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Coreia do Sul mergulha em crise política por causa de amiga da presidenta

Ministério Público investiga papel de Choi Soon-sil, que tinha acesso a informações privilegiadas

Macarena Vidal Liy
A confidente da presidenta Park chega para prestar depoimento a promotores, nesta segunda-feira.
A confidente da presidenta Park chega para prestar depoimento a promotores, nesta segunda-feira.JUNG UI-CHEL (EFE)
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O Governo da presidenta sul-coreana, Park Geun-hye, enfrenta a pior crise de seus quatro anos de mandato. A governante já demitiu ou aceitou a demissão de cinco de seus assessores, e multiplicam-se os apelos para que renuncie ou se submeta a um processo de impeachment. Neste fim de semana, milhares de pessoas (10.000, segundo os organizadores, e 4.000, de acordo com a polícia) concentraram-se diante da Casa Azul, sede da presidência, para exigir a renúncia de Park. Embora a Constituição impeça que a presidenta seja julgada durante seu mandato, exceto em casos de traição à pátria, o Ministério Público criou uma unidade especial para investigar as suspeitas.

O pivô do escândalo é Choi Soon-sil, uma misteriosa confidente de Park, cuja influência sobre a presidenta lhe valeu o apelido de Rasputin sul-coreana, e que se encontra agora sob suspeita de ter cometido tráfico de influência e ingerência indevida nos assuntos de Estado.

A relação entre Park e Choi remonta há décadas. O pai de Park, o ditador Park Chung-hee, já tinha como confidente o pai de Choi, Choi Tae-min, um empresário que começou sua carreira como policial e se tornou monge budista e depois pastor protestante antes de encabeçar sua própria seita, a Igreja da Vida Eterna, um culto que mistura elementos cristãos, budistas e animistas. A relação entre o presidente, assassinado em 1979 pelo seu próprio chefe de segurança, e o pregador era tão estreita que foi um dos motivos alegados pelo autor do magnicídio para assassinar Park.

Manifestantes exigem a demissão da presidenta Park, no sábado.
Manifestantes exigem a demissão da presidenta Park, no sábado.JUNG YEON-JE (AFP)

A jovem Park Geun-hye começou a se apoiar nos conselhos do velho Choi depois que a mãe dela foi morta em um atentado, em 1974. Não deixou de consultá-lo continuamente até que ele morreu, em 1994. A essa altura, já havia desenvolvido uma amizade semelhante com Soon-sil, segundo a imprensa sul-coreana. O ex-marido de Choi, Chung Yong-hoi, foi assessor de Park até 2013.

O escândalo estourou na semana passada, quando, após semanas de rumores e suspeitas, uma TV local revelou ter encontrado um computador antigo de Choi no qual ficava claro que ela havia recebido documentos e informações sigilosas e assessorado o Governo em questões de política nacional e internacional. Choi não ocupa nenhum cargo oficial, muito menos de um escalão que lhe permitisse ter acesso a documentos confidenciais.

A revelação abriu as portas para uma avalanche de críticas contra uma presidenta com baixos índices de popularidade e apenas um ano de mandato pela frente. Na terça-feira, Park veio a público pedir desculpas. Admitiu que Choi havia dado sua “opinião pessoal” sobre alguns de seus discursos como presidenta e tivera acesso a “alguns documentos” oficiais, mas não esclareceu quais. “Tenho o coração quebrado de dor por ter causado preocupação aos cidadãos”, declarou, num gesto pouco usual para essa líder de caráter distante.

Na sexta-feira, a presidenta demitiu sua equipe de assessores pessoais. Mas as acusações não pararam. Choi é suspeita de ter exercido sua influência para obter suculentas doações de grandes empresas sul-coreanas a duas ONGs controladas por ela e de ter desviado parte desse dinheiro para suas contas pessoais. Também há suspeitas sobre os mecanismos que levaram sua filha a conseguir vaga na prestigiosa universidade Ewha.

Enquanto isso Choi, que desde o início dos rumores estava na Europa, voltou a Seul e compareceu nesta segunda-feira a um órgão do Ministério Público para prestar depoimento. Chegou rodeada de jornalistas, com o rosto choroso e quase oculto por um cachecol e um chapéu de aba larga. Pediu perdão publicamente: “Cometi um delito pelo qual mereço morrer”, declarou, utilizando uma fórmula em idioma coreano para expressar um arrependimento profundo, segundo a Reuters.

Desde o início do escândalo, a popularidade da conservadora Park registrou uma queda brusca. Segundo uma pesquisa publicada na quinta-feira passada, situa-se em 21,5%, enquanto que nos seus primeiros três anos de mandato havia oscilado entre 30 e 50%.

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