Guerra na Síria

Washington insiste: “Rússia é responsável pelo ataque ao comboio humanitário em Aleppo”

Aviões SU-24 de fabricação russa sobrevoavam a área, segundo fontes de inteligência dos Estados Unidos

O trem de ajuda humanitária destruído na segunda-feira em Alepo. OMAR HAJ KADOUR AFP / ATLAS (atlas)
Agências
Madri / Washington - 21 sep 2016 - 20:43 UTC

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Washington culpa a Rússia pelo bombardeio de um comboio da ONU e do Crescente Vermelho atacado quando levava ajuda humanitária a 78.000 pessoas sitiadas em Urm al Kubra, na província síria de Alepo. “Toda nossa informação indica claramente que houve um bombardeio. Isso significa que só pode haver duas entidades responsáveis”, disse o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca Ben Rhodes, em referência a Rússia e Síria.

A acusação vem imediatamente depois de Moscou negar qualquer responsabilidade no ataque, que destruiu 18 dos 31 veículos do comboio. Vinte civis e um trabalhador do Crescente Vermelho Sírio (SARC) morreram. “Nem aviões russos nem sírios realizaram bombardeios contra um comboio da ONU no sudoeste de Alepo”, declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.

A negativa não bastou a Washington. “Responsabilizamos o Governo russo pelo bombardeio nesse espaço aéreo em vista de seu compromisso com a suspensão das hostilidades nas operações ar-terra em locais de fluxo humanitário”, disse Ben Rhodes, de acordo com a rede CNN.

Segundo duas fontes norte-americanas consultadas pela agência Reuters, dois aviões SU-24 da Rússia sobrevoavam a área no momento do ataque. Essas fontes citam informação dos serviços de Inteligência dos Estados Unidos. Além disso, um dirigente do principal bloco da oposição política na Síria, Riad Hijab afirmou que só a Rússia e a Síria tinham aviões nessa área.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos também acusa a Força Aérea do regime pelo ataque ao comboio, que levou a ONU suspender o envio de ajuda humanitária à Síria. Nesta quarta-feira, a ONU tentará destravar a busca de soluções para a guerra na Síria com uma reunião do Conselho de Segurança, que acontecerá em meio à escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia, tanto pelo bombardeio da caravana humanitária como pela morte de 62 militares sírios em outro bombardeio, que o Pentágono atribui a um erro.

A organização não governamental Human Rights Watch (HRW) pediu nesta terça-feira uma investigação sobre o bombardeio, que durou três horas e foi realizado em uma área sem alvos militares. “O aparente ataque contra um comboio humanitário autorizado e um conhecido depósito de materiais humanitários levanta a suspeita de que se trate de uma ação proposital”, disse a subdiretora do HRW para o Oriente Médio, Lamba Fakih.

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