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Frágil esperança em Caracas

Diálogo entre o chavismo e a oposição é um primeiro passo, mas tem de apresentar resultados concretos

Os mediadores da mesa pelo diálogo na Venezuela, durante uma coletiva de imprensa.
Os mediadores da mesa pelo diálogo na Venezuela, durante uma coletiva de imprensa.FEDERICO PARRA / AFP

Apesar da esperançosa arrancada no início deste mês, o diálogo entre o Governo e a oposição venezuelana precisa ganhar forma o quanto antes em soluções viáveis e concretas para o complicadíssimo bloqueio institucional que a Venezuela sofre há quase um ano, agravado pela penúria material com que a população é castigada.

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Infelizmente, a situação se degradou tanto durante o último ano que as meras declarações de boas intenções não são suficientes. Durante muito tempo Nicolás Maduro se negou não só a entabular qualquer tipo de diálogo com uma oposição que desclassificou sistematicamente como também levou a crise a um extremo perigosíssimo ao não reconhecer a autoridade legítima da Assembleia Nacional, ao torpedear a convocação legal de um referendo revogatório contra si e ao manter injustificadamente dirigentes da oposição na prisão ou sem permissão para sair do país.

Nesse contexto, não ajuda nada que o Tribunal Supremo venezuelano — controlado pelo chavismo — tenha proibido a Assembleia Nacional de iniciar um julgamento político contra o presidente. Maduro tem de entender que o tempo do duplo discurso passou e que não se pode ficar sentado à mesa falando de boa vontade e ao mesmo tempo utilizar o poder judiciário com a mesma estratégia de confrontação civil que caracterizou toda sua gestão.

É preciso desejar que o diálogo — promovido pelo Vaticano e a Unasul — sobreviva, mas ao mesmo tempo é perfeitamente lógico exigir avanços concretos, relevantes, e num prazo razoável. O processo não pode se converter em outra desculpa utilizada pelo chavismo para retardar indefinidamente um acordo com a oposição que permita que a Venezuela volte à democracia.

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