Eleições EUA

Obama critica o diretor do FBI: “Não agimos a partir de insinuações”

Obama criticou James Comey por divulgar as investigações sobre Clinton a poucos dias da eleição

O presidente dos EUA, Barack Obama. REUTERS

Após dias de silêncio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entrou de cabeça nesta quarta-feira na tempestade política causada pelo anúncio do FBI sobre uma nova investigação dos emails de Hillary Clinton. Obama criticou a decisão do diretor da polícia federal norte-americana, James Comey – nomeado pelo próprio presidente para o cargo – de divulgar as investigações sobre a candidata democrata, a poucos dias da eleição presidencial.

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“Acredito que haja uma norma [segundo a qual em] investigações não agimos a partir de insinuações, não agimos a partir de informações incompletas e não agimos a partir de vazamentos”, disse o presidente numa entrevista ao site NowThisNews, gravada na terça-feira.

Obama não citou Comey diretamente, mas é raro que um presidente censure – ainda que implicitamente – um alto funcionário do seu Governo.

Ou seja, Obama considera, assim como os democratas e alguns republicanos, que Comey deveria ter seguido as diretrizes do Departamento de Justiça, ao qual o FBI é subordinado, que recomendam não comentar investigações em curso nem interferir no processo eleitoral.

Na polêmica carta enviada na sexta-feira ao Congresso, o diretor admitiu que desconhecia se os novos documentos ofereceriam dados relevantes. Mas alegou que se sentia obrigado a prestar informações aos legisladores depois de dar como concluída uma investigação anterior sobre o uso de um servidor privado de correios eletrônicos por Clinton na época em que ela foi secretária de Estado de Obama, entre 2009 e 2013.

Na entrevista, o democrata Obama, que participa ativamente da campanha de Clinton, defendeu que as autoridades ajam a partir de “decisões concretas” e recordou que o FBI inocentou em julho à candidata de qualquer delito envolvendo o uso do email particular para tratar de questões de Estado. O porta-voz da Casa Branca disse na segunda-feira que o presidente mantém seu apreço por Comey.

As palavras de Obama garantem que o FBI se manterá no epicentro da campanha até as eleições da próxima terça-feira. Também continua no cardápio a avalanche de informações sobre casos recentes envolvendo pessoas ligadas a Clinton e ao seu rival republicano Donald Trump, que a agência decidiu manter ocultos para evitar a percepção de ingerência eleitoral.

A equipe de Clinton acusa Comey de adotar uma postura ambígua, ao passo que a campanha de Trump deixou para trás as críticas do passado ao diretor do FBI e agora elogia a sua coragem.

Segundo o The New York Times, o FBI seguiu meses atrás a recomendação do Departamento de Justiça de não divulgar suas investigações preliminares sobre as relações ucranianas de Paul Manafort, ex-chefe da campanha do Trump, e sobre os vínculos de Clinton com doadores da sua fundação.

Para complicar ainda mais as coisas, o FBI publicou na terça-feira no Twitter uma mensagem sobre seus arquivos da investigação relativa ao polêmico perdão presidencial que o ex-presidente Bill Clinton, marido da candidata, concedeu ao foragido doador democrata Marc Rich no último dia do seu mandato, em 2001. Segundo o FBI, a publicação da mensagem foi automática, mas isso não apaziguou o mal-estar na campanha de Hillary Clinton. No começo de outubro, a agência havia divulgado arquivos sobre o pai de Donald Trump.