Eleições na França

Hollande anuncia que não será candidato à reeleição

Presidente da França comunica em pronunciamento na tevê que não participará das eleições

François Hollande, nesta quinta-feira durante seu comparecimento televisada. REUTERS | REUTERS

François Hollande não disputará um segundo mandato presidencial. O anúncio foi feito na quinta-feira numa solene declaração televisionada à nação, no mesmo dia em que foi declarada oficialmente aberta a campanha para as primárias abertas da esquerda. Com baixíssima popularidade, Hollande é o primeiro presidente da V República a desistir de lutar por um segundo mandato.

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“Não perdi a lucidez e decidi não ser candidato à eleição presidencial”. Com essa frase, que foi completada com seu desejo expresso de não dividir ainda mais a esquerda, Hollande jogou a toalha. De passagem, escancarou ao seu primeiro-ministro, Manuel Valls, a possibilidade de ser ele o candidato dos socialistas.

O chefe de Estado fez o anúncio três dias depois de um tenso almoço com Valls, que tinha declarado estar “pronto” para ser candidato se Hollande não estivesse na disputa. As declarações do primeiro-ministro, que representaram uma forte pressão sobre o presidente, foram seguidas após o almoço por uma declaração de Valls declarando sua “lealdade” ao chefe de Estado.

Horas antes, até o presidente da Assembleia Nacional e figura de destaque do Partido Socialista, Claude Bartolone, havia incentivado Valls a participar das primárias, embora Hollande também estivesse propenso a fazê-lo, o que teria causado uma situação inusitada na já fragilizada e dividida esquerda.

A primeira fase da campanha das primárias da esquerda, que começou nesta quinta-feira, termina no dia 17 com a proclamação oficial dos candidatos. O prazo para Hollande e os outros aspirantes vai até o dia 15. A votação, aberta a militantes e simpatizantes, acontecerá em 22 de janeiro, no primeiro turno, com o segundo turno no dia 29.

Até agora, o único a apresentar oficialmente sua candidatura pela esquerda é o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, da ala radical do Partido Socialista. Montebourg, que deixou o posto de ministro em agosto de 2014, disse agora que, se as primárias não forem abertas, será “o fim do PS”. Se tivesse decidido participar, Hollande corria o risco, como previsto pelas pesquisas, de perder as primárias para Montebourg.

Três outros importantes líderes da esquerda já anunciaram que são candidatos para ocupar o Palácio do Eliseu, mas não participarão das primárias. Trata-se de Jean-Luc Mélenchon, ex-socialista apoiado pelos comunistas; o também ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que pediu demissão em julho depois de formar seu próprio partido, En Marche!, e Sylvia Pinel, do Partido Radical de Esquerda.

Nas últimas semanas, Hollande foi pressionado por figuras de destaque de seu próprio partido para que não participasse ou se declarasse candidato o quanto antes. Os defensores da primeira opção entendiam que o presidente levaria o partido a uma derrota garantida e que seria eliminado no primeiro turno, em abril. Sua popularidade é de cerca de 7%, de acordo com a última pesquisa.

Aqueles que eram favoráveis à participação de Hollande argumentavam que tanto a extrema direita da Frente Nacional quanto a direita do partido Os Republicanos já estão fazendo campanha, enquanto a esquerda ainda não tem candidato definido. Nas fileiras de Os Republicanos, o ex-primeiro-ministro François Fillon foi eleito candidato no domingo, com um amplo apoio.

Hollande queria fazer o anúncio antes de embarcar amanhã, sexta-feira, para uma visita oficial de dois dias a Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.