Google Pixel

Google apresenta o Pixel, seu celular para concorrer com o iPhone 7

O buscador aposta em a inteligência artificial para conquistar o mercado

Sabrina Ellis apresenta o novo telefone celular do Google, o PixelBECK DIEFENBACH (REUTERS) / VÍDEO: QUALITY
Google Pixel

O Google mantém o seu idílio com São Francisco e a sua maneira de fazer as coisas. Música indie, espaço com uma atmosfera industrial decadente e última tecnologia. Trajando o uniforme não oficial do Vale do Silício, calça jeans e camiseta verde, foi Sundar Pichai quem abriu o evento desta terça-feira em que a empresa apresentou as suas novidades na área de hardware. “Nossas inovações estão mudando a vida das pessoas. Passamos de um mundo de ‘primeiro o celular’ para o de ‘primeiro a inteligência artificial’”, destacou o principal executivo do Google, para mostrar as novidades da companhia. Começou com o assistente pessoal, o Home. Esse concorrente da Siri (Apple) e do Alexa (Amazon) pretende superá-los com um sistema de aprendizado mais eficiente. “É como o Google, mas falante. Ou melhor”, insistiu-se.

Pixel quer ser mais singelo de usar que nenhum outro no mercado

Pichai foi cauteloso: “Vamos avançando aos poucos, mantendo a essência de quando começamos há 18 anos, mas respondendo a perguntas. Nosso processamento da linguagem natural, da tradução e do reconhecimento de voz e de fala nos permite sermos cada vez melhores. O avanço é constante”. Desde a chegada do engenheiro ao topo do Google, a inteligência artificial se tornou a prioridade da empresa. E isso ficou demonstrado nessa primeira leva de aparelhos próprios.

O executivo relatou alguns dos trunfos do Home, como o de distinguir entre o alemão da Suíça e o da Alemanha, para dar um exemplo relativamente complexo. Destacou também que a intenção é que ele seja onipresente: “Em casa e no celular que você leva sempre com você”.

Novo celular

Rick Osterloh, principal responsável por hardware e ex-diretor da Motorola, deslindou como são esses novos aparelhos. Insistiu no vínculo afetivo entre humanos e celulares. “Achamos que tem de ser fácil de usar e adaptável. Estamos na intersecção entre o software e o hardware graças à inteligência artificial”, observou.

O Google Pixel, como o novo celular é chamado, quer ser mais simples de usar que qualquer outro no mercado, mas com cuidados na parte externa como os de padrão mais elevado: gracioso, fácil de segurar e resistente. “É o melhor exemplo de como se pode fazer tudo mais fácil”, disse.

O Pixel e o Pixel XL
O Pixel e o Pixel XLBECK DIEFENBACH (REUTERS)

O Pixel é o primeiro celular com o assistente do Google. Apoia-se em uma câmera que promete grandes fotos, inclui armazenamento na nuvem e está planejado para, por fim, usar o DayDream, seu sistema de realidade virtual, do qual se teve notícia apenas em junho.

Brian Rakowski deu detalhes do hardware: “Ter o assistente sempre à mão faz com que tudo seja mais fácil. O assistente se entende com o WhatsApp, faz reservas e te diz a programação em um cinema no bairro”. Sim, ele diz, porque fala. Tem uma voz robótica e, de novo, feminina.

A câmera é, claramente, o complemento do celular mais usado. A do Pixel escolhe a melhor foto de uma série, maneja a exposição automaticamente e cria imagens de alto nível dinâmico combinando várias para captar facilmente instantâneos com escassa luz. Os compradores desses telefones terão armazenamento ilimitado de alta definição para as fotos, sem perda de qualidade. Foi um golpe direto no iPhone e seu defeito mais destacado.

Bateria e Nougat

Sabrina Ellis, a primeira mulher a tomar a palavra na apresentação, se aprofundou no Google Duo, o equivalente ao Facetime da Apple. A bateria foi o destaque, até sete horas de uso com apenas 15 minutos de carga. Nougat, o sistema operacional desses Pixels, terá atualizações inteligentes, não se notarão enquanto está sendo usado e serão instaladas quando o celular estiver em descanso.

O ataque ao iPhone foi direto e constante, contando até com um programa para trocar de iOS para Android

O ataque ao iPhone foi direto e constante, contando até com um programa para trocar de iOS para Android com importação de contatos, música, arquivos e aplicativos.

Os celulares chegarão em dois tamanhos, de cinco ou 5,5 polegadas. A câmera será de 12 megapixels. O preço inicial é de 649 dólares (2.100 reais). Estão sendo lançados nos EUA, Austrália, Canadá e Alemanha. Chegarão à Índia ainda em outubro. Não foi informado quando serão postos à venda no país de língua espanhola.

Realidade virtual

Por fim chegou a vez da realidade virtual. A espera para superar os cardboards, muito básicos, foi longa, mas valeu bem a pena: podem ser usados com óculos, zona táctil lateral e um comando sem fio.

Clay Bavor, vice-presidente de Realidade Virtual do Google, apresenta o Daydream View VR
Clay Bavor, vice-presidente de Realidade Virtual do Google, apresenta o Daydream View VRBECK DIEFENBACH (REUTERS)

Adrienne McCallister mostrou seu potencial. A responsável por acordos deixou claro que querem fazer novas experiências. Chegaram a um acordo com a Warner Bros para adentrar o universo de Harry Potter. Será possível explorar galáxias, entrar em videogames. Destacaram o trabalho de The New York Times nesse campo. “Fazem jornalismo em realidade virtual com qualidade”, declarou, como elogio e motivação. Não podia faltar o YouTube, seu grande armazém de vídeos. Terá canais para esse formato. O mais impactante foi o preço: 79 dólares (256 reais)

Na quinta-feira o Oculus, propriedade do Facebook, realizará sua conferência anual. Não será fácil depois da ação do Google

Google Home

A apresentação foi encerrada por Mario Queiroz com o Google Wi-Fi, um acelerador de conexão e cobertura na residência. Lógico se se levar em conta que sem acesso à Internet o ecossistema proposto não funciona. Aconselharam a pôr vários em casa para ter diversos pontos de wi-fi. Pacote de três por 299 dólares (970 reais) ou um por 129 (418 reais).

O Chromecast, um de seus dispositivos mais populares, deu um salto de qualidade. Agora tem conexão de alta definição. Custa 69 dólares (224 reais).

O Home foi o último dispositivo pensado para se usar em casa, e falar com ele. “Às vezes você não quer tirar o celular do bolso”, disse, para justificar o uso. O design, bastante limpo e neutro, se inspira na decoração da casa para que não destoe. Não é um vaso, não é uma floreira, mas também não é nada exótico. Custará 129 dólares e incluirá seis meses de assinatura do YouTube pago. Começa a ser vendido em 4 de novembro, mas já pode ser reservado.

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