos presídios de Anísio Jobim, em Manaus, e Monte Cristo, em Roraima, o confronto entre detentos deixou corpos decapitados e mutilados.

Mesmo antes de saber o que encontrariam dentro do presídio, as autoridades locais alugaram um caminhão frigorífico para abrigar os corpos das vítimas. O desenrolar da crise penitenciária, que é alimentada pelo confronto entre três facções, leva a crer que o motim iniciado no sábado e controlado apenas na manhã deste domingo dá sequência à série de vinganças desencadeadas desde que 56 presidiários foram executados no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no dia 2 de janeiro. Naquela ocasião, a maioria dos mortos pertencia ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Quatro dias depois, 31 detentos teriam o mesmo destino fatal na penitenciária Agrícola de Monte Cristo — desta vez, a maioria dos mortos estava ligada à Família do Norte e ao Comando Vermelho. As mortes deste fim de semana marcariam, portanto, o troco contra o PCC. Mas as autoridades não fazem essa conexão. "Não há confirmação de relação, mas com certeza as rebeliões naqueles presídios incentivaram o que aconteceu aqui", disse o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, em entrevista coletiva.

O Governo do Rio Grande do Norte identificou pelo menos seis líderes da rebelião no presídio, que durou cerca de 14 horas e ainda deixou nove detentos feridos gravemente. De acordo com as autoridades locais, o Governo vai pedir a transferências dos líderes para presídios federais. Outros detentos seriam transferidos ainda neste domingo para outras unidades prisionais do estado.

O presidente Michel Temer disse, por meio das redes sociais, que acompanha a situação da rebelião no Rio Grande do Norte e informou que determinou ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que "prestasse todo o auxílio necessário ao Governo do Estado". Moraes tem reunião marcada para a próxima terça-feira com todos os secretários estaduais de segurança do país para tratar da crise prisional. Após mais um massacre de grande repercussão — o número de mortes nos presídios brasileiros neste ano já ultrapassa a centena — a reunião ganha ainda mais relevância.

Na esteira de mais um massacre, o Governo de Alagoas resolveu transferir 600 detentos de unidade prisional neste domingo. Segundo as autoridades locais, teria sido identificada uma "anormalidade" por meio de um trabalho de inteligência. A segurança também foi reforçada nas três unidades prisionais em questão e as visitas de familiares foram suspensas. Do total de transferidos, 500 foram conduzidos para a nova penitenciária de segurança máxima de Alagoas.

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