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Trump: “Meryl Streep é atriz supervalorizada e lacaia de Hillary Clinton”

Presidente eleito reage a ataque feito pela estrela de cinema na entrega do Globo de Ouro

Meryl Streep, durante seu discurso no Globo de Ouro.
Meryl Streep, durante seu discurso no Globo de Ouro. EFE

Para meio mundo, ela é a maior atriz viva do cinema. Para Donald Trump, porém, apenas “uma das atrizes mais supervalorizadas de Hollywood”. Com essas palavras, o presidente eleito dos EUA se referiu a Meryl Streep, que o criticou, sem sequer mencionar seu nome, na noite deste domingo durante a cerimônia de entrega do Globo de Ouro. Como tem sido habitual, Trump deu sua resposta pelo Twitter: "Ela não me conhece, mas me atacou. É uma lacaia de Hillary [Clinton], que perdeu de longe”.

O magnata procurou também desmentir a razão pela qual Streep o colocou como alvo. A atriz lembrou que Trump “ zombou de um jornalista com necessidade4s especiais” e acrescentou: “Falta de respeito gera mais falta de respeito. Violência gera mais violência”. Em um conjunto de três tuites, o presidente eleito contou a sua versão, oposta a essa, do caso: “Pela 100ª vez. Nunca gozei dele (jamais o faria). Apenas lhe mostrei o quanto ele agiu de forma rasteira ao mudar totalmente uma história de 16 anos atrás para me fazer parecer uma pessoa má. De novo os meios de comunicação desonestos”.

Antes, ele havia dito ao The New York Times que não tinha nem sequer ouvido o discurso de Streep. A reação do presidente eleito provocou, por sua vez, reações de milhares de usuários do Twitter, com a hashtag “Coisas que Trump acha que estão supervalorizadas”: “Ler, Mozart, Os fatos...”. É provável que o magnata tenha reagido principalmente por causa da repercussão do pronunciamento da atriz. A plateia presente se levantou para aplaudir o discurso de Streep, que, aos 67 anos, estava recebendo um prêmio honorário, o nono Globo de Ouro de sua carreira. Depois da exibição de um vídeo sobre sua carreira extraordinária, Streep pregou a integração cultural, defendeu “Hollywood, a imprensa e os estrangeiros” e lembrou que a meca do cinema foi construída justamente com a chegada dos imigrantes. Rememorou as raízes de vários dos presentes ao evento: Ruth Negga, de origem irlandesa e etíope; Natalie Portman, israelense; Dev Patel, britânico, filho de imigrantes hindus e nascido no Quênia; Ryan Gosling, canadense. Seu discurso foi de longe o mais comentado nas análises e comentários nas redes sociais após a cerimônia, inclusive pela referência que fez a Carrie Fischer, que havia lhe dito: “Pegue o seu coração partido e o transforme em arte”.

Em julho do ano passado, Meryl Streep havia feito um outro discurso emocionado, em apoio à candidatura presidencial de Clinton. A atriz lembrou, na ocasião, que os democratas fizeram história ao votar em Obama e poderia fazer história mais uma vez se Hillary Clinton se tornasse a primeira mulher a ocupar a Casa Branca. “Hillary será a primeira, mas não a última”, profetizou.

Na cerimônia deste domingo, Streep também se encarregou de preencher a lacuna deixada pelo apresentador, Jimmy Fallon. Diante da grande expectativa que havia em relação à primeira cerimônia de peso televisionada desde a vitória de Trump, muitas pessoas haviam pedido ao comediante que fizesse piadas mais fortes e políticas, coisa que ele, na verdade, nunca fez ao longo de sua carreira. Fallon se limitou a apenas uma frase de mais destaque: “Este é o Globo de Ouro, um dos poucos lugares nos Estados Unidos onde ainda se honra o voto popular”, referindo-se ao fato de que Trump foi eleito presidente pelo Colégio Eleitoral com menos votos, entre a população, que Hillary Clinton.

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