Explosão no México

Explosão em mercado de fogos de artifício no México deixa ao menos 32 mortos

Tragédia aconteceu em Tultepec e deixou 72 pessoas feridas e 12 desaparecidos

Homem caminha entre os escombros, após a tragédia.
Homem caminha entre os escombros, após a tragédia.Eduardo Verdugo (AP)

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Não fumar. Os cartazes de alerta estão por todos os lados no mercado de fogos de artifício de San Pablito Tultepec, uma área do tamanho de um campo de futebol. Dentro, o cenário é de uma pós-guerra nuclear. Vigas de metal calcinadas e retorcidas, muros de cimento derretidos, guindastes separando escombros como se fossem carvão. Trezentas toneladas de explosivos foram detonadas nesse pequeno vilarejo do Estado do México, (México) na tarde desta terça-feira, quatro dias antes do Natal, causando a morte de pelo menos 32 pessoas e ferindo outras 72, além de 12 desaparecidos. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas. Uma das poucas fachadas que ainda está de pé se chama El Trineo. Na placa, antes vermelha e agora preta, pode-se ver um Papai Noel gordinho com as bochechas rosadas.

Diana Angélica e sua família tinham acabado de chegar ali quando teve início a explosão. “Ouvimos os primeiros foguetes explodindo e saímos correndo pelo corredor. Tinha muita gente. Agarrei minha filha de 11 anos e de repente ‘bum’, sentimos uma explosão muito forte nas costas, como um bujão de gás”. A detonação os fez saltarem no ar e os empurrou em direção à cerca. “Caímos junto com outras pessoas, mas conseguimos sair”. Era por volta das 15h (hora local) e a detonação em cadeia duraria mais de uma hora, pintando o céu com uma espessa fumaça branca.

Quatro helicópteros do Exército e efetivos da polícia estadual e federal participaram do resgate. Durante toda a tarde, três tendas de campanha foram improvisadas para atender familiares e amigos das vítimas. O marido e o filho mais velho de Diana estão entre os desaparecidos. As autoridades disponibilizaram um número de telefone para tentar agilizar a identificação das vítimas. Foi solicitado aos familiares que tragam exames de sangue a fim de acelerar a identificação genética. Alguns corpos estão carbonizados. Os feridos foram distribuídos pelos hospitais da região.

O mercado de pirotecnia de San Pablito, como é conhecido na região, é um dos maiores do México. Não é a primeira vez que há acidentes ali. Em 2005 e 2006, detonações na esplanada, com mais de 300 quiosques, deixaram dezenas de feridos. Já neste ano, três pessoas morreram e 13 ficaram feridas por explosões de rojões. O Instituto Mexicano de Pirotecnia interveio depois do incidente. “As lojas estão perfeitamente desenhadas e com espaço suficiente para que não se dê uma conflagração em cadeia em caso de uma fagulha”, disse a instituição.

Martín Patiño é um dos bombeiros de Tultepec que passaram mais de uma hora jogando água no material explosivo. “Foi muito complicado controlar o fogo. O pior é a onda expansiva, a reação em cadeia de tanta pólvora e tanto alumínio. Enquanto não se consumir não há nada a fazer”, conta, com a cara ainda suja. O bombeiro concorda que o local cumpria as normas de segurança. Os corredores, agora imperceptíveis, são largos e cobertos de tezontle, uma pedra local à prova de fogo, e há também cartazes de “proibido fumar” e “proibido provar”. “Os comerciantes são proibidos de testar os materiais. Tem gente que pede, porque quer ver se a mecha funciona. Nem sempre [os vendedores] recusam”, diz Patiño. Ainda não há confirmação oficial sobre a causa da explosão.

A pirotecnia é negócio e tradição em Tultepec, uma pequena cidade de 40.000 habitantes. Juan Carlos Amado é da terceira geração de vendedores de rojões. Nesta terça-feira, não tinha ido trabalhar. Mas a quarta geração foi. Seu filho Saúl, de 15 anos, começou a jornada às 8h, e seu pai o esperava de volta em casa às 20h. Mas a pista de Saúl se perdeu no meio do incêndio.